{"id":471168,"date":"2022-02-07T03:58:19","date_gmt":"2022-02-07T08:58:19","guid":{"rendered":"https:\/\/gijn.org\/?page_id=471168"},"modified":"2023-06-25T07:31:30","modified_gmt":"2023-06-25T11:31:30","slug":"crime-organizado-capitulo-8-trafico-de-antiguidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/recursos\/crime-organizado-capitulo-8-trafico-de-antiguidades\/","title":{"rendered":"Investigando o Crime Organizado &#8211; Cap\u00edtulo 8: Tr\u00e1fico de Antiguidades"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Este cap\u00edtulo foi escrito por <\/span><\/i><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/DrDonnaYates\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Donna Yates<\/span><\/i><\/a><i><span style=\"font-weight: 400\">, professora associada do Departamento de Direito Penal e Criminologia da Universidade de Maastricht e membro do <\/span><\/i><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/traffickingculture.org\/\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Trafficking Culture Project<\/span><\/i><\/a><i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O com\u00e9rcio il\u00edcito de antiguidades \u00e9 uma forma de crime transnacional que conecta o roubo em locais hist\u00f3ricos ao mundo da elite do mercado de arte global, muitas vezes por meio de uma rede de crime organizado. Devido \u00e0 beleza e ao significado social dos vest\u00edgios do passado antigo, h\u00e1 uma grande demanda por antiguidades nos mercados da Am\u00e9rica do Norte, Europa e \u00c1sia. Esses mercados estimulam a remo\u00e7\u00e3o de objetos culturais de pa\u00edses de baixa renda para as antigas pot\u00eancias coloniais, e a redefini\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio comum como uma mercadoria privada. Em resposta, muitos pa\u00edses ricos em antiguidades criminalizam a remo\u00e7\u00e3o e a comercializa\u00e7\u00e3o de antiguidades para que o patrim\u00f4nio cultural possa ser preservado para o bem p\u00fablico. No entanto, a demanda causa a oferta; a alta procura por antiguidades rec\u00e9m-descobertas, somada \u00e0 aus\u00eancia de caminhos leg\u00edtimos para obt\u00ea-las, resultou no desenvolvimento de linhas criminosas de fornecimento.<\/span><\/p>\n<aside class=\"module align-right half type-pull-quote\">\u00c9 imposs\u00edvel estabelecer um pre\u00e7o sobre o valor do com\u00e9rcio il\u00edcito de antiguidades. Os verdadeiros danos sociais est\u00e3o relacionados \u00e0 perda de cultura e identidade que v\u00eam da destrui\u00e7\u00e3o de nossa heran\u00e7a compartilhada.<\/aside>\n<h4><b>Mercado Cinza<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O mercado final para antiguidades traficadas \u00e9 aberto e p\u00fablico. Os compradores de antiguidades s\u00e3o colecionadores particulares, geralmente indiv\u00edduos com grande patrim\u00f4nio l\u00edquido e posi\u00e7\u00e3o social consider\u00e1vel, ou s\u00e3o nossas institui\u00e7\u00f5es culturais e museus mais respeitados. Ao contr\u00e1rio dos consumidores de, digamos, drogas ou armas il\u00edcitas, esses compradores de antiguidades devem ser capazes de mostrar suas compras, sem medo de repres\u00e1lias legais. Antiguidades s\u00e3o compradas para serem exibidas. Assim, as redes criminosas que se desenvolveram para fornecer a este mercado \u201clavam\u201d as antiguidades, eliminando qualquer vest\u00edgio do roubo, obscurecendo as evid\u00eancias do crime e permitindo que compradores outrora honrados deixem de lado a desconfian\u00e7a e se envolvam no que a pesquisa mostrou ser um <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/traffickingculture.org\/publications\/what-is-grey-about-the-grey-market-in-antiquities\/\"><span style=\"font-weight: 400\">mercado cinza<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, infiltrado pelo <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/traffickingculture.org\/publications\/temple-looting-in-cambodia-anatomy-of-a-statue-trafficking-network\/\"><span style=\"font-weight: 400\">crime organizado<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A conex\u00e3o direta entre as elites do mercado de arte e o crime organizado pode surpreender o p\u00fablico. Museus, casas de leil\u00e3o e colecionadores de arte de colarinho branco s\u00e3o vistos como respeit\u00e1veis, e seus v\u00ednculos com as redes do crime organizado e a pilhagem destrutiva