{"id":406460,"date":"2021-10-25T01:52:09","date_gmt":"2021-10-25T05:52:09","guid":{"rendered":"https:\/\/gijn.org\/?p=406460"},"modified":"2023-06-25T07:31:48","modified_gmt":"2023-06-25T11:31:48","slug":"mineracao-ouro-ilegal-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/artigos\/mineracao-ouro-ilegal-amazonia\/","title":{"rendered":"Investigando a minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/2021\/10\/25\/investigating-illegal-gold-mining-in-the-amazon\/\"><strong>English<\/strong><\/a><\/p>\n<div id=\"attachment_400103\" style=\"width: 781px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-400103\" class=\"wp-image-400103 size-large\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-1-771x514.jpg\" alt=\"minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro na Amaz\u00f4nia\" width=\"771\" height=\"514\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-1-771x514.jpg 771w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-1-336x224.jpg 336w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-1-1170x780.jpg 1170w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-1.jpg 1999w\" sizes=\"auto, (max-width: 771px) 100vw, 771px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-400103\" class=\"wp-caption-text\">As cicatrizes da extra\u00e7\u00e3o ilegal de ouro no territ\u00f3rio ind\u00edgena Yanomami. Imagem: Bruno Kelly\/Amaz\u00f4nia Real<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na regi\u00e3o mais ao norte do Brasil, a terra dos \u00edndios Yanomami j\u00e1 foi um para\u00edso natural. Mas, desde a d\u00e9cada de 1970, essa \u00e1rea dentro do bioma amaz\u00f4nico tem atra\u00eddo uma onda de forasteiros em busca de ouro &#8211; e os resultados t\u00eam sido devastadores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cobrindo quase 10 milh\u00f5es de hectares nos estados de Roraima e Amazonas, a Terra Ind\u00edgena (TI) Yanomami <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2021-05\/indigenas-denunciam-mais-um-ataque-de-garimpeiros-em-terra-yanomami\">\u00e9 a maior \u00e1rea ind\u00edgena do Brasil<\/a>, medindo o dobro da Su\u00ed\u00e7a. <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.survivalinternational.org\/tribes\/yanomami\">Estima-se que 38.000 Yanomami vivem atualmente na regi\u00e3o<\/a> e em um territ\u00f3rio ind\u00edgena adjacente, na fronteira com a Venezuela, <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/apublica.org\/2021\/09\/indigenas-yanomami-isolados-nunca-viram-o-garimpo-tao-proximo\/\">onde pelo menos um grupo vive em isolamento volunt\u00e1rio<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como uma comunidade baseada em agricultura familiar, formada por agricultores, ca\u00e7adores e coletores, <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Yanomami\">os Yanomami acreditam que a floresta \u00e9 uma entidade viva<\/a> &#8211; uma entidade agora sob a amea\u00e7a da gan\u00e2ncia desenfreada de forasteiros. Atualmente, a minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas no Brasil n\u00e3o \u00e9 permitida: portanto, qualquer ouro extra\u00eddo dessas regi\u00f5es \u00e9 classificado como extra\u00eddo ilegalmente e, quando comercializado, vendido ilegalmente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nos anos 1990, quando a jornalista investigativa K\u00e1tia Brasil morava em Roraima, ela costumava visitar as terras Yanomami regularmente. \u201c\u00c0 \u00e9poca, vi aquele territ\u00f3rio intacto, com uma floresta exuberante, nativa, cheia de biodiversidade\u201d, relatou K\u00e1tia Brasil \u00e0 GIJN.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desde ent\u00e3o, ela testemunhou uma dr\u00e1stica mudan\u00e7a na paisagem. \u201cHoje, quando a gente olha para o territ\u00f3rio Yanomami, s\u00f3 se veem buracos, cicatrizes dessa destrui\u00e7\u00e3o provocada por uma cadeia ilegal que envolve pessoas de diversas \u00e1reas\u201d, explica. Essa minera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem outras implica\u00e7\u00f5es, possivelmente fatais. Recentemente, <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-10-16\/duas-criancas-yanomami-mortas-por-uma-draga-de-exploracao-ilegal-de-minerio-diante-da-omissao-do-governo.html\">duas crian\u00e7as Yanomami morreram afogadas em um rio<\/a> perto de onde garimpeiros ilegais operavam e, enquanto as autoridades ainda investigam o incidente, um l\u00edder ind\u00edgena local disse