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Paola Ugaz (left) discusses her investigation into the Catholic Church in Peru in the GIJC25 panel on covering religious groups and cults.
Paola Ugaz (left) discusses her investigation into the Catholic Church in Peru in the GIJC25 panel on covering religious groups and cults.

Paola Ugaz (à esquerda) discute sua investigação sobre uma poderosa organização católica no Peru durante o painel da GIJC25 sobre a cobertura de seitas e grupos religiosos. Imagem: Zahid Hassan

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O Negócio da Fé: Como investigar seitas e grupos religiosos

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A religião é parte intrínseca da vida das pessoas, influenciando comunidades, países e desenvolvimentos sociopolíticos. Mas esses mesmos fatores tornam as reportagens sobre religiões e crenças um desafio.

Jornalistas da Nova Zelândia, Colômbia e Peru participaram da 14ª Conferência Global de Jornalismo Investigativo (GIJC25) em uma sessão intitulada “Revelando Histórias Ligadas a Grupos Religiosos” (tradução livre), sobre como encontrar histórias e ângulos ao reportar sobre questões relacionadas a grupos e seitas religiosos.

Aprenda a linguagem

Um grande desafio ao fazer reportagens sobre religião é a terminologia, disse Anusha Bradley, repórter investigativa da Rádio Nova Zelândia. “Aprenda a linguagem da religião. Você precisa entender o que eles estão dizendo”, explicou. As religiões tendem a ter sua própria terminologia e palavras, com significados específicos que podem ser desconhecidos para alguém que está tentando investigá-las pela primeira vez.

“Entenda a estrutura hierárquica”, acrescentou ela. Muitas religiões funcionam como empresas, e compreender a hierarquia e a forma como a instituição é estruturada ajuda bastante. Também é importante entender o poder, o controle e a coerção — e como eles estão ligados à instituição religiosa.

Bradley citou sua reportagem sobre o impacto do ostracismo e das políticas de proteção à criança entre as Testemunhas de Jeová na Nova Zelândia. Sua investigação revelou como o grupo religioso controla o acesso à justiça para vítimas de várias formas de abuso. “Havia vítimas de violência doméstica, e lhes disseram para orar mais”, disse ela. “O abuso sexual exigia a presença de duas testemunhas [para confirmar que o abuso ocorreu]” — práticas que, na prática, impediam a responsabilização e a justiça para as vítimas e protegiam os abusadores.

Lutando pelo acesso

O jornalista colombiano Juan Pablo Barrientos vem sofrendo assédio há quase uma década por suas extensas reportagens e investigações sobre relatos de abuso sexual de menores na Igreja Católica em seu país natal.

Barrientos estava tentando analisar como a Igreja Católica, enquanto importante instituição nacional na Colômbia, lidava com casos de padres acusados ​​de pedofilia. O título da investigação de Barrientos, “O Arquivo Secreto”, refere-se a uma seção do Código de Direito Canônico — que rege a Igreja Católica — que decreta a criação de um arquivo que deve ser trancado e “devem ser conservados sob segredo”, contendo registros do que o Código descreve como “causas criminais em matéria de costumes,”, incluindo um breve resumo do ocorrido.

“Para mim, isso é uma confissão criminosa”, disse Barrientos. Esse arquivo foi crucial para sua investigação. A Igreja Católica bloqueou o acesso por anos, e Barrientos e outro jornalista levaram sua luta para acessar esses registros da igreja na Colômbia aos tribunais.

“O artigo 44 da Constituição da Colômbia afirma que os direitos dos menores prevalecem sobre todos os outros direitos”, disse Barrientos. “O tribunal argumentou que se tratava de informação privada. Mas [nós] não estávamos pedindo prontuários médicos, registros financeiros ou a orientação sexual dos padres. [Estávamos] pedindo informações sobre crimes cometidos contra crianças”, acrescentou.

Em junho de 2025, o Tribunal Constitucional da Colômbia confirmou o direito dos jornalistas de acessar — ​​com base no princípio constitucional da proteção da criança — informações sobre padres no contexto de investigações de supostos abusos sexuais.

Paola Ugaz, a correspondente do jornal espanhol ABC no Peru, investiga há anos denúncias de abuso sexual, físico e psicológico contra menores pela Sodalicio Christianae Vitae (SCV), uma influente organização católica fundada no Peru na década de 1970. Após a publicação, em 2015, do livro que escreveu em parceria com o ex-membro da Sodalicio, Pedro Salinas, intitulado “Mitad Monjes, Mitad Soldados” (“Meio Padres, Meio Soldados”), ela sofreu retaliação — incluindo diversas formas de assédio direcionado e uma denúncia criminal por difamação movida por pessoas ligadas à SCV.

Em abril de 2025, o Vaticano formalizou a dissolução da SCV.

Siga os documentos

O momento “Aha!” pode surgir a qualquer momento durante as investigações, disseram os palestrantes, que também compartilharam algumas dicas gerais para investigar grupos religiosos poderosos.

Bradley sugeriu verificar o rastro documental. “A congregação documentava as reuniões que realizava, e a secretária arquivava tudo” sobre essas discussões dentro da igreja, disse Bradley. “Muitos membros das Testemunhas de Jeová que se aposentaram ou saíram [da igreja], levaram esses documentos com eles”. Ela também observou que “toda vítima tem uma história… então é importante mostrar um padrão expondo o sistema”.

Barrientos exortou os jornalistas a não terem medo de fazer perguntas à Igreja Católica em suas próprias cidades: “Peçam por aquele arquivo secreto que existe em cada uma de suas cidades… Toda cidade que tem uma igreja católica… Eles têm esses arquivos secretos”.

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