{"id":352480,"date":"2021-06-29T09:59:01","date_gmt":"2021-06-29T13:59:01","guid":{"rendered":"https:\/\/gijn.org\/?p=352480"},"modified":"2023-06-25T07:32:05","modified_gmt":"2023-06-25T11:32:05","slug":"dicas-para-entrevistar-vitimas-de-tragedias-testemunhas-e-sobreviventes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/artigos\/dicas-para-entrevistar-vitimas-de-tragedias-testemunhas-e-sobreviventes\/","title":{"rendered":"Dicas para entrevistar v\u00edtimas de trag\u00e9dias, testemunhas e sobreviventes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/2021\/03\/16\/tips-for-interviewing-victims-of-tragedy-witnesses-and-survivors\/\"><strong>English<\/strong><\/a><\/p>\n<div id=\"attachment_316921\" style=\"width: 781px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tea-lights-3612508_960_720-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-316921\" class=\"wp-image-316921 size-large\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tea-lights-3612508_960_720-1-771x439.jpg\" alt=\"\" width=\"771\" height=\"439\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tea-lights-3612508_960_720-1-771x439.jpg 771w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tea-lights-3612508_960_720-1-336x191.jpg 336w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tea-lights-3612508_960_720-1-768x438.jpg 768w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/tea-lights-3612508_960_720-1.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 771px) 100vw, 771px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-316921\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Pixabay<\/p><\/div>\n<p>N\u00e3o existe um m\u00e9todo infal\u00edvel para entrevistar pessoas que foram v\u00edtimas ou sobreviveram a eventos traum\u00e1ticos, como viol\u00eancia e crime, desastres ou acidentes. Cada caso \u00e9 \u00fanico e apresenta seus pr\u00f3prios desafios e dilemas \u00e9ticos.<\/p>\n<p>Mas, como uma jornalista que relatou sobre diferentes tipos de viol\u00eancia e suas v\u00edtimas por 12 anos, fiz algumas recomenda\u00e7\u00f5es que podem ser usadas como um roteiro para conduzir uma entrevista humana, sens\u00edvel e respeitosa. Essas dicas fazem parte do meu workshop \u201c<a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/fundaciongabo.org\/es\/seminario-web-como-se-cubre-el-dolor-con-marcela-turati\">Como Cobrir a Dor<\/a>\u201d (em espanhol) e s\u00e3o baseadas em v\u00e1rios cursos e palestras, na observa\u00e7\u00e3o de terapeutas, defensores dos direitos humanos e colegas; e nas experi\u00eancias daqueles que fizeram meus workshops.<\/p>\n<p>O elemento mais importante, e um componente vital deste trabalho, \u00e9 o cuidado adequado e a seguran\u00e7a, incluindo:<\/p>\n<ul>\n<li>A seguran\u00e7a dos entrevistados (especialmente para evitar vitimiz\u00e1-los novamente).<\/li>\n<li>Prote\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li>A seguran\u00e7a dos colegas com quem trabalhamos.<\/li>\n<li>Sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a pessoal.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Embora o sofrimento humano, a injusti\u00e7a e as consequ\u00eancias da desigualdade, guerras ou desastres naturais sejam assuntos do interesse dos jornalistas, sugiro que, antes de tentar qualquer entrevista, voc\u00ea reflita sobre a hist\u00f3ria que deseja contar. Pergunte a si mesmo: \u00e9 realmente necess\u00e1rio investigar uma trag\u00e9dia pessoal para poder relat\u00e1-la? O que voc\u00ea vai ganhar com isso? Uma vez que voc\u00ea estabelecer que sua reportagem precisa de fato incluir a entrevista de uma v\u00edtima ou sobrevivente, aqui est\u00e3o algumas dicas:<\/p>\n<p><strong>1. Identifique-se como jornalista.<\/strong><\/p>\n<p>A regra b\u00e1sica do neg\u00f3cio \u00e9 se apresentar como jornalista. Se voc\u00ea acha que n\u00e3o \u00e9 seguro fazer isso, voc\u00ea pode deixar este conselho de lado. Mas lembre-se que voc\u00ea n\u00e3o pode usar informa\u00e7\u00f5es diretamente atribu\u00eddas a algu\u00e9m que n\u00e3o concordou em dar uma entrevista para ser publicada.