que os meninos foram sugados para dentro da m\u00e1quina de dragagem dos mineiros enquanto tomavam banho no rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Brasil vive atualmente em Manaus, uma cidade de dois milh\u00f5es de habitantes que fica \u00e0s margens do rio Amazonas, onde dirige a ag\u00eancia de jornalismo investigativo <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/\">Amaz\u00f4nia Real<\/a> desde 2013, junto com sua colega Ela\u00edze Farias. A ag\u00eancia tornou-se conhecida investigando os temas mais urgentes da regi\u00e3o amaz\u00f4nica e, em agosto, <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/abraji-homenageia-elaize-farias-e-katia-brasil-como-grandes-defensoras-do-jornalismo-e-da-amazonia\/\">a dupla recebeu uma men\u00e7\u00e3o especial da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jornalistas de Investiga\u00e7\u00e3o, a Abraji<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao longo dos anos, a jornalista se manteve atenta \u00e0 quest\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o ilegal na TI Yanomami, cobrindo-a ocasionalmente, mas n\u00e3o era f\u00e1cil. Dados sobre as empresas envolvidas na cadeia do ouro eram, e continuam sendo, quase inacess\u00edveis. N\u00e3o por acaso a maior parte da cobertura nacional e internacional sobre o assunto foca nos garimpeiros, que est\u00e3o em uma ponta da cadeia, em detrimento de seus demais elos.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_400104\" style=\"width: 781px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a style=\"font-weight: bold;font-size: 16px\" href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-Katia-Brasil-Alberto-Cesar-Araujo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-400104\" class=\"wp-image-400104 size-large\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-Katia-Brasil-Alberto-Cesar-Araujo-771x514.jpg\" alt=\"\" width=\"771\" height=\"514\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-Katia-Brasil-Alberto-Cesar-Araujo-771x514.jpg 771w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-Katia-Brasil-Alberto-Cesar-Araujo-336x224.jpg 336w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-Katia-Brasil-Alberto-Cesar-Araujo-768x512.jpg 768w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-Katia-Brasil-Alberto-Cesar-Araujo-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-Katia-Brasil-Alberto-Cesar-Araujo-1170x780.jpg 1170w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-Katia-Brasil-Alberto-Cesar-Araujo.jpg 2000w\" sizes=\"auto, (max-width: 771px) 100vw, 771px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-400104\" class=\"wp-caption-text\">K\u00e1tia Brasil. Imagem: Alberto C\u00e9sar Ara\u00fajo\/Amaz\u00f4nia Real<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Embora a explora\u00e7\u00e3o de ouro na TI remonte aos anos 70, a situa\u00e7\u00e3o piorou significativamente nos \u00faltimos anos. Isso se deve a v\u00e1rios fatores, incluindo um aumento global no valor do ouro e as pol\u00edticas permissivas do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, um populista de direita que assumiu o cargo em janeiro de 2019. Bolsonaro tem promovido consistentemente os interesses de grupos empresariais e at\u00e9 mesmo a apreens\u00e3o ilegal de terras de comunidades ind\u00edgenas e iniciativas ambientais. O governo de Bolsonaro tamb\u00e9m est\u00e1 <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/reportagens\/mineracao-em-terras-indigenas-a-proposta-do-governo-bolsonaro-em-10-perguntas-e-respostas\/\">tentando aprovar um projeto de lei<\/a> que <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2021\/07\/quem-esta-por-tras-do-lobby-pelo-garimpo-ilegal-de-ouro-nas-terras-dos-munduruku\/\">permitiria a minera\u00e7\u00e3o e outras atividades econ\u00f4micas em terras ind\u00edgenas<\/a>.<\/span><\/p>\n<h4>Quem compra? Quem vende?<\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quando Brasil decidiu que era hora de se aprofundar no assunto, duas perguntas guiaram a sua pesquisa: quem compra o ouro da terra ind\u00edgena Yanomami? E quem o vende?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cN\u00f3s precisamos dar uma resposta para a sociedade sobre esse garimpo ilegal que est\u00e1 afetando de uma forma terr\u00edvel a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, al\u00e9m de estar destruindo o territ\u00f3rio\u201d, ela diz.