{"id":563681,"date":"2022-08-15T01:09:52","date_gmt":"2022-08-15T05:09:52","guid":{"rendered":"https:\/\/gijn.org\/?p=563681"},"modified":"2025-07-09T10:45:27","modified_gmt":"2025-07-09T14:45:27","slug":"entendendo-o-impacto-do-jornalismo-em-regimes-autoritarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/artigos\/entendendo-o-impacto-do-jornalismo-em-regimes-autoritarios\/","title":{"rendered":"Entendendo o impacto do jornalismo em regimes autorit\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p>Eu costumava ser colunista no maior jornal da Venezuela. Tamb\u00e9m tinha meu pr\u00f3prio programa de r\u00e1dio di\u00e1rio e fundei um ve\u00edculo em formato de\u00a0<span style=\"font-size: 19.55px\">newsletter. Meu trabalho jornal\u00edstico deveria ter contribu\u00eddo para fortalecer a democracia, eu pensava, j\u00e1 que lan\u00e7ava luz sobre os problemas que a sociedade enfrentava.<\/span><\/p>\n<aside class=\"module align-right half type-pull-quote\">As condi\u00e7\u00f5es para exercer o jornalismo em pa\u00edses autorit\u00e1rios s\u00e3o dif\u00edceis e frequentemente perigosas.<\/aside>\n<p>No entanto, na d\u00e9cada ap\u00f3s a minha gradua\u00e7\u00e3o na faculdade de jornalismo, meu pa\u00eds se converteu em um regime autocr\u00e1tico que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.hrw.org\/world-report\/2022\/country-chapters\/venezuela\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">violava direitos humanos<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/pulitzercenter.org\/stories\/covering-pandemic-arrests-journalists-and-healthcare-workers-venezuela\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">prendia jornalistas<\/a>. Com frequ\u00eancia eu tive a sensa\u00e7\u00e3o de que todo meu trabalho era in\u00fatil; na pior das hip\u00f3teses, n\u00e3o estava segura de como estimar a import\u00e2ncia dele.<\/p>\n<p>\u00c9 mais f\u00e1cil medir o impacto da informa\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica em pa\u00edses abertos e democr\u00e1ticos. Nesses pa\u00edses, \u00e9 mais prov\u00e1vel que as institui\u00e7\u00f5es e os governantes mudem seus m\u00e9todos em resposta \u00e0s evid\u00eancias de corrup\u00e7\u00e3o ou m\u00e1 gest\u00e3o. Nos pa\u00edses autorit\u00e1rios\u00a0\u2014 na aus\u00eancia do Estado de Direito e de processos democr\u00e1ticos\u00a0\u2014 esses atores n\u00e3o sentem a mesma press\u00e3o. Pode ser desalentador, j\u00e1 que o status quo prevalece. Al\u00e9m disso, os ve\u00edculos que se atrevem a publicar informa\u00e7\u00e3o contra o governo t\u00eam mais probabilidades de serem atacados.<\/p>\n<p>Por mais provas de corrup\u00e7\u00e3o ou de m\u00e1 conduta que os jornalistas descubram nesses casos, temos a sensa\u00e7\u00e3o, tanto n\u00f3s quanto o p\u00fablico em geral, de que pouco vai mudar.<\/p>\n<p>Mesmo assim, apesar dessa sensa\u00e7\u00e3o e dos desafios a serem superados, os jornalistas podem seguir gerando uma diferen\u00e7a positiva. E seu impacto pode emergir de formas menos tradicionais.<\/p>\n<h4><strong>Obst\u00e1culos do jornalismo<\/strong><\/h4>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es para exercer o jornalismo em pa\u00edses autorit\u00e1rios s\u00e3o dif\u00edceis e frequentemente perigosas: o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais limitado e os jornalistas podem sofrer censura, persegui\u00e7\u00e3o e receber amea\u00e7as de morte.<\/p>\n<p>Na R\u00fassia, por exemplo, a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia fez surgir\u00a0<a href=\"https:\/\/www.npr.org\/2022\/03\/05\/1084729579\/russian-law-bans-journalists-from-calling-ukraine-conflict-a-war-or-an-invasion\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">uma nova lei<\/a>\u00a0que restringe a liberdade de imprensa. &#8220;A nova lei assinada por Putin em mar\u00e7o pune com at\u00e9 15 anos de pris\u00e3o a difus\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o aprovada pelo Kremlin. Isso significa que cobrir a guerra na Ucr\u00e2nia \u00e9 praticamente ilegal para todos os rep\u00f3rteres russos&#8221;, diz\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/scherbakova7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Irina Scherbakhova<\/a>, jornalista russa que migrou para a Let\u00f4nia.