<\/p>\n<p><strong>2. Reserve tempo para a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p>Se voc\u00ea tiver pouco tempo, avise seu entrevistado e limite-se \u00e0s perguntas b\u00e1sicas sobre a situa\u00e7\u00e3o, sem entrar em detalhes sobre o evento traum\u00e1tico. Caso contr\u00e1rio, por estar com pressa, voc\u00ea pode n\u00e3o prestar aten\u00e7\u00e3o enquanto algu\u00e9m revela detalhes dolorosos. N\u00e3o limite suas perguntas a questionar apenas sobre o que aconteceu, pergunte tamb\u00e9m aos seus entrevistados sobre eles mesmos, pergunte como est\u00e3o, como est\u00e3o lidando com a situa\u00e7\u00e3o, pergunte como a experi\u00eancia da trag\u00e9dia os afetou e como eles enfrentaram isso.<\/p>\n<p><strong>3. Procure um local apropriado para a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p>O ideal \u00e9 que as entrevistas sejam conduzidas em um local onde voc\u00ea possa falar em particular e sem interrup\u00e7\u00f5es, onde voc\u00ea possa ouvir o entrevistado sem que ele precise falar mais alto e onde n\u00e3o haja perigo. Evite situa\u00e7\u00f5es em que crian\u00e7as possam estar ouvindo; mesmo que os adultos digam que elas est\u00e3o acostumadas, crian\u00e7as podem ser afetadas pelo que ouvem.<\/p>\n<p><strong>4. Decida se deseja gravar ou fazer anota\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p>Pergunte ao entrevistado se ele se sente confort\u00e1vel em ser gravado. Se voc\u00ea usar um bloco de anota\u00e7\u00f5es, tente olhar nos olhos do entrevistado enquanto escreve, porque o contato visual \u00e9 importante. Se voc\u00ea gravar, esteja bem preparado e certifique-se de n\u00e3o ter que interromper a grava\u00e7\u00e3o por problemas t\u00e9cnicos. Al\u00e9m disso, n\u00e3o se esque\u00e7a de fazer um backup. Se um depoimento for importante, como a primeira declara\u00e7\u00e3o de uma testemunha ou sobrevivente que nunca falou antes, a grava\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria; o testemunho pode se tornar evid\u00eancia judicial ou ser usado por uma comiss\u00e3o da verdade para investigar um caso.<\/p>\n<p><strong>5. Prepare o entrevistado.<\/strong><\/p>\n<p>Antes de iniciar a entrevista, fale de maneira geral sobre os temas que ser\u00e3o abordados. \u00c9 importante explicar o prop\u00f3sito de sua investiga\u00e7\u00e3o e o que voc\u00ea espera alcan\u00e7ar com a entrevista. Isso permite que o entrevistado se prepare emocionalmente, para que n\u00e3o se sinta atacado pelas perguntas, n\u00e3o tenha expectativas diferentes do seu trabalho e tenha uma chance justa de decidir se pode &#8211; ou quer &#8211; falar com voc\u00ea.<\/p>\n<p><strong>6. Ceda o controle.<\/strong><\/p>\n<p>O entrevistado n\u00e3o deve se sentir pressionado. Antes de come\u00e7ar a entrevista, \u00e9 importante dizer que eles est\u00e3o no controle. Informe que s\u00f3 precisam responder \u00e0s perguntas que quiserem; que podem fazer uma pausa ou encerrar a entrevista se se sentirem sobrecarregados; ou que podem solicitar que voc\u00ea n\u00e3o revele informa\u00e7\u00f5es possivelmente arriscadas. \u00c9 um direito deles.<\/p>\n<p><strong>7. Reflita sobre suas perguntas.<\/strong><\/p>\n<p>Entrevistar a v\u00edtima de um acontecimento terr\u00edvel requer empatia e a capacidade de conseguir se colocar no lugar dela. Pergunte a si mesmo: se ele ou ela fosse um membro da fam\u00edlia de algu\u00e9m pr\u00f3ximo, voc\u00ea faria as mesmas perguntas? Al\u00e9m disso, \u00e9 importante fazer perguntas abertas, que n\u00e3o possam ser respondidas com sim ou n\u00e3o; isso permite que a v\u00edtima escolha suas pr\u00f3prias palavras.<\/p>\n<p><strong>8. Fa\u00e7a contato visual e seja um ouvinte atento.