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A minera\u00e7\u00e3o de ouro polui rios e terras com merc\u00fario, o que causa danos aos ecossistemas e \u00e0 sa\u00fade das comunidades locais. \u00c9 tamb\u00e9m uma das principais causas de desmatamento. Nos primeiros dois anos do governo Bolsonaro, <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/terrasindigenas.org.br\/pt-br\/terras-indigenas\/4016\">4.383 hectares de floresta foram perdidos<\/a> no territ\u00f3rio Yanomami &#8211; um n\u00famero maior do que a \u00e1rea perdida na d\u00e9cada entre 2009 e 2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O momento foi fortuito quando, no come\u00e7o de 2021, a Amaz\u00f4nia Real recebeu o financiamento da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.oc.eco.br\/\">Observat\u00f3rio do Clima<\/a> e da funda\u00e7\u00e3o <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.rewild.org\/\">Re:wild<\/a> para transformar a ideia em a\u00e7\u00e3o. Brasil logo convidou a <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>, organiza\u00e7\u00e3o de jornalismo investigativo com sede em S\u00e3o Paulo, para se juntar ao projeto, com base em sua experi\u00eancia em investiga\u00e7\u00e3o de<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> cadeias produtivas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ap\u00f3s quatro meses de trabalho de uma equipe de 21 profissionais das duas organiza\u00e7\u00f5es, o resultado final foi publicado: <\/span><span style=\"font-weight: 400\"><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/yanomami-blood-gold\/\">uma s\u00e9rie multim\u00eddia<\/a> de sete reportagens especiais revelando o envolvimento de pol\u00edticos, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, propriet\u00e1rios de avi\u00f5es, joalherias de luxo e narcotr\u00e1ficantes, nesta rede que supostamente lucra com ouro ilegal.<\/span><\/p>\n<h4>Dois caminhos, uma equipe<\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desde o in\u00edcio do projeto, a equipe decidiu dividir o trabalho em duas frentes. A equipe da Amaz\u00f4nia Real seria a respons\u00e1vel pelas investiga\u00e7\u00f5es de campo no territ\u00f3rio Yanomami e em Boa Vista, capital do estado de Roraima. Enquanto isso, a equipe da Rep\u00f3rter Brasil se encarregaria de rastrear as empresas compradoras e a cadeia do ouro fora do territ\u00f3rio, conforme explica Ana Magalh\u00e3es, jornalista investigativa e coordenadora de jornalismo da Rep\u00f3rter Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas, embora a parte investigativa do projeto funcionasse separadamente, as decis\u00f5es editoriais foram tomadas coletivamente. \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">A gente fazia uma reuni\u00e3o semanal com toda a equipe <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u2013<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> Amaz\u00f4nia Real e Rep\u00f3rter Brasil. Isso nos permitiu ir pouco a pouco entendendo as descobertas e decidindo o caminho juntos<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201d, diz Magalh\u00e3es.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_400105\" style=\"width: 781px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-Ana1-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-400105\" class=\"wp-image-400105 size-large\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-Ana1-771x514.jpg\" alt=\"\" width=\"771\" height=\"514\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-Ana1-771x514.jpg 771w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-Ana1-336x224.jpg 336w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-Ana1-768x512.jpg 768w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-Ana1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-Ana1-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-Ana1-1170x780.jpg 1170w\" sizes=\"auto, (max-width: 771px) 100vw, 771px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-400105\" class=\"wp-caption-text\">Ana Magalh\u00e3es, coordenadora de jornalismo da Rep\u00f3rter Brasil, membro da GIJN. Imagem: Cortesia da rep\u00f3rter<\/p><\/div>\n<h4>T\u00e9cnicas investigativas<\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Foi fundamental para o sucesso do projeto um sobrevoo panor\u00e2mico sobre a TI Yanomami, feito pela jornalista Maria Fernanda Ribeiro e o fot\u00f3grafo Bruno Kelly, para que pudessem <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/garimpo-ilegal\/\">ver e registrar<\/a> a extens\u00e3o dos danos ambientais. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Eles usaram duas c\u00e2meras DSLR com lentes fixas e zoom para fotografar e gravar v\u00eddeos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Embora eles soubessem que essa etapa seria importante para ver a devasta\u00e7\u00e3o que a minera\u00e7\u00e3o causou, o voo exigiu uma preocupa\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o da COVID-19, levando em considera\u00e7\u00e3o que a comunidade que estavam cobrindo havia sido duramente atingida pelo v\u00edrus e os altos n\u00edveis de infec\u00e7\u00e3o do Brasil na \u00e9poca. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201cA gente analisou todos os pr\u00f3s e os contras de fazer um sobrevoo no meio da pandemia\u201d, observa Brasil. A equipe seguiu um protocolo r\u00edgido de biosseguran\u00e7a, incluindo testes antes e depois do voo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ribeiro diz que o contato com a comunidade foi vital. \u201cChecamos com as lideran\u00e7as Yanomami a localiza\u00e7\u00e3o dos pontos cr\u00edticos de garimpo, ent\u00e3o quando decolamos o piloto j\u00e1 sabia por onde passar\u00edamos\u201d, explica Ribeiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao chegarem aos arredores da terra ind\u00edgena, logo avistaram a floresta devastada pelo processo de extra\u00e7\u00e3o e &#8211; inesperadamente &#8211; muitas outras aeronaves. Na opini\u00e3o do piloto, as outras aeronaves estavam voando baixo, sob o radar, porque n\u00e3o tinham autoriza\u00e7\u00e3o para estar l\u00e1. \u201cN\u00e3o imaginava que encontrar\u00edamos tantos helic\u00f3pteros e pequenos avi\u00f5es sobrevoando ali, clandestinamente\u201d, diz Ribeiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em um certo momento do sobrevoo, um pequeno<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> avi\u00e3o tentou intercept\u00e1-los. \u201cEle come\u00e7ou a circular embaixo da nossa aeronave em uma esp\u00e9cie de intimida\u00e7\u00e3o\u201d, relata a jornalista. O piloto foi questionado via r\u00e1dio sobre quem estava no avi\u00e3o, \u00e0 que ele respondeu \u2018uma equipe de sa\u00fade\u2019, na tentativa de proteger o grupo. \u201cFoi um momento de muita adrenalina\u201d, conta Ribeiro. Em outro ponto, decidiram n\u00e3o voar t\u00e3o baixo quanto gostariam, pois o piloto sentiu que eles estariam expostos a tiros daquela dist\u00e2ncia. \u201cAo tomar decis\u00f5es, tivemos respeito com a nossa seguran\u00e7a e a do piloto\u201d, destaca ela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A pandemia, quest\u00f5es de seguran\u00e7a f\u00edsica e os altos custos influenciaram a decis\u00e3o da equipe de evitar uma visita ao territ\u00f3rio ind\u00edgena por terra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outro fator complicador \u00e9 como o jornalismo ambiental piorou no Brasil na \u00faltima d\u00e9cada. Em 2021, <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/rsf.org\/pt\/ranking-mundial-da-liberdade-de-imprensa-2021-vacina-contra-desinformacao-o-jornalismo-segue\">o Brasil foi classificado como 111\u00ba (entre 180 pa\u00edses) no \u00cdndice Mundial de Liberdade de Imprensa da Rep\u00f3rteres Sem Fronteiras<\/a>, entrando na &#8216;lista vermelha&#8217; de pa\u00edses em que a situa\u00e7\u00e3o da liberdade de imprensa \u00e9 rotulada como \u201cruim\u201d. Em 2010, o Brasil <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/rsf.org\/pt\/noticia\/o-brasil-recua-cinco-posicoes-no-ranking-mundial-da-liberdade-de-imprensa-da-rsf\">ocupava a 58\u00aa posi\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_400106\" style=\"width: 781px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/NEW-GRAPHIC.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-400106\" class=\"wp-image-400106 size-large\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/NEW-GRAPHIC-771x867.png\" alt=\"minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro na Amaz\u00f4nia\" width=\"771\" height=\"867\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/NEW-GRAPHIC-771x867.png 771w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/NEW-GRAPHIC-336x378.png 336w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/NEW-GRAPHIC-768x864.png 768w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/NEW-GRAPHIC.png 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 771px) 100vw, 771px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-400106\" class=\"wp-caption-text\">O caminho da cadeia produtiva: do territ\u00f3rio Yanomami ao mercado. Gr\u00e1fico: Cortesia Shake Visual Conte\u00fado.