<\/p>\n<p>Em regimes autorit\u00e1rios, as fontes com as quais os jornalistas contam tamb\u00e9m costumam correr mais perigo. Os vendedores ambulantes Jos\u00e9 e Leo, que trabalham em Havana, perderam a licen\u00e7a de trabalho por darem declara\u00e7\u00f5es em uma\u00a0<a href=\"https:\/\/revistaelestornudo.com\/game-over-extenuante-juego-los-carretilleros-la-habana\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">reportagem sobre o trabalho aut\u00f4nomo<\/a>\u00a0(os sobrenomes de Jos\u00e9 e Leo n\u00e3o foram publicados na hist\u00f3ria original). &#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil ter fontes em Cuba, justamente porque elas tamb\u00e9m pensam nas repres\u00e1lias&#8221;, destaca <a href=\"https:\/\/twitter.com\/JimenezEnoa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Abraham Jim\u00e9nez Enoa<\/a>, autor da mat\u00e9ria e hoje exilado na Espanha.<\/p>\n<aside class=\"module align-right half type-pull-quote\">Jornalistas e doadores devem ampliar sua compreens\u00e3o sobre formas menos tradicionais atrav\u00e9s das quais o jornalismo gera impacto.<\/aside>\n<p><span style=\"font-size: 19.55px\">Em contextos autorit\u00e1rios como esse, organiza\u00e7\u00f5es que oferecem financiamento t\u00eam dificuldade para medir o impacto do jornalismo que apoiam, j\u00e1 que os indicadores de desempenho t\u00edpicos, como o n\u00famero de leitores, o engajamento e a mudan\u00e7a institucional, costumam ser mais dif\u00edceis de rastrear. E isso pode afetar o fluxo de dinheiro destinado a apoiar jornalistas e reda\u00e7\u00f5es que se funcionam nesses lugares.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Medir o impacto de uma mat\u00e9ria pelo n\u00famero de leitores n\u00e3o funciona aqui. Os bloqueios mantidos pelos diferentes provedores de internet aos ve\u00edculos digitais limitam o n\u00famero de leitores que se pode ter&#8221;, explica\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/Pmarcano11\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Patricia Marcano<\/a>, coordenadora editorial do ve\u00edculo investigativo venezuelano\u00a0<a href=\"https:\/\/armando.info\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Armando.info<\/a>.<\/p>\n<h4><strong>Impactos do jornalismo<\/strong><\/h4>\n<p>Diante desses desafios, jornalistas e doadores devem ampliar sua compreens\u00e3o sobre formas menos tradicionais atrav\u00e9s das quais o jornalismo gera impacto. Em contextos autorit\u00e1rios, a profiss\u00e3o pode ajudar a documentar viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos, projetar o perfil de ONGs locais, colaborar com a\u00e7\u00f5es legais em outros pa\u00edses, construir comunidade e deixar um registro para futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h5>Documentando viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos<\/h5>\n<p>O site Armando.info revelou in\u00fameras irregularidades na Justi\u00e7a venezuelana entre 2000 e 2019 depois de analisar uma base de dados com informa\u00e7\u00f5es sobre quase 6 mil ju\u00edzes do pa\u00eds. Eles descobriram que a falta de independ\u00eancia e a corrup\u00e7\u00e3o no poder judicial s\u00e3o os principais obst\u00e1culos enfrentadas pelas pessoas com processos judiciais. O\u00a0<a href=\"https:\/\/armando.info\/la-ley-del-poder-judicial-mientras-mas-pobre-la-provincia-mas-chavistas-son-los-jueces\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">material resultante<\/a>\u00a0foi\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ohchr.org\/sites\/default\/files\/Documents\/HRBodies\/HRCouncil\/FFMV\/A-HRC-48-CRP.5_EN.