<\/strong><\/p>\n<p>Mantenha contato visual e certifique-se de n\u00e3o ser perturbado por sons externos &#8211; como vibra\u00e7\u00f5es de seu celular ou outras distra\u00e7\u00f5es &#8211; para estabelecer uma conex\u00e3o com a pessoa que est\u00e1 contando sua hist\u00f3ria. Como rep\u00f3rteres, nossa aten\u00e7\u00e3o precisa estar em quatro coisas simultaneamente: o que o entrevistado est\u00e1 nos contando, o que est\u00e1 acontecendo com ele ao recontar os fatos, o que est\u00e1 acontecendo ao nosso redor (se o dia est\u00e1 escurecendo ou se voc\u00ea sente a presen\u00e7a de outras pessoas) e para onde a entrevista est\u00e1 caminhando.<\/p>\n<p><strong>9. Evite perguntas que criminalizem o indiv\u00edduo.<\/strong><\/p>\n<p>A v\u00edtima geralmente sofre com a\u00a0 culpa. Eles est\u00e3o sozinhos, sentem medo e \u00e0s vezes poucas pessoas acreditam neles. A verdade deles frequentemente se op\u00f5e a um sistema constru\u00eddo para desacreditar qualquer um que tenha coragem de falar e denunciar injusti\u00e7as.<\/p>\n<p>Tenha cuidado com suas perguntas e evite criminalizar a v\u00edtima. Por exemplo, ao inv\u00e9s de perguntar &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o teve medo de andar sozinho \u00e0 noite?&#8221;, pergunte se as luzes daquela vizinhan\u00e7a ficam apagadas com frequ\u00eancia \u00e0 noite ou se a regi\u00e3o \u00e9 perigosa. O peso da culpa n\u00e3o pode recair sobre a v\u00edtima.<\/p>\n<p><strong>10. Considere se \u00e9 necess\u00e1rio relembrar um momento particularmente traum\u00e1tico<\/strong><\/p>\n<p>Algumas investiga\u00e7\u00f5es exigem detalhes espec\u00edficos sobre situa\u00e7\u00f5es que envolvem traumas extremos, como ao investigar uma s\u00e9rie de estupros, agress\u00f5es sexuais ou tortura policial. Este tipo de entrevista deve ser realizada somente se a v\u00edtima concordar e somente se fizer sentido no contexto do trabalho que est\u00e1 sendo feito. As perguntas podem acabar sendo como uma forma de tortura, por isso devem ser feitas com delicadeza, permitindo pausas. Se a sua investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa de todos esses detalhes, \u00e9 melhor obter um depoimento dado anteriormente pela v\u00edtima e cit\u00e1-lo em seu trabalho.<\/p>\n<p><strong>11. Considere diferentes abordagens para entender o trauma.<\/strong><\/p>\n<p>As palavras n\u00e3o s\u00e3o a \u00fanica forma de expressar dor. Encontre maneiras que o ajudem a entender as emo\u00e7\u00f5es da v\u00edtima sem precisar faz\u00ea-los reviver um momento doloroso. Pe\u00e7a-lhes que compartilhem um poema que escreveram, uma can\u00e7\u00e3o, um desenho, o trecho de um di\u00e1rio ou uma ora\u00e7\u00e3o que o ajude a compreender as emo\u00e7\u00f5es do entrevistado sem mexer no que ainda pode ser uma ferida aberta. Uma boa estrat\u00e9gia \u00e9 pedir \u00e0 v\u00edtima que descreva seus sonhos. Normalmente os sonhos t\u00eam narrativas t\u00e3o poderosas que voc\u00ea n\u00e3o precisa fazer perguntas que possam acabar com a v\u00edtima revivendo um momento traum\u00e1tico.<\/p>\n<p><strong>12. Tenha calma se a pessoa demonstrar ang\u00fastia ou chorar.<\/strong><\/p>\n<p>Entrevistas sobre eventos traum\u00e1ticos e perdas familiares s\u00e3o dolorosas e podem existir muitos motivos pelos quais seu entrevistado acabe chorando. \u00c0s vezes, falta tato na forma de fazer as perguntas, o pr\u00f3prio assunto provoca fortes emo\u00e7\u00f5es ou falar sobre um acontecimento significa liberar sentimentos reprimidos.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenha uma rea\u00e7\u00e3o exagerada se o entrevistado chorar. Com tato, pergunte o que ele precisa e ofere\u00e7a um pouco de \u00e1gua. Nem sempre \u00e9 uma boa ideia oferecer um len\u00e7o, pois isso pode ser interpretado como o jornalista apressando a v\u00edtima a controlar suas emo\u00e7\u00f5es e continuar a entrevista. Abra\u00e7ar pode ser invasivo e n\u00e3o \u00e9 recomendado