<\/p><\/div>\n<h4>Explorando os dados<\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No fronte de investiga\u00e7\u00e3o da cadeia de suprimentos, a equipe mergulhou em pesquisas sobre empresas que negociavam o ouro. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">A escassez de dados fez com que os jornalistas come\u00e7assem quase do zero. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201cAcho que o mercado de ouro \u00e9 o mais dif\u00edcil de ser investigado no Brasil, pelo menos dos mercados que a Rep\u00f3rter Brasil j\u00e1 investigou. \u00c9 surrealmente pouco transparente, sobretudo no que tange ao mercado de exporta\u00e7\u00e3o,\u201d afirma Ana Magalh\u00e3es. Ela acrescenta que enviaram solicita\u00e7\u00f5es de dados via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (LAI) a v\u00e1rias ag\u00eancias, empresas e associa\u00e7\u00f5es, sem sucesso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ap\u00f3s um m\u00eas de pesquisas, resolveram abandonar a ideia de produzir uma pe\u00e7a sobre exporta\u00e7\u00e3o de ouro. Ao mesmo tempo, avan\u00e7aram bastante nas pesquisas sobre outro elo da cadeia, as Distribuidoras de T\u00edtulos e Valores Mobili\u00e1rios (DTVMs): empresas que compram ouro de intermedi\u00e1rios, que atuam no mercado financeiro e s\u00e3o autorizadas a realizar compras pelo Banco Central do Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A equipe come\u00e7ou analisando den\u00fancias do Minist\u00e9rio P\u00fablico contra as DTVMs. Por\u00e9m, o que se revelou fundamental para a reportagem foram dois inqu\u00e9ritos da Pol\u00edcia Federal, aos quais a equipe teve acesso por meio de LAI.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os jornalistas ex<\/span><span style=\"font-weight: 400\">aminaram 6.000 p\u00e1ginas de inqu\u00e9rito policial, em busca de trechos referentes a DTVMs. Esses documentos continham depoimentos dos investigados, fotos tiradas pelos policiais, resultados de per\u00edcias t\u00e9cnicas, comunicados internos entre diferentes departamentos da Pol\u00edcia Federal, e outras informa\u00e7\u00f5es importantes. Com esses dados, os rep\u00f3rteres <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/dtvms\/\">mostraram como foi f\u00e1cil para as DTVMs comprar ouro<\/a> extra\u00eddo da reserva ind\u00edgena Yanomami, gra\u00e7as \u00e0 fraca legisla\u00e7\u00e3o que regulamenta o setor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Magalh\u00e3es<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> destaca o aux\u00edlio da ferramenta <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.abraji.org.br\/projetos\/cruzagrafos\">CruzaGrafos<\/a>, desenvolvida pela Abraji, e de um reposit\u00f3rio de informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis publicamente, o <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/brasil.io\/home\/\">Brasil.IO<\/a>, na investiga\u00e7\u00e3o das empresas envolvidas na cadeia de suprimentos. O CruzaGrafos \u00e9 uma ferramenta de c\u00f3digo aberto que re\u00fane informa\u00e7\u00f5es de diferentes bancos de dados, permitindo que os rep\u00f3rteres cruzem os dados e visualizem as conex\u00f5es entre empresas e pessoas. \u201cEla facilita muito a vida para entender a composi\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria de algumas empresas e as conex\u00f5es entre elas. A gente a usou bastante\u201d, diz Magalh\u00e3es.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_400109\" style=\"width: 781px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-400109\" class=\"wp-image-400109 size-large\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-771x514.jpg\" alt=\"minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro na Amaz\u00f4nia\" width=\"771\" height=\"514\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-771x514.jpg 771w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-336x224.jpg 336w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-768x512.jpg 768w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-1170x780.jpg 1170w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5.jpg 1999w\" sizes=\"auto, (max-width: 771px) 100vw, 