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">usado como refer\u00eancia<\/a>\u00a0pela miss\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o independente do Conselho de Direitos Humanos e no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oas.org\/es\/cidh\/docs\/anual\/2020\/capitulos\/IA2020cap.4b-VE-es.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">relat\u00f3rio<\/a>\u00a0de 2020 da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos para apoiar as v\u00edtimas que pedem por justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a esta e outras mat\u00e9rias de ve\u00edculos independentes, hoje sabemos que a Venezuela teve um dos\u00a0<a href=\"https:\/\/worldjusticeproject.org\/our-work\/research-and-data\/wjp-rule-law-index-2021\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">piores \u00edndices de Estado de Direito<\/a>\u00a0em 2021, de acordo com o World Justice Project. Ter provas quantific\u00e1veis disso ajuda as pessoas envolvidas em processos judiciais injustos a elaborarem apelos mais fortes para levar a organiza\u00e7\u00f5es internacionais como a Corte Penal Internacional de Direitos Humanos. Tamb\u00e9m demonstra que eles s\u00e3o uns dos muitos que lutam contra um sistema corrupto.<\/p>\n<h5>Projetando o perfil de ONGs locais<\/h5>\n<div id=\"attachment_512377\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/shutterstock_2150985449.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-512377\" class=\"wp-image-512377 size-medium\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/shutterstock_2150985449-336x224.jpg\" alt=\"Meduza aplicativo regimes autorit\u00e1rios\" width=\"336\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/shutterstock_2150985449-336x224.jpg 336w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/shutterstock_2150985449-771x514.jpg 771w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/shutterstock_2150985449-768x512.jpg 768w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/shutterstock_2150985449.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-512377\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Shutterstock<\/p><\/div>\n<p>O jornalismo feito em regimes autorit\u00e1rios pode sensibilizar organiza\u00e7\u00f5es locais sem fins lucrativos para que elas partam para a a\u00e7\u00e3o. Na R\u00fassia, o ve\u00edculo independente <a href=\"https:\/\/meduza.io\/en\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Meduza<\/a> publicou no ano passado uma <a href=\"https:\/\/meduza.io\/feature\/2021\/03\/26\/mozhet-on-vse-taki-zhiv\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">reportagem<\/a>\u00a0sobre Roza Khalishkhova,\u00a0uma mulher que recorreu ao Minist\u00e9rio da Defesa russo depois da desapari\u00e7\u00e3o de seu filho durante a Primeira Guerra da Chech\u00eania. Enquanto tentava encontr\u00e1-lo, ela foi torturada por combatentes chechenos.<\/p>\n<p>O grupo de direitos civis\u00a0<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mother%27s_Right_Foundation\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Pravo Materi<\/a> ajudou Khalishkhova e outras fam\u00edlias cujos filhos morreram durante o servi\u00e7o militar. &#8220;Contei a hist\u00f3ria dela e escrevi sobre a Pravo Materi&#8221;, diz Irina Scherbakova, autora da mat\u00e9ria. &#8220;E com isso as pessoas come\u00e7aram a compartilhar informa\u00e7\u00f5es sobre eles e a fazer doa\u00e7\u00f5es [para a organiza\u00e7\u00e3o]&#8221;.<\/p>\n<h5>Colaborando com a\u00e7\u00f5es legais<\/h5>\n<p>O jornalismo tamb\u00e9m pode colaborar com a\u00e7\u00f5es legais em outros pa\u00edses. Em 2017, o site Armando.info publicou sobre irregularidades na importa\u00e7\u00e3o de alimentos na Venezuela que envolviam o empres\u00e1rio Alex Saab. Saab recorreu \u00e0 Justi\u00e7a alegando difama\u00e7\u00e3o, e v\u00e1rios jornalistas do ve\u00edculo\u00a0<a href=\"https:\/\/gijn.org\/stories\/how-armando-infos-exiled-reporters-keep-reporting-on-venezuela\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">se exilaram<\/a>\u00a0para evitar ataques.