{"id":369004,"date":"2021-08-12T03:16:32","date_gmt":"2021-08-12T07:16:32","guid":{"rendered":"https:\/\/gijn.org\/?p=369004"},"modified":"2023-06-25T07:31:58","modified_gmt":"2023-06-25T11:31:58","slug":"incendios-florestais-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/artigos\/incendios-florestais-venezuela\/","title":{"rendered":"Investigando inc\u00eandios florestais em meio a falta de dados na Venezuela"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong><a href=\"https:\/\/gijn.org\/2021\/08\/09\/investigating-forest-fires-amid-a-data-vacuum-in-venezuela\/\">English<\/a><\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_360862\" style=\"width: 781px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/shutterstock_1073774903.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-360862\" class=\"wp-image-360862 size-large\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/shutterstock_1073774903-771x514.jpg\" alt=\"\" width=\"771\" height=\"514\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/shutterstock_1073774903-771x514.jpg 771w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/shutterstock_1073774903-336x224.jpg 336w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/shutterstock_1073774903-768x512.jpg 768w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/shutterstock_1073774903.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 771px) 100vw, 771px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-360862\" class=\"wp-caption-text\">Um bombeiro combate um inc\u00eandio florestal nos arredores da capital venezuelana, Caracas. Imagem: Shutterstock<\/p><\/div>\n<p>Em mar\u00e7o de 2020, quando\u00a0a COVID-19 come\u00e7ou a colocar\u00a0o mundo ocidental em quarentena, Caracas se encheu de fuma\u00e7a.\u00a0A jornalista especialista em meio ambiente, <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.helenacarpio.com\/about\">Helena Carpio<\/a>, debru\u00e7ou-se em sua janela e ficou chocada ao perceber que a n\u00e9voa a impedia de ver \u00c1vila, a emblem\u00e1tica montanha nos limites da capital venezuelana.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia chamas \u00e0 vista tamb\u00e9m.\u00a0Algo estava queimando, mas n\u00e3o se sabia onde e n\u00e3o havia informa\u00e7\u00f5es oficiais sobre isso.\u00a0O Twitter era o \u00fanico lugar para se informar, mas s\u00f3 havia centenas de pessoas reclamando das consequ\u00eancias da fuma\u00e7a: dores no peito, falta de ar, coceira e queima\u00e7\u00e3o nos olhos, entre outras.<\/p>\n<p>\u201cFoi muito exasperante olhar pela janela e n\u00e3o ver chamas em parte alguma.\u00a0Sabia-se que algo grande estava queimando, mas n\u00e3o t\u00ednhamos ideia do que era.\u00a0Pesquisando no Google, me deparei com o mapa do <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.globalforestwatch.org\/map\/\">Global Forest Watch<\/a> e comecei a procurar quais dados alimentavam esse mapa.\u00a0Foi assim que surgiu a Naturaleza en Llamas\u201d, disse Carpio \u00e0\u00a0LatAm Journalism Review (LJR).<\/p>\n<p>\u201c<a href=\"https:\/\/prodavinci.com\/naturalezaenllamas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Natureza em chamas: 20 anos de inc\u00eandios em \u00c1reas Protegidas da Venezuela<\/a>\u201d \u00e9 uma investiga\u00e7\u00e3o da revista digital venezuelana Prodavinci e liderada por Carpio.\u00a0Este trabalho analisou duas d\u00e9cadas de dados de sat\u00e9lite sobre fontes de calor para entender quando, onde e por que ocorrem os inc\u00eandios florestais em todos os parques nacionais, monumentos naturais e outras \u00e1reas protegidas da Venezuela que correspondem a espa\u00e7os naturais protegidos por sua biodiversidade.<\/p>\n<p>Os principais achados desta pesquisa incluem que, em 2020, a Venezuela era o pa\u00eds da regi\u00e3o amaz\u00f4nica com maior densidade de inc\u00eandios (quase o dobro do Brasil). Al\u00e9m disso, nos \u00faltimos 20 anos, as fontes de calor aumentaram em 63 das 80 \u00e1reas protegidas do pa\u00eds sul-americano, sendo 2020 o pior ano j\u00e1 registrado em inc\u00eandios.<\/p>\n<div style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-thumbnail\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/InfografiaTrabajoNaturalezaEnLlamas-1024x568.png\" width=\"1024\" height=\"568\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Classifica\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses da regi\u00e3o amaz\u00f4nica pela densidade do fogo e com base em dados de sat\u00e9lite MODIS. (&#8220;Nature on Fire&#8221; de Prodavinci)<\/p><\/div>\n<h4><strong><br \/>\n<\/strong>Sem registros oficiais<\/h4>\n<p>Na Venezuela n\u00e3o existe uma lei de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia. Organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e a m\u00eddia h\u00e1 anos denunciam a opacidade existente e a falta de informa\u00e7\u00f5es oficiais. N\u00e3o s\u00e3o publicados dados atualizados sobre economia, sa\u00fade nem muito menos meio ambiente.