de nosso patrim\u00f4nio cultural coletivo s\u00e3o preocupantes. As investiga\u00e7\u00f5es sobre o tr\u00e1fico de antiguidades vincularam, por exemplo: <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2012\/02\/29\/arts\/design\/sothebys-caught-in-dispute-over-prized-cambodian-statue.html\"><span style=\"font-weight: 400\">a casa de leil\u00f5es Sotheby&#8217;s diretamente \u00e0 pilhagem de templos cambojanos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">; propriet\u00e1rios da loja de artesanato norte-americana Hobby Lobby, com o <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2021\/08\/03\/world\/middleeast\/iraq-looted-artifacts-return.html\"><span style=\"font-weight: 400\">saque (e retorno recente) de milhares de artefatos do sul do Iraque<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">; e a <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.latimes.com\/archives\/la-xpm-2005-oct-24-me-getty24-story.html\"><span style=\"font-weight: 400\">destrui\u00e7\u00e3o de t\u00famulos gregos e italianos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> a institui\u00e7\u00f5es <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.latimes.com\/archives\/la-xpm-2006-apr-02-fg-getty2-story.html\"><span style=\"font-weight: 400\">como o Museu Getty<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Essas s\u00e3o hist\u00f3rias convincentes que revelam como as desigualdades globais s\u00e3o exploradas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 imposs\u00edvel estabelecer um pre\u00e7o sobre o valor do com\u00e9rcio il\u00edcito de antiguidades, assim como \u00e9 imposs\u00edvel compar\u00e1-lo com outras opera\u00e7\u00f5es ilegais de contrabando e venda. As reportagens sobre este tema t\u00eam sido particularmente pobres e, como resultado, muitas estimativas de custos s\u00e3o repetidas na imprensa, mesmo sem fontes. Os especialistas concordam que todos esses n\u00fameros s\u00e3o imprecisos. O FBI e a Interpol, que muitas vezes s\u00e3o listados como a fonte de declara\u00e7\u00f5es falsas como \u201cas antiguidades representam o maior mercado criminoso depois das drogas e armas\u201d, negaram veementemente essas alega\u00e7\u00f5es. Os verdadeiros danos sociais associados ao com\u00e9rcio il\u00edcito de antiguidades est\u00e3o relacionados \u00e0 perda de cultura e identidade que adv\u00e9m da destrui\u00e7\u00e3o de nossa heran\u00e7a compartilhada.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_440429\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/shutterstock_244395940-336x206-1.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-440429\" class=\"wp-image-440429 size-full\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/shutterstock_244395940-336x206-1.jpeg\" alt=\"investigando tr\u00e1fico de arte\" width=\"336\" height=\"206\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-440429\" class=\"wp-caption-text\">A maioria dos crimes de arte &#8211; como o breve roubo da Mona Lisa em 1911 pelo funcion\u00e1rio do Louvre, Vincenzo Perruggia, cuja foto \u00e9 retratada aqui &#8211; n\u00e3o \u00e9 nada comparada aos assaltos profissionais \u201csob encomenda\u201d retratados nos filmes de Hollywood. Imagem: Shutterstock<\/p><\/div>\n<h4><b>Roubo de arte: diferente dos filmes<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao contr\u00e1rio do tr\u00e1fico de antiguidades, o roubo de arte de institui\u00e7\u00f5es \u00e9 mais raro e mais arriscado, com menos oportunidades de lucro. No tr\u00e1fico de antiguidades, os atos criminosos s\u00e3o protegidos pela natureza an\u00f4nima e n\u00e3o documentada de \u201cbens roubados\u201d que passaram milhares de anos enterrados em s\u00edtios arqueol\u00f3gicos. Em contraste, roubos de museus, galerias e resid\u00eancias particulares raramente s\u00e3o obra do tipo de ladr\u00f5es de arte hollywoodianos. Tornou-se lugar-comum na m\u00eddia, ap\u00f3s um assalto a museu, especular que as obras de arte foram \u201croubadas por encomenda\u201d por \u201cladr\u00f5es de arte profissionais\u201d. Em quase todos os casos principais, no entanto, a realidade \u00e9 muito mais mundana e oportunista, com os ladr\u00f5es rapidamente percebendo que n\u00e3o h\u00e1 mercado para arte roubada bem documentada. Muitas obras de arte roubadas acabam <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/world-europe-57536940\"><span