<\/p>\n<div id=\"attachment_557592\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Armando.Info-on-Alex-Saabs-last-flight.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-557592\" class=\"wp-image-557592 size-medium\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Armando.Info-on-Alex-Saabs-last-flight-336x187.png\" alt=\"Armando.Info Alex Saab pen\u00faltimo voo regimes autorit\u00e1rios\" width=\"336\" height=\"187\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Armando.Info-on-Alex-Saabs-last-flight-336x187.png 336w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Armando.Info-on-Alex-Saabs-last-flight-771x429.png 771w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Armando.Info-on-Alex-Saabs-last-flight-768x427.png 768w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Armando.Info-on-Alex-Saabs-last-flight-1170x651.png 1170w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Armando.Info-on-Alex-Saabs-last-flight.png 1249w\" sizes=\"auto, (max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-557592\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Captura de tela<\/p><\/div>\n<p>Gra\u00e7as, em grande parte, \u00e0s provas reunidas pelo site, o Departamento de Justi\u00e7a dos Estados Unidos acusou formalmente Saab e outro empres\u00e1rio colombiano por lavagem de dinheiro de quase US$ 350 milh\u00f5es obtidos atrav\u00e9s do sistema de controle cambial da Venezuela. Saab\u00a0<a href=\"https:\/\/armando.info\/en\/alex-saabs-penultimate-flight\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">foi preso<\/a> durante uma escala em Cabo Verde quando viajava da Venezuela para o Ir\u00e3, e hoje aguarda o julgamento nos Estados Unidos.<\/p>\n<h5>Construindo comunidades no exterior<\/h5>\n<p>Os ve\u00edculos independentes podem ajudar imigrantes e refugiados a ficarem em dia com as not\u00edcias do seu pa\u00eds de origem. &#8220;O\u00a0<a href=\"https:\/\/revistaelestornudo.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">El Estornudo<\/a>\u00a0est\u00e1 bloqueado em Cuba e para entrar no site voc\u00ea precisa de uma VPN. Quase todos os leitores est\u00e3o fora do pa\u00eds&#8221;, explica Jim\u00e9nez Enoa, cofundador do site.<\/p>\n<aside class=\"module align-right half type-pull-quote\">Mesmo que a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha um impacto imediato, pode deixar um registro que provoque a\u00e7\u00f5es das gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/aside>\n<p>Ainda que haja forte censura, sempre h\u00e1 brechas para a informa\u00e7\u00e3o escapar e conectar os que foram aos que ficaram. Em julho de 2021, dezenas de milhares de cubanos foram \u00e0s ruas naquelas que foram as\u00a0<a href=\"https:\/\/www.hrw.org\/news\/2022\/07\/11\/cuba-crackdown-protests-creates-rights-crisis\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">maiores manifesta\u00e7\u00f5es antigoverno<\/a> do pa\u00eds em d\u00e9cadas. As manifesta\u00e7\u00f5es foram uma resposta \u00e0 escassez de alimentos e rem\u00e9dios, bem como \u00e0 gest\u00e3o do governo durante a pandemia de COVID-19. Os ve\u00edculos independentes informaram os cubanos residentes e no exterior sobre os protestos, o que inspirou manifesta\u00e7\u00f5es na frente de embaixadas cubanas em outros pa\u00edses.<\/p>\n<h5>Produzindo um legado para gera\u00e7\u00f5es futuras<\/h5>\n<p>Por \u00faltimo, tendo em vista que governos autorit\u00e1rios costumam se empenhar para impor suas convenientes vers\u00f5es sobre os acontecimentos, o jornalismo pode atuar tamb\u00e9m como um espa\u00e7o para deixar um &#8220;<a href=\"https:\/\/slate.com\/news-and-politics\/2010\/08\/on-the-trail-of-the-question-who-first-said-or-wrote-that-journalism-is-the-first-rough-draft-of-history.