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 sistema p\u00fablico de monitoramento de inc\u00eandio na Venezuela. Segundo Carpio, deveria haver um registro de quando ocorreu um inc\u00eandio no pa\u00eds, mas n\u00e3o est\u00e1 sendo realizado. A jornalista explicou que, antes, cada Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o tinha um respons\u00e1vel pelo monitoramento dos inc\u00eandios. No entanto, <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.cfr.org\/backgrounder\/venezuela-crisis\">como o pa\u00eds ficou sem recursos<\/a>, eles deixaram de fornecer helic\u00f3pteros para monitoramento, investindo em um sistema de preven\u00e7\u00e3o, e os respons\u00e1veis \u200b\u200bpor v\u00e1rias \u00e1reas deixaram seus cargos devido \u00e0 precariedade dos sal\u00e1rios, explicou Carpio.<\/p>\n<p>Portanto, usar dados de sat\u00e9lite foi a \u00fanica maneira que a equipe do Prodavinci encontrou para entender o que estava acontecendo.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A equipe solicitou todos os dados dispon\u00edveis detectados pelos sensores <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/earthdata.nasa.gov\/earth-observation-data\/near-real-time\/download-nrt-data\/viirs-nrt\">VIIRS<\/a> e <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/earthdata.nasa.gov\/earth-observation-data\/near-real-time\/download-nrt-data\/modis-nrt\">MODIS, que fazem parte do programa Fire Information for Resource Management System (FIRMS) da NASA<\/a>. Cada solicita\u00e7\u00e3o deve abranger o per\u00edodo m\u00e1ximo de um ano, e \u00e9 feita atrav\u00e9s do <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/firms.modaps.eosdis.nasa.gov\/download\/\">sistema de download de arquivos FIRMS<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A equipe obteve os dados no formato CSV &#8211; onde cada linha do arquivo \u00e9 um registro de dados &#8211; pois assim poderiam realizar an\u00e1lises estat\u00edsticas e geogr\u00e1ficas. Cada registro possu\u00eda atributos como latitude e longitude (que davam as coordenadas geogr\u00e1ficas do foco de calor), data, hora e se o inc\u00eandio ocorreu durante o dia ou \u00e0 noite, entre outros. Deixando apenas as entradas relevantes para a an\u00e1lise, eles montaram dois bancos de dados que somavam mais de 3 milh\u00f5es de focos de calor: 975.897 de dados do sensor MODIS (2001-2020) e 2.733.695 de dados do VIIRS (2012-2020).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma base de dados adicional de focos de calor foi solicitada ao Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (INPE). Como sat\u00e9lite de refer\u00eancia, o INPE usa o <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/pdf\/151986main_Aqua_brochure.pdf\">Aqua<\/a>, da NASA, que carrega o sensor MODIS a bordo e valida os focos de calor com algoritmos especializados. A equipe solicitou todos os dados dispon\u00edveis para todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul. Outro servi\u00e7o de dados abertos brasileiro, o BDQueimadas, permitiu que o time baixasse dados de 13 pa\u00edses para o per\u00edodo entre 2002 e 2020 &#8211; em formato CSV, que revelou mais de 7,3 milh\u00f5es de focos de calor em todo o continente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outras cinco bases de dados tamb\u00e9m foram utilizadas para realizar a an\u00e1lise: uma base de dados geoespacial que permitia a separa\u00e7\u00e3o das unidades de conserva\u00e7\u00e3o por regi\u00f5es; outro contendo todas as unidades de vegeta\u00e7\u00e3o da Venezuela; uma terceira que mapeou as regi\u00f5es fisiogr\u00e1ficas do pa\u00eds; outro contendo dados abertos do Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Coordena\u00e7\u00e3o de Assuntos Humanit\u00e1rios (ENUCAH), o que lhes permitiu localizar cada \u00e1rea protegida dentro da regi\u00e3o pol\u00edtica ou administrativa correta da Venezuela; e, por fim, o banco de dados de \u00e1reas de terras do Banco Mundial, que permitiu calcular a densidade das fontes de calor para cada pa\u00eds da regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cPara analisar os dados usamos o <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/qgis.org\/en\/site\/forusers\/download.html\">QGIS 3.8<\/a>, um sistema de informa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica de c\u00f3digo aberto, Excel, Google Sheets, Google Earth Pro e Google Earth Engine. Para publicar o trabalho e criar uma experi\u00eancia de usu\u00e1rio interativa e interessante, usamos o Mapbox Interactive Storytelling Template, um template escrito em Javascript, HTML e CSS. N\u00f3s programamos as informa\u00e7\u00f5es usando o Atom, um editor de texto de c\u00f3digo aberto \u201d, explicou Carpio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cExistem softwares de c\u00f3digo aberto com grande potencial para o jornalismo investigativo, o que nos permite explorar bancos de dados como nunca foi feito\u201d, acrescentou Carpio. \u201cNo Prodavinci aprendemos a usar sistemas de informa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica h\u00e1 apenas dois anos e, gra\u00e7as ao nosso bom relacionamento com especialistas em diferentes \u00e1reas, estamos descobrindo uma imensa variedade de aplica\u00e7\u00f5es no jornalismo. \u00c9 uma \u00e1rea estrat\u00e9gica para a pesquisa ambiental, especialmente para pa\u00edses sem acesso a dados p\u00fablicos\u201d.<\/span><\/p>\n<div style=\"width: 1546px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-thumbnail\" src=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/EquipodeProdavinci-1536x1025.jpg\" width=\"1536\" height=\"1025\" \/><p class=\"wp-caption-text\">A equipe Prodavinci. Imagem: Cortesia Prodavinci<\/p><\/div>\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 o primeiro projeto baseado em dados realizado pela Prodavinci.<\/p>\n<p>\u201cComo jornalistas, estamos bastante acostumados com a opacidade na Venezuela.\u00a0N\u00e3o h\u00e1 dados.\u00a0Por isso, estamos sempre em busca de novas formas de quantificar as quest\u00f5es mesmo que sejam complexas \u201d, disse Carpio.<\/p>\n<p>Em 2018, a Prodavinci publicou a investiga\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"http:\/\/factor.prodavinci.com\/vivirsinagua\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cVivendo sem \u00e1gua\u201d,<\/a>\u00a0na qual conseguiu determinar quantas horas de \u00e1gua por semana os venezuelanos recebiam em suas casas, com base em planos de racionamento que haviam sido publicados pelo governo em formatos n\u00e3o edit\u00e1veis.\u00a0Eles transcreveram os documentos, cruzaram-nos com as informa\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o e desenvolveram uma metodologia para padronizar os par\u00e2metros dos planos.\u00a0Esta obra conquistou o <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/prodavinci.com\/prodavinci-recibio-el-premio-monsenor-pellin-2019-al-reportaje-web-del-ano\/\">Pr\u00eamio Monsenhor Pell\u00edn 2019<\/a> e o primeiro lugar do IX Concurso Nacional de Jornalismo Investigativo do IPYS 2019.<\/p>\n<p>Em 2019, a Prodavinci publicou\u00a0<a href=\"http:\/\/factor.prodavinci.com\/lashorasoscuras\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;The Dark Hours&#8221; <\/a>(As Horas Obscuras), onde seguiram o mesmo esquema do trabalho anterior, mas desta vez usando software de reconhecimento \u00f3ptico de caracteres (OCR). Eles puderam calcular que 18,42 milh\u00f5es de venezuelanos viviam em par\u00f3quias sujeitas a planos de racionamento de eletricidade. Esta investiga\u00e7\u00e3o foi finalista do pr\u00eamio de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica da Relatoria Especial para a Liberdade de Express\u00e3o da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos.<\/p>\n<p>Nem sempre \u00e9 poss\u00edvel encontrar bancos de dados com informa\u00e7\u00f5es sobre a Venezuela.\u00a0Na maioria das vezes, voc\u00ea precisa criar suas pr\u00f3prias planilhas, coletando informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o oficiais.\u00a0No entanto, Carpio afirma que em seus escritos veem com grande emo\u00e7\u00e3o o potencial que o uso da tecnologia tem em suas investiga\u00e7\u00f5es e ainda mais em um contexto de falta de transpar\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cA tecnologia mudou nosso cen\u00e1rio.\u00a0Talvez, h\u00e1 alguns anos, analisar um dado com milhares de entradas pudesse ter sido muito dif\u00edcil, principalmente por se tratar de um meio pequeno com poucos recursos.