style=\"font-weight: 400\">jogadas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> no <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2017\/jan\/31\/paris-art-theft-spider-man-trial-picasso-matisse-thrown-away\"><span style=\"font-weight: 400\">lixo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.npr.org\/2018\/11\/18\/669035614\/six-years-after-museum-heist-missing-picasso-possibly-found-in-romania?t=1624275036085\"><span style=\"font-weight: 400\">queimadas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20100823182926\/http:\/\/www.timesonline.co.uk\/tol\/news\/world\/europe\/article6950256.ece\"><span style=\"font-weight: 400\">destru\u00eddas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, ou mesmo <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2020\/01\/17\/arts\/design\/portrait-of-a-lady-gustav-klimt.html\"><span style=\"font-weight: 400\">devolvidas anonimamente<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> ao museu de onde foram roubadas. Alguns roubos de arte foram vinculados a grupos do crime organizado, mas qualquer alega\u00e7\u00e3o de roubo de arte como o foco principal ou mesmo secund\u00e1rio do crime organizado \u00e9 question\u00e1vel. Assim sendo, o tr\u00e1fico de antiguidades ser\u00e1 o foco deste artigo. No entanto, muitas das fontes sugeridas para investiga\u00e7\u00f5es de tr\u00e1fico de antiguidades tamb\u00e9m podem ser \u00fateis para casos de roubo de arte.<\/span><\/p>\n<h4><b>Fontes<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Antiguidades saqueadas e traficadas carecem de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">proced\u00eancia <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">&#8211; detalhes sobre suas origens, hist\u00f3rico de propriet\u00e1rios e os caminhos que percorreram at\u00e9 chegar ao mercado. Pesquisa de proced\u00eancia, ent\u00e3o, \u00e9 um termo do mundo da arte para investigar e reconstruir as hist\u00f3rias de objetos a partir de documenta\u00e7\u00e3o incompleta, recorrendo a uma ampla e imprevis\u00edvel variedade de fontes. O jornalismo investigativo neste campo est\u00e1 intimamente relacionado \u00e0 pesquisa de proced\u00eancia; escrever sobre objetos traficados equivale a desvendar a hist\u00f3ria desses crimes. Cada investiga\u00e7\u00e3o de tr\u00e1fico de antiguidades tem caracter\u00edsticas \u00fanicas e as fontes exatas usadas dependem da regi\u00e3o geogr\u00e1fica em quest\u00e3o e das particularidades do caso, mas quase todas contar\u00e3o com alguns tipos de fontes espec\u00edficas.<\/span><\/p>\n<aside class=\"module align-right half type-pull-quote\"><span style=\"font-weight: 400\">As melhores fontes de informa\u00e7\u00e3o sobre qualquer caso de tr\u00e1fico de antiguidades, previsivelmente, s\u00e3o as partes interessadas envolvidas.<\/span><\/aside>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em primeiro lugar, os objetos no centro dessas investiga\u00e7\u00f5es, antiguidades e obras de arte, s\u00e3o complicados por si s\u00f3. \u00c9 imposs\u00edvel compreender o contexto do saque, do tr\u00e1fico e da venda de antiguidades, ou as consequ\u00eancias sociais desses crimes, sem uma compreens\u00e3o das pr\u00f3prias antiguidades. Os acad\u00eamicos s\u00e3o importantes fontes de informa\u00e7\u00e3o para jornalistas trabalhando nesta \u00e1rea. Eles podem indicar fontes \u00fateis de dados, evitar perda de tempo em becos sem sa\u00edda e conectar um investigador a uma rede mais ampla de conhecimento sobre o com\u00e9rcio il\u00edcito de antiguidades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Muitos pa\u00edses t\u00eam pol\u00edcias, alf\u00e2ndegas, agentes de seguran\u00e7a de fronteira ou for\u00e7as-tarefa dedicadas ou semidedicadas dentro dos minist\u00e9rios relevantes, que se especializam em antiguidades e investiga\u00e7\u00f5es de crimes relacionados \u00e0 arte. Esses escrit\u00f3rios e unidades, e os indiv\u00edduos neles, t\u00eam experi\u00eancia significativa neste campo, embora seu alcance seja frequentemente prejudicado pela falta de financiamento e pessoal. Os detalhes de unidades dedicadas \u00e0s antiguidades e crimes art\u00edsticos, em qualquer pa\u00eds, geralmente podem ser encontrados por meio de pesquisas direcionadas na Internet. \u00c9 importante notar que, embora a Interpol <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.interpol.int\/en\/Crimes\/Cultural-heritage-crime\"><span style=\"font-weight: 400\">tenha uma pequena unidade que se concentra em crimes relacionados \u00e0 arte e antiguidades<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, o papel dessa unidade \u00e9 frequentemente mal compreendido. A Interpol n\u00e3o investiga crimes nem realiza opera\u00e7\u00f5es policiais; em vez disso, a ag\u00eancia tem a tarefa de manter um banco de dados de arte roubada e facilitar a comunica\u00e7\u00e3o entre as for\u00e7as policiais em todo o mundo. No entanto, nessa fun\u00e7\u00e3o, ela pode auxiliar na localiza\u00e7\u00e3o de contatos policiais especializados em um determinado pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As ONGs especializadas em proteger o patrim\u00f4nio cultural tamb\u00e9m podem ser \u00fateis para os jornalistas, especialmente em situa\u00e7\u00f5es onde h\u00e1 um componente jur\u00eddico ou pol\u00edtico complicado para o caso, ou em situa\u00e7\u00f5es em que a reportagem local \u00e9 dif\u00edcil ou insegura. A <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/theantiquitiescoalition.org\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Antiquities Coalition<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, por exemplo, financia pesquisas de pol\u00edticas e faz lobby para a preven\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de antiguidades em todo o mundo, com foco particular na pol\u00edtica dos Estados Unidos. J\u00e1 o <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.heritageforpeace.org\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Heritage for Peace<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, com sede na Espanha, patrocina v\u00e1rios projetos de coleta de dados em campo, principalmente na \u00c1sia Ocidental, incluindo v\u00e1rios focados especificamente no crime de antiguidades. As ONGs que se concentram em um pa\u00eds ou regi\u00e3o espec\u00edficos podem contextualizar casos transnacionais de tr\u00e1fico de antiguidades de maneiras que muitas outras fontes n\u00e3o podem, e elas muitas vezes t\u00eam interesse em trabalhar com jornalistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As melhores fontes de informa\u00e7\u00e3o sobre qualquer caso de tr\u00e1fico de antiguidades, previsivelmente, s\u00e3o as partes interessadas envolvidas. Entrevist\u00e1-las levar\u00e1 a fontes documentais relacionadas aos casos espec\u00edficos e necess\u00e1rias para o avan\u00e7o das investiga\u00e7\u00f5es. As partes interessadas podem ser divididas em quatro grupos:<\/span><\/p>\n<ol>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Partes interessadas da \u201cfonte\u201d nos pa\u00edses e comunidades onde as antiguidades s\u00e3o roubadas, incluindo pessoas que vivem perto de locais hist\u00f3ricos, arque\u00f3logos locais e especialistas em patrim\u00f4nio, pol\u00edcia, funcion\u00e1rios do minist\u00e9rio da cultura e pessoas que saqueiam ou roubam objetos culturais.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Partes interessadas do \u201ctr\u00e2nsito\u201d ao longo dos caminhos pelos quais as antiguidades il\u00edcitas se movem, incluindo empresas de transporte, despachantes aduaneiros, bem como intermedi\u00e1rios e corretores de antiguidades.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Partes interessadas do \u201cmercado\u201d onde as antiguidades s\u00e3o consumidas, incluindo funcion\u00e1rios da casa de leil\u00f5es, funcion\u00e1rios e negociantes de galerias de arte, funcion\u00e1rios de museus e colecionadores de arte. Observa\u00e7\u00e3o: essas pessoas costumam relutar em falar com jornalistas e pesquisadores.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">\u201cFacilitadores\u201d que agem indiretamente para apoiar o com\u00e9rcio de objetos culturais, incluindo restauradores de arte, conservadores e avaliadores; laborat\u00f3rios cient\u00edficos que autenticam objetos n\u00e3o comprovados; e acad\u00eamicos que se envolvem com objetos n\u00e3o documentados em m\u00e3os privadas. Os facilitadores geralmente t\u00eam informa\u00e7\u00f5es significativas sobre o com\u00e9rcio il\u00edcito de objetos culturais, mas raramente s\u00e3o contatados pelos investigadores.