771px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-400109\" class=\"wp-caption-text\">Minera\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima ao rio Uraricoera, dentro da TI Yanomami. Imagem: Bruno Kelly\/Amaz\u00f4nia Real<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por fim, uma terceira parte do projeto focou na <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/rua-do-ouro\/\">\u2018rua do ouro\u2019, em Boa Vista<\/a>, onde lojas vendem impunemente o ouro extra\u00eddo ilicitamente das terras Yanomami. Maria Fernanda Ribeiro visitou algumas delas. Sabendo que enfrentaria um ambiente hostil para jornalistas, ela se fez passar por uma pessoa interessada em comprar joias.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cA gente queria filmar e documentar, mas tamb\u00e9m n\u00e3o pod\u00edamos chegar com a c\u00e2mera e falando que \u00e9ramos jornalistas, ent\u00e3o ficamos ali quietinhos, filmando algumas coisas no celular de maneira muito discreta\u201d, conta ela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em uma loja, Ribeiro testemunhou uma servidora p\u00fablica tentando vender ouro da regi\u00e3o Yanomami. Para K\u00e1tia Brasil, esse epis\u00f3dio destaca a import\u00e2ncia do trabalho de campo. \u201cA presen\u00e7a da rep\u00f3rter como testemunha ocular de um crime foi o grande diferencial dessa hist\u00f3ria investigativa\u201d, diz ela. A mat\u00e9ria sobre a \u2018rua do ouro\u2019 suscitou outras den\u00fancias sobre a mesma servidora, que foi demitida de seu cargo e colocada sob investiga\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro \u00e9 uma das muitas amea\u00e7as \u00e0 floresta amaz\u00f4nica. Para rep\u00f3rteres interessados em cobrir o que est\u00e1 acontecendo na regi\u00e3o, a equipe\u00a0 da reportagem \u201cOuro do Sangue Yanomami\u201d compartilhou dicas sobre como fazer uma investiga\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o e como se manter seguro ao reportar assuntos que podem apresentar graves riscos \u00e0 seguran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<ol>\n<li><b> Esque\u00e7a o que voc\u00ea acha que sabe sobre a regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> \u201cEspecialmente quem n\u00e3o \u00e9 da regi\u00e3o. Para mim isso \u00e9 um desafio, mas tamb\u00e9m o maior presente que cobrir a Amaz\u00f4nia te proporciona\u201d, diz Ribeiro. \u201cVoc\u00ea chega l\u00e1 cheio de ideias e certezas, e quando voc\u00ea v\u00ea \u00e9 outra coisa. Isso tamb\u00e9m \u00e9 o trabalho de um rep\u00f3rter: ouvir as pessoas de maneira genu\u00edna\u201d.<\/span><\/li>\n<li><b>Tenha um bom protocolo de seguran\u00e7a.<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> \u201cTem que ser seguido \u00e0 risca porque temos visto um recrudescimento da viol\u00eancia na regi\u00e3o, nos garimpos\u201d, alerta Magalh\u00e3es. \u201cAcho que tudo tem muita sintonia com o governo atual e seu discurso de \u00f3dio com rela\u00e7\u00e3o a ind\u00edgenas, quilombolas e trabalhadores rurais, sempre apoiando garimpeiros, ruralistas e pessoas que atuam na Amaz\u00f4nia sob a \u00f3tica predat\u00f3ria. A gente percebe isso em campo\u201d.<\/span><\/li>\n<li><b>Planeje sua estadia com cuidado.<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> \u201c\u00c0s vezes o jornalista vem sozinho, pensando que vai alugar um carro, e depois pegar a estrada e ir a campo sozinho\u201d, diz Brazil. \u201cHoje em dia n\u00e3o d\u00e1 para fazer isso na Amaz\u00f4nia. \u00c9 preciso muita prepara\u00e7\u00e3o para evitar riscos \u201d.<\/span><\/li>\n<li><b> Colabore.<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> \u201cAcho que o aspecto mais relevante dessa parceria foi que ela permitiu que duas organiza\u00e7\u00f5es unissem seus know-how e seus DNAs\u201d, diz Magalh\u00e3es. \u201cQuando voc\u00ea une essas duas for\u00e7as, que s\u00e3o complementares, \u00e9 quando voc\u00ea \u00e9 capaz de contar uma hist\u00f3ria completa. Foi muito incr\u00edvel essa parceria\u201d.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Elaize Farias, cofundadora da Amaz\u00f4nia Real, participar\u00e1 da <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.eventbrite.com\/e\/global-investigative-journalism-conference-gijc21-nov-1-5-online-tickets-165101937339\">Confer\u00eancia Global de Jornalismo Investigativo<\/a>, no dia 3 de novembro, no painel <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/gijc21.us2.pathable.com\/meetings\/virtual\/Xuq8pQ9sighDbGzn4\">Investigando a Desigualdade<\/a>. Outros pain\u00e9is da GIJC se concentrar\u00e3o em investiga\u00e7\u00f5es de quest\u00f5es ambientais e ind\u00edgenas.