\u00a0Mas agora, usando informa\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas ou aplicativos de OCR, voc\u00ea pode fazer isso em uma semana e n\u00e3o precisa de 30 pessoas trabalhando\u201d, disse ele.<\/p>\n<p>\u201cNature on Fire\u201d teve dois apoios fundamentais: a academia venezuelana, que forneceu apoio especializado e informa\u00e7\u00e3o, e o\u00a0<a href=\"https:\/\/rainforestjournalismfund.org\/projects\/forests-ashes-how-wildfires-are-threatening-venezuelas-megadiverse-protected-areas-and\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fundo de Jornalismo\u00a0da\u00a0Floresta Amaz\u00f4nica<\/a>,\u00a0uma iniciativa do Centro Pulitzer de Jornalismo que forneceu apoio financeiro.<\/p>\n<p>Carpio destacou que no projeto eles transferiram para o jornalismo a metodologia habitualmente utilizada na academia.<\/p>\n<p>\u201cAs quest\u00f5es ambientais s\u00e3o quest\u00f5es t\u00e3o complexas, t\u00e3o multifatoriais, com tantos detalhes que sinto que a \u00fanica forma respons\u00e1vel de abord\u00e1-las \u00e9 colaborando com a academia\u201d, explicou Carpio durante a videochamada. \u201cEste \u00e9 um trabalho que poderia n\u00e3o ter sido feito sem os especialistas e os especialistas podem n\u00e3o ter sido capazes de faz\u00ea-lo sem os jornalistas. Foi um esfor\u00e7o de equipe, de ambos os lados e sem precedentes na Venezuela\u201d.<\/p>\n<p>A sinergia com a academia venezuelana foi t\u00e3o significativa que at\u00e9 um artigo cient\u00edfico ser\u00e1 publicado como resultado da investiga\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, especialistas acad\u00eamicos permitiram que jornalistas vissem todo o potencial dos dados e tamb\u00e9m suas limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A base de dados de sat\u00e9lite utilizada permite saber onde est\u00e3o ocorrendo os inc\u00eandios e quando, mas n\u00e3o a extens\u00e3o da \u00e1rea afetada ou as raz\u00f5es da erup\u00e7\u00e3o das chamas.<\/p>\n<p>\u201cNo trabalho, tomamos o cuidado de n\u00e3o definir causalidade total porque n\u00e3o podemos determinar o motivo dos inc\u00eandios por meio de imagens de sat\u00e9lite.\u00a0Isso s\u00f3 \u00e9 determinado indo a campo, estudando o terreno, entendendo o ultrassom, estudando as correntes de vento, etc.\u00a0\u00c9 algo mais especializado.\u00a0Nosso papel como jornalistas n\u00e3o vai t\u00e3o longe\u201d, frisou Carpio.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, a equipe decidiu concentrar a pesquisa nas tend\u00eancias, padr\u00f5es e gatilhos potenciais de inc\u00eandio, bem como nos usos comuns do fogo por regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Parte dessa sinergia com os acad\u00eamicos tamb\u00e9m \u00e9 consequ\u00eancia da opacidade do governo. Os jornalistas venezuelanos sabem que solicitar dados ou informa\u00e7\u00f5es de institui\u00e7\u00f5es pode ser um processo longo e complicado, por isso preferem recorrer a especialistas ou \u00e0 ind\u00fastria privada, que costumam ter tempos de resposta mais r\u00e1pidos, diz Carpio.<\/p>\n<h4>Projetos para a sociedade<\/h4>\n<div class=\"articles-box-text\">\n<p>O meio digital Prodavinci surgiu, em 2008, como um blog pessoal do economista venezuelano \u00c1ngel Alay\u00f3n.\u00a0Posteriormente, evoluiu para o que a equipe define como \u201cum espa\u00e7o de ideias, conversas e debates\u201d.\u00a0Atualmente, eles recebem em m\u00e9dia mais de um milh\u00e3o e meio de visitas por m\u00eas.<\/p>\n<p>A Prodavinci planeja continuar realizando projetos usando sensoriamento remoto e informa\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lite para tratar de quest\u00f5es ambientais e sociais.\u00a0Por enquanto, como parte de uma segunda publica\u00e7\u00e3o do projeto Nature in Flames, eles criaram \u201c<a href=\"https:\/\/mapadeincendios.prodavinci.com\/?home\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Onde h\u00e1 fogo na Venezuela?<\/a>,\u201d uma ferramenta que exibe fontes ativas de fogo que foram detectadas e processadas pela NASA quase em tempo real.<\/p>\n<p>Os focos s\u00e3o atualizadas automaticamente a cada 24 horas com dados p\u00fablicos dispon\u00edveis na p\u00e1gina Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Inc\u00eandio para Gerenciamento de Recursos (FIRMS) da NASA.<\/p>\n<p>O mapa tamb\u00e9m mostra todos os parques nacionais, monumentos naturais e outras \u00e1reas protegidas do pa\u00eds. Segundo a m\u00eddia, \u00e9 uma ferramenta desenhada para que a sociedade civil, bombeiros, guardas ambientais, ambientalistas, estudantes, jornalistas e cientistas possam detectar e monitorar inc\u00eandios nas \u00e1reas naturais mais importantes da Venezuela.