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<h4><b>Documentos e Dados<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os jornalistas tamb\u00e9m podem consultar os registros do mercado de arte, como cat\u00e1logos de leil\u00f5es (dispon\u00edveis online e em algumas bibliotecas p\u00fablicas), registros de revendedores (limitados, mas alguns registros hist\u00f3ricos de vendas s\u00e3o mantidos em arquivos p\u00fablicos), registros de aquisi\u00e7\u00e3o de museus (alguns s\u00e3o p\u00fablicos e est\u00e3o dispon\u00edveis online, alguns s\u00e3o mais privados, mas podem ser obtidos atrav\u00e9s de contato com o museu em quest\u00e3o), e documentos vazados relacionados ao registro e estruturas de propriedade de empresas de arte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Embora existam bancos de dados especializados em arte roubada (como o <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.fbi.gov\/investigate\/violent-crime\/art-theft\/national-stolen-art-file\"><span style=\"font-weight: 400\">banco de dados do FBI<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, o <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.interpol.int\/en\/Crimes\/Cultural-heritage-crime\/Stolen-Works-of-Art-Database\"><span style=\"font-weight: 400\">banco de dados da Interpol<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> e o <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.carabinieri.it\/cittadino\/tutela\/patrimonio-culturale\/la-banca-dati-tpc\"><span style=\"font-weight: 400\">banco de dados da pol\u00edcia italiana<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">), \u00e9 improv\u00e1vel que forne\u00e7am informa\u00e7\u00f5es \u00fateis para jornalistas. A esmagadora maioria dos casos de tr\u00e1fico de antiguidades n\u00e3o ser\u00e1 representada por entradas de banco de dados. Em vez disso, as partes envolvidas em cada caso particular ter\u00e3o muito mais conhecimento. Entrevist\u00e1-las levar\u00e1 a fontes documentais relacionadas aos casos espec\u00edficos, necess\u00e1rias para o avan\u00e7o das investiga\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/span><\/p>\n<h4><b>Estudos de caso<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Algumas das pesquisas mais eficazes sobre saque e tr\u00e1fico de antiguidades vieram do jornalismo investigativo, resultando na publica\u00e7\u00e3o de importantes livros de autoria de jornalistas. Esses livros tiveram uma influ\u00eancia significativa na pol\u00edtica, na pr\u00e1tica e na academia neste campo.<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">O livro de 1973 do falecido Karl E. Meyer, &#8220;<\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.goodreads.com\/book\/show\/371230.The_Plundered_Past\"><span style=\"font-weight: 400\">The Plundered Past<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;, trouxe as realidades destrutivas desta quest\u00e3o para o mundo.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">\u201c<\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.goodreads.com\/book\/show\/408205.The_Caravaggio_Conspiracy\"><span style=\"font-weight: 400\">The Caravaggio Conspiracy<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u201d (1984), \u201c<\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.goodreads.com\/book\/show\/408207.Sotheby_s\"><span style=\"font-weight: 400\">Sotheby&#8217;s: The Inside Story<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u201d (1998) e \u201c<\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.goodreads.com\/book\/show\/113163.The_Medici_Conspiracy\"><span style=\"font-weight: 400\">The Medici Conspiracy: The Illicit Journal of Looted Antiquities<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u201d, de Peter Watson, s\u00e3o creditados por terem revelado as conex\u00f5es entre os neg\u00f3cios de arte e o crime organizado, e for\u00e7arem uma mudan\u00e7a massiva de pr\u00e1ticas comerciais dentro de casas de leil\u00f5es e revendedoras de antiguidades.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Jason Felch e Ralph Frammolino, em &#8220;<\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/chasingaphrodite.com\/about\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Chasing Afrodite: The Hunt for Looted Antiquities at the World\u2019s Richest Museum<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&#8221; (Perseguindo Afrodite: A ca\u00e7a \u00e0s antiguidades saqueadas no museu mais rico do mundo), um finalista do Pr\u00eamio Pulitzer de 2011, mostrou as liga\u00e7\u00f5es estreitas entre museus de elite, seus funcion\u00e1rios e pessoas que podem facilmente ser definidas como sendo do crime organizado.