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A jornalista brasileira Karla Mendes compartilha sua reportagem sobre mineração ilegal de ouro na Amazônia durante um painel sobre a investigação de mineração ilegal na 14ª Conferência Global de Jornalismo Investigativo. Imagem: Alyaa Alhadjri para GIJN.

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Investigando a mineração ilegal: dicas sobre abordagens, fontes e pós-publicação

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A mineração ilegal representa um desafio significativo, particularmente no Brasil, no continente africano e em diversas partes do Sudeste Asiático. Ela explora brechas nas regulamentações e a falta de fiscalização, estando intimamente ligada a crimes econômicos e corrupção.

Em muitos países, o crime também está intimamente ligado à destruição de recursos naturais e terras indígenas, já que as reservas minerais costumam estar localizadas em áreas rurais e remotas, habitadas por comunidades nativas há gerações.

“A mineração ilegal não é caos. É um sistema informal com suas próprias linhas de poder”, disse Linda Mujuru, premiada jornalista investigativa freelancer do Zimbábue, cujo trabalho se concentra em mineração, terras e justiça ambiental. Mujuru palestrou na 14ª Conferência Global de Jornalismo Investigativo na Malásia, em uma sessão intitulada Tracing Illegal Mining Activities (Rastreando Atividades de Mineração Ilegal, em tradução livre), onde se juntou a jornalistas do Brasil e da Turquia para discutir os desafios de reportar sobre mineração ilegal em seus países.

Mapeie a Rede Humana

É importante para jornalistas que investigam a mineração ilegal rastrear a rede humana envolvida na operação antes de mapear os detalhes da própria mineração, disse Mujuru. Permissões e documentos oficiais provavelmente revelarão apenas uma pequena parte do quadro geral, explicou ela.

Considerando a localização dos lugares onde a mineração ilegal normalmente ocorre, é fundamental desenvolver fontes dentro das comunidades locais que vivem dentro e ao redor desses locais. Mineiros, profissionais de saúde da atenção primária e líderes jovens, por exemplo, geralmente conhecem os meandros das atividades de mineração nas proximidades. “Os relacionamentos revelarão mais do que os dados oficiais”, explicou Mujuru.

Contando os dois lados da história

Ao reportar histórias que envolvem um desequilíbrio nas estruturas de poder, como a mineração ilegal, os jornalistas devem falar com fontes de ambos os lados da questão, disse Karla Mendes, jornalista brasileira premiada que trabalha como repórter investigativa e de matérias especiais para a Mongabay.

“É importante mostrar que você é jornalista e não ativista”, alertou ela. “É fácil ficar do lado de quem protesta contra as minas, mas é importante falar também com o outro lado”.

Deixe de lado noções preconcebidas e preconceitos sobre o país ou região onde você está investigando a mineração ilegal, disseram os palestrantes. Para jornalistas que cobrem essa questão, é crucial conhecer o contexto e a história da terra envolvida. “Há poucas oportunidades disponíveis, o que força os povos indígenas a recorrerem à mineração ilegal. Esse contexto permite uma reportagem equilibrada”, disse Mendes.

A mineração ilegal é uma questão multifacetada, acrescentou ela. Jornalistas investigativos devem entender que não se trata apenas de uma história criminal, mas também de uma história de saúde pública, ambiental e sobre os direitos indígenas. Os indígenas Munduruku, no Brasil, por exemplo, continuam enfrentando problemas de saúde mesmo após a remoção de garimpeiros ilegais de uma área da floresta amazônica. A reportagem de Mendes para a Mongabay sugere que o governo brasileiro fez pouco para ajudar a comunidade indígena a lidar com a ampla gama de doenças ligadas à contaminação por mercúrio causada pela mineração.

A jornalista investigativa independente de Zimnanwean, Linda Mujuru, disse aos participantes que é fundamental desenvolver fontes dentro das comunidades locais que vivem nas proximidades das minas. Imagem: Alyaa Alhadjri para GIJN

A confiança é fundamental

Ao reportar sobre questões sensíveis, como a mineração ilegal, a confiança é fundamental, enfatizaram Mujuru e Mendes. “Os povos indígenas são atacados o tempo todo e precisam confiar em você”, disse Mendes. “Eles precisam ver exemplos dos seus [trabalhos anteriores]”.

Ambas as jornalistas disseram que já compartilharam reportagens sobre questões envolvendo comunidades indígenas com fontes no local para mostrar sua intenção como repórteres e o impacto que esse tipo de jornalismo investigativo pode ter.

Doğu Eroğlu, repórter investigativo baseado em Istambul e fundador da Ortak, uma redação investigativa independente também sediada em Istambul, discutiu uma investigação sobre o desastre na mina de ouro de İliç, na província de Erzincan, no leste da Turquia, em fevereiro de 2024. O desabamento do material de lixiviação contaminado com cianeto — minério triturado de baixa qualidade empilhado em grandes montes e irrigado com uma solução química para dissolver e extrair metais valiosos como ouro e cobre — resultou na morte de nove mineiros.

“Tínhamos uma lista de ex e atuais funcionários das minas, mas eles haviam assinado um acordo de confidencialidade [com a mineradora]”, disse Eroğlu. “Todos estavam apavorados [em falar conosco]. Até mesmo engenheiros que estavam trabalhando em outros lugares e que possivelmente voltariam para as minas estavam apavorados. Tivemos que encontrar mineiros aposentados que não se importassem com a empresa”.

“A intimidação física é muito comum na Turquia”, acrescentou Eroğlu, falando sobre o jornalismo investigativo em seu país. Grandes empresas têm uma reputação a zelar e, por isso, pequenas empresas podem ser “mais perigosas, porque apostam todas as suas fichas” como empresa, explicou ele.

Principais conclusões e dicas

Para lidar com preocupações sobre represálias após a publicação, a confiança é a melhor defesa, disse Mujuru: “É importante identificar organizações com as quais você possa colaborar”. Para redações menores ou aquelas sem departamentos jurídicos, Mendes sugeriu o uso de um advogado pro bono para realizar uma revisão jurídica antes da publicação.

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