<\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Este artigo foi escrito por <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/es\/articles\/author\/katherine-pennacchio\/\">Katherine Pennacchio<\/a> e <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/pt-br\/articles\/veiculo-digital-venezuelano-analisa-20-anos-de-dados-sobre-incendios-em-areas-protegidas-apesar-da-opacidade-do-governo\/\">publicado originalmente na LatAm Journalism Review<\/a> do Centro Knight para o Jornalismo nas Am\u00e9ricas da Universidade do Texas. Esta vers\u00e3o foi editada e cont\u00e9m algumas informa\u00e7\u00f5es adicionais, inseridas com autoriza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/i><\/p>\n<h4><span style=\"font-weight: 400\">Recursos adicionais<\/span><\/h4>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.abraji.org.br\/noticias\/crise-climatica-ideias-para-jornalistas-investigativos\"><em>Crise clim\u00e1tica: Ideias para jornalistas investigativos<\/em><\/a><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/gijn.org\/2019\/04\/22\/investigating-the-story-of-the-century\/\">Novas ferramentas e dicas para investigar mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/a><\/em><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/2021\/03\/15\/my-favorite-tools-geo-journalist-gustavo-faleiros\/\">Minhas ferramentas favoritas: Geo-jornalista Gustavo Faleiros<\/a> (ingl\u00eas)<\/span><\/i><\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignleft\" src=\"https:\/\/saludconlupa.com\/media\/images\/KatherinePennacchio.2e16d0ba.fill-300x300.jpg\" width=\"182\" height=\"182\" \/><em><strong><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/latamjournalismreview.org\/es\/articles\/author\/katherine-pennacchio\/\">Katherine Pennacchio<\/a><\/strong> \u00e9 uma jornalista freelancer venezuelana que mora na Espanha. Foi co-fundadora da Vendata.org, que luta pela liberdade de informa\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o de dados abertos na Venezuela. Fez parte do site de jornalismo investigativo Armando.info, do Runrun.es, onde trabalhou no Panama Papers e \u00e9 membro da Associa\u00e7\u00e3o Espanhola de Jornalistas Investigativos.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em mar\u00e7o de 2020, a jornalista ambiental Helena Carpio, se inclinou para fora de sua janela para ver Caracas cheia de fuma\u00e7a. Algo estava queimando, mas ningu\u00e9m sabia onde e n\u00e3o havia not\u00edcias oficiais sobre o que estava acontecendo. Ela come\u00e7ou a investigar, e o resultado \u00e9 uma an\u00e1lise de duas d\u00e9cadas de dados de sat\u00e9lite em focos de calor para explorar quando, onde e por qu\u00ea dos inc\u00eandios florestais na Venezuela e em toda a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n","protected":false},"author":3031175,"featured_media":1092749,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"republication-tracker-tool-hide-widget":false,"footnotes":"","_tec_slr_enabled":"","_tec_slr_layout":""},"categories":[23170],"tags":[2607,11393,11392,4501,11391,11394,1372,22482],"gijn_topic":[18816],"series":[],"gijn_language":[17797],"gijn_region":[],"class_list":["post-369004","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-america-latina","tag-dados-de-satelites","tag-incendio-florestal","tag-investigacao","tag-jornalismo-de-dados","tag-mudancas-climaticas","tag-venezuela","tag-venezuela-pt-pt","gijn_topic-noticias-e-analises","gijn_language-pt-pt-pt-pt"],"acf":[],"ticketed":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/369004","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3031175"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=369004"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/369004\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1092749"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=369004"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=369004"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=369004"},{"taxonomy":"gijn_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_topic?post=369004"},{"taxonomy":"series","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/series?post=369004"},{"taxonomy":"gijn_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_language?post=369004"},{"taxonomy":"gijn_region","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_region?post=369004"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}