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os seguintes estudos de caso representam projetos jornal\u00edsticos recentes e em curso nesta \u00e1rea, que t\u00eam tido um impacto not\u00e1vel no discurso p\u00fablico.<\/span><\/p>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.abc.net.au\/news\/2018-09-13\/dancing-shiva-art-gallery-of-south-australia-stolen-from-india\/10233036\"><b>A Shiva roubada<\/b><\/a><\/p>\n<div id=\"attachment_384425\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Antiquities_DonnaYates_TextBreak_Transparency.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-384425\" class=\"wp-image-384425 size-medium\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Antiquities_DonnaYates_TextBreak_Transparency-336x262.jpg\" alt=\"investigando tr\u00e1fico de antiguidades\" width=\"336\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Antiquities_DonnaYates_TextBreak_Transparency-336x262.jpg 336w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Antiquities_DonnaYates_TextBreak_Transparency-771x602.jpg 771w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Antiquities_DonnaYates_TextBreak_Transparency-768x600.jpg 768w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Antiquities_DonnaYates_TextBreak_Transparency-1170x914.jpg 1170w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Antiquities_DonnaYates_TextBreak_Transparency.jpg 1310w\" sizes=\"auto, (max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-384425\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Ann Kiernan para GIJN<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma requintada est\u00e1tua de bronze do s\u00e9culo 11 da deusa hindu Shiva foi roubada de um templo no sul da \u00cdndia, em 2006, supostamente a mando do negociante de antiguidades da cidade de Nova York Subhash Kapoor. Em 2008, esta est\u00e1tua estava em exibi\u00e7\u00e3o p\u00fablica, tendo sido vendida para a Galeria Nacional da Austr\u00e1lia por US$ 5,6 milh\u00f5es, junto a uma s\u00e9rie de outras antiguidades do sul da \u00c1sia. Em 2011, Kapoor foi preso na Alemanha e extraditado para a \u00cdndia para enfrentar acusa\u00e7\u00f5es de tr\u00e1fico de antiguidades, inspirando uma avalia\u00e7\u00e3o de suas transa\u00e7\u00f5es no mundo da arte por, entre outros, o jornalista Jason Felch (veja acima).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Conforme a extens\u00e3o das conex\u00f5es de Kapoor com a Austr\u00e1lia se tornou aparente, a jornalista Michaela Boland do The Australian deu in\u00edcio ao que se tornou um longo projeto de jornalismo investigativo sobre o papel que os museus australianos desempenham no tr\u00e1fico il\u00edcito de antiguidades. A obstinada exposi\u00e7\u00e3o, feita por Boland, dos caminhos il\u00edcitos que as antiguidades do sul da \u00c1sia percorrem at\u00e9 os museus australianos e a infraestrutura que permitiu que institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas respeitadas servissem como o mercado final para redes do crime organizado for\u00e7ou o setor cultural daquele pa\u00eds a introduzir medidas de transpar\u00eancia significativas. Em 2014, com base nas reportagens de Boland, a Shiva foi devolvida \u00e0 \u00cdndia e seu trabalho posterior (em conjunto com o trabalho de outros jornalistas, acad\u00eamicos e ativistas) exp\u00f4s mais redes de contrabando criminoso e identificou mais antiguidades roubadas em museus australianos, algumas das quais tamb\u00e9m foram devolvidas.<\/span><\/p>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/memoriarobada.ojo-publico.com\/\"><b>Mem\u00f3rias roubadas da Am\u00e9rica Latina<\/b><\/a><\/p>\n<div id=\"attachment_384205\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Ojo-Antiquities.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-384205\" class=\"wp-image-384205 size-medium\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Ojo-Antiquities-336x174.jpg\" alt=\"investigando tr\u00e1fico de antiguidades\" width=\"336\" height=\"174\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Ojo-Antiquities-336x174.jpg 336w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Ojo-Antiquities-771x399.jpg 771w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Ojo-Antiquities-768x397.jpg 768w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Ojo-Antiquities-1170x605.jpg 1170w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Ojo-Antiquities.jpg 1264w\" sizes=\"auto, (max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-384205\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Captura de tela<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Preocupada com o saque destrutivo de patrim\u00f4nios culturais na Am\u00e9rica Latina e com a falta de apoio ao jornalismo investigativo sobre o tema na regi\u00e3o, a organiza\u00e7\u00e3o peruana de\u00a0 jornalismo sem fins lucrativos &#8211; e membro da GIJN &#8211; OjoP\u00fablico come\u00e7ou uma explora\u00e7\u00e3o aprofundada do com\u00e9rcio il\u00edcito de antiguidades. Essa investiga\u00e7\u00e3o se tornou \u201cMemoria Robada\u201d (\u201cMem\u00f3rias Roubadas\u201d), uma cole\u00e7\u00e3o abrangente de trabalhos escritos e recursos de v\u00eddeo, dispon\u00edveis em um portal p\u00fablico e especificamente para um p\u00fablico de l\u00edngua espanhola.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Indo al\u00e9m da reportagem, OjoP\u00fablico encorajou membros do p\u00fablico a conduzir suas pr\u00f3prias pesquisas sobre o com\u00e9rcio il\u00edcito de antiguidades e tornou p\u00fablica a enorme quantidade de dados que coletaram durante suas investiga\u00e7\u00f5es em uma <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/memoriarobada.ojo-publico.com\/buscador\/\"><span style=\"font-weight: 400\">s\u00e9rie de bancos de dados pesquis\u00e1veis<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> \u200b\u200bhospedados em seu site. Al\u00e9m disso, o grupo criou um portal para acessar as informa\u00e7\u00f5es contidas no banco de dados de arte roubada da Interpol em espanhol, em uma tentativa de quebrar as barreiras lingu\u00edsticas que podem impedir a participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica na detec\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de objetos culturais roubados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como evidenciado por todos os outros exemplos citados neste texto, muitas das reportagens detalhadas sobre esse t\u00f3pico s\u00e3o feitas em ingl\u00eas, e as informa\u00e7\u00f5es sobre o tr\u00e1fico il\u00edcito de bens culturais costumam ser apenas nesse idioma. Consequentemente, as comunidades que experimentaram diretamente a perda de patrim\u00f4nio podem ter capacidades limitadas para acessar esse tipo de material. O &#8220;Mem\u00f3ria Roubada&#8221; busca preencher essa lacuna lingu\u00edstica, fornecendo n\u00e3o s\u00f3 informa\u00e7\u00f5es \u00e0s v\u00edtimas do tr\u00e1fico de antiguidades, mas tamb\u00e9m ferramentas participativas para combater esses crimes.<\/span><\/p>\n<p><strong><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.theatlantic.com\/magazine\/archive\/2016\/07\/the-unbelievable-tale-of-jesus-wife\/485573\/\">Falsifica\u00e7\u00f5es b\u00edblicas e academia<\/a><\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_440974\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Veritas-book-cover-image-1-336x520-1.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-440974\" class=\"wp-image-440974 size-full\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Veritas-book-cover-image-1-336x520-1.jpeg\" alt=\"investigando tr\u00e1fico de antiguidades\" width=\"336\" height=\"520\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-440974\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Captura de tela<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2012, a professora Karen L. King da Harvard Divinity School anunciou a descoberta de um fragmento de papiro que continha uma passagem que indicava que uma comunidade de primeiros crist\u00e3os acreditava que Jesus era casado. Um t\u00f3pico t\u00e3o pol\u00eamico inspirou intensa aten\u00e7\u00e3o p\u00fablica, em parte porque o chamado &#8220;Evangelho da Esposa de Jesus&#8221; foi endossado por um c\u00e9lebre estudioso. No entanto, King recusou-se a revelar de onde veio este fragmento, o que despertou a curiosidade do jornalista Ariel Sabar, que por coincid\u00eancia esteve presente na confer\u00eancia de imprensa onde King anunciou o achado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Isso levou a uma investiga\u00e7\u00e3o abrangente, de v\u00e1rios anos e de v\u00e1rios pa\u00edses, sobre a hist\u00f3ria do fragmento de papiro, centenas de entrevistas depois e a revela\u00e7\u00e3o final de que o fragmento era muito provavelmente uma falsifica\u00e7\u00e3o. <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.smithsonianmag.com\/history\/update-the-reaction-to-karen-kings-gospel-discovery-84250942\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Sabar apresentou essas descobertas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, no primeiro de <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.theatlantic.com\/magazine\/archive\/2016\/07\/the-unbelievable-tale-of-jesus-wife\/485573\/\"><span style=\"font-weight: 400\">v\u00e1rios artigos extensos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> e depois no livro de 2020 &#8220;<\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.goodreads.com\/book\/show\/53146675-veritas\"><span style=\"font-weight: 400\">Veritas: uma professora de Harvard, um vigarista e o evangelho da esposa de Jesus<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;. A experi\u00eancia de Sabar no mundo obscuro do com\u00e9rcio il\u00edcito e manuscritos antigos forjados permitiu-lhe produzir mais trabalhos investigativos de longa dura\u00e7\u00e3o sobre este t\u00f3pico, mais recentemente sobre o suposto roubo e <\/span><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.theatlantic.com\/magazine\/archive\/2020\/06\/museum-of-the-bible-obbink-gospel-of-mark\/610576\"><span style=\"font-weight: 400\">venda ilegal de papiros b\u00edblicos por um professor da Universidade de Oxford<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<h4><b>Dicas e Ferramentas<\/b><\/h4>\n<ol>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Entre em contato com acad\u00eamicos, tanto os que trabalham diretamente com o com\u00e9rcio il\u00edcito de antiguidades, quanto os que s\u00e3o especialistas nos objetos investigados. Ambos podem fornecer uma grande variedade de informa\u00e7\u00f5es.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Certifique-se de conhecer a lei. A lei de patrim\u00f4nios culturais \u00e9 complicada e \u00e9 f\u00e1cil acabar com informa\u00e7\u00f5es incorretas sobre como ela funciona. Leia a lei voc\u00ea mesmo e consulte um especialista.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Desconfie dos n\u00fameros: n\u00e3o h\u00e1 \u201cetiqueta de pre\u00e7o\u201d para o com\u00e9rcio il\u00edcito de bens culturais e as estimativas n\u00e3o s\u00e3o baseadas em algo s\u00f3lido. Os especialistas dir\u00e3o que a hist\u00f3ria n\u00e3o est\u00e1 no pre\u00e7o de qualquer maneira.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Consulte os registros do mercado de arte. Como observado anteriormente, isso inclui cat\u00e1logos de leil\u00f5es, registros de revendedores, registros de aquisi\u00e7\u00e3o de museus e documentos que vazaram sobre as empresas de arte.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Embora existam bancos de dados especializados em arte roubada (como os do FBI, da Interpol e da pol\u00edcia italiana), \u00e9 improv\u00e1vel que eles forne\u00e7am informa\u00e7\u00f5es \u00fateis para jornalistas. A esmagadora maioria dos casos de tr\u00e1fico de antiguidades n\u00e3o ser\u00e1 encontrada nas entradas de bancos de dados.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Conforme observado anteriormente, as melhores fontes de informa\u00e7\u00e3o sobre qualquer caso de tr\u00e1fico de antiguidades s\u00e3o as partes interessadas envolvidas. Entrevist\u00e1-las levar\u00e1 a fontes documentais relacionadas aos casos espec\u00edficos, necess\u00e1rias para o avan\u00e7o das investiga\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">O arque\u00f3logo Riccardo Elia disse a famosa frase: \u201cOs colecionadores s\u00e3o os verdadeiros saqueadores\u201d. \u00c9 f\u00e1cil focar na destrui\u00e7\u00e3o em pa\u00edses de baixa renda, mas o verdadeiro motor do crime \u00e9 o mercado, que geralmente \u00e9 encontrado em pa\u00edses mais ricos. \u00c9 a\u00ed que est\u00e1 a hist\u00f3ria.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este cap\u00edtulo foi escrito por Donna Yates, professora associada do Departamento de Direito Penal e Criminologia da Universidade de Maastricht e membro do Trafficking Culture Project. 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