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">primeiro rascunho da hist\u00f3ria<\/a>&#8220;. Mesmo que a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha um impacto imediato, pode deixar um registro que provoque a\u00e7\u00f5es das gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>Informar sobre os\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/world-asia-48445934\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">protestos e o massacre<\/a>\u00a0da\u00a0Pra\u00e7a de Tiananmen em 1989 \u00e9 um bom exemplo disso. &#8220;Houve muitas imagens que mostravam\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cnn.com\/interactive\/2019\/05\/world\/tiananmen-square-tank-man-cnnphotos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">um homem de p\u00e9 diante de um tanque<\/a>; os jornalistas documentaram sons de armas&#8221;, diz\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/Baochoy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Bao Choy<\/a>, jornalista e produtor de v\u00eddeo em Hong Kong. &#8220;Temos gravadas na mente todas essas mem\u00f3rias de que o Partido Comunista podia ser muito violento e violar os direitos humanos. E acredito que essa mem\u00f3ria desempenhou um papel importante para que a popula\u00e7\u00e3o de Hong Kong lutasse pela sua pr\u00f3pria democracia nas d\u00e9cadas seguintes.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 preciso que, nos dias de hoje, os jornalistas e aqueles que os apoiam economicamente ampliem sua compreens\u00e3o das vias n\u00e3o tradicionais atrav\u00e9s das quais a informa\u00e7\u00e3o independente de qualidade gera mudan\u00e7a. Em um mundo cada vez mais autorit\u00e1rio, isso pode ajudar a motivar e apoiar uma nova gera\u00e7\u00e3o de jornalistas que buscam gerar impacto em seus pa\u00edses, independentemente das probabilidades que pesam contra eles.<\/p>\n<p><em>Esta <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/ijnet.org\/pt-br\/story\/os-impactos-do-jornalismo-em-regimes-autorit%C3%A1rios\">hist\u00f3ria<\/a> foi publicada originalmente na <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/ijnet.org\/pt-br\">IJNet<\/a> e \u00e9 republicada aqui com permiss\u00e3o.<\/em><\/p>\n<h4>Recursos adicionais<\/h4>\n<p><em><a href=\"https:\/\/gijn.org\/resource\/why-journalists-in-autocracies-should-report-as-if-theyre-in-a-democracy\/\">Por que jornalistas em autocracias devem reportar como se estivessem em uma democracia<\/a><\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/gijn.org\/stories\/how-armando-infos-exiled-reporters-keep-reporting-on-venezuela\/\">Como os rep\u00f3rteres exilados do Armando.info continuam reportando sobre a Venezuela<\/a><\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/gijn.org\/stories\/understanding-the-authoritarians-playbook-tips-for-journalists\/\">Entendendo a cartilha do autoritarismo: dicas para jornalistas<\/a><\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><em><strong><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Dariela-Sosa-profile-picture.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-557579 size-thumbnail alignleft\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Dariela-Sosa-profile-picture-140x140.png\" alt=\"Dariela Sosa profile picture\" width=\"140\" height=\"140\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Dariela-Sosa-profile-picture-140x140.png 140w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Dariela-Sosa-profile-picture-60x60.png 60w\" sizes=\"auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/><\/a><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/ijnet.org\/en\/author\/dariela-sosa\">Dariela Sosa<\/a><\/strong> \u00e9 consultora de monitoramento, avalia\u00e7\u00e3o e aprendizagem do Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ). Origin\u00e1ria da Venezuela, Dariela \u00e9 uma jornalista atualmente radicada na Argentina.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As condi\u00e7\u00f5es para jornalistas em pa\u00edses autorit\u00e1rios s\u00e3o desafiadoras e muitas vezes perigosas. 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