<\/span><\/i><\/p>\n<h4>Recursos adicionais<\/h4>\n<p><a href=\"https:\/\/gijn.org\/2021\/09\/02\/why-covering-the-environment-means-risking-your-life-in-many-parts-of-the-world\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Por que cobrir o meio ambiente significa arriscar sua vida em muitas partes do mundo<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gijn.org\/2021\/03\/15\/my-favorite-tools-geo-journalist-gustavo-faleiros\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Minhas ferramentas favoritas: Geo-jornalista Gustavo Faleiros<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gijn.org\/gijn-naja-guide-for-indigenous-investigative-journalists\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Guia GIJN\/NAJA para Jornalistas Investigativos Ind\u00edgenas<\/span><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Sarita-Reed.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-400102 size-thumbnail alignleft\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Sarita-Reed-140x140.png\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"140\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Sarita-Reed-140x140.png 140w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Sarita-Reed-60x60.png 60w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Sarita-Reed.png 212w\" sizes=\"auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/><\/a><strong><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/saritareed.journoportfolio.com\/\"><em>Sarita Reed<\/em><\/a><\/strong><em> \u00e9 uma jornalista freelance multim\u00eddia brasileira, cobrindo principalmente quest\u00f5es ambientais e direitos humanos. Ela \u00e9 formada em jornalismo pela UFRGS e possui mestrado em estudos de m\u00eddia pela Universidade de Maastricht. Seu trabalho foi publicado pela National Geographic Brasil, Di\u00e1logo Chino, Folha de S\u00e3o Paulo, BBC Brasil, entre outros.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na d\u00e9cada de 1990, quando a jornalista investigativa brasileira K\u00e1tia Brasil visitou um territ\u00f3rio ind\u00edgena na Amaz\u00f4nia, a floresta estava \u201cexuberante\u201d e intacta. Mas a minera\u00e7\u00e3o ilegal de ouro tem levado a resultados devastadores. Duas equipes de investiga\u00e7\u00e3o, da Amaz\u00f4nia Real e da Rep\u00f3rter Brasil, decidiram que era hora de mergulhar nessa ind\u00fastria secreta para descobrir quem est\u00e1 por tr\u00e1s da minera\u00e7\u00e3o de ouro que est\u00e1 deixando uma cicatriz na regi\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":3031175,"featured_media":1103573,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"republication-tracker-tool-hide-widget":false,"footnotes":"","_tec_slr_enabled":"","_tec_slr_layout":""},"categories":[23170],"tags":[9856,12023,4735,21336,9857,12022,12021,12024,3301],"gijn_topic":[18805,18816],"series":[],"gijn_language":[17797],"gijn_region":[],"class_list":["post-406460","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-amazonia","tag-amazonia-real","tag-bolsonaro","tag-bolsonaro-pt-pt","tag-comunidades-indigenas","tag-desmatamento","tag-mineracao-ilegal","tag-ouro-ilegal","tag-reporter-brasil","gijn_topic-estudos-de-caso","gijn_topic-noticias-e-analises","gijn_language-pt-pt-pt-pt"],"acf":[],"ticketed":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/406460","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3031175"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=406460"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/406460\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1103573"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=406460"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=406460"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=406460"},{"taxonomy":"gijn_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_topic?post=406460"},{"taxonomy":"series","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/series?post=406460"},{"taxonomy":"gijn_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_language?post=406460"},{"taxonomy":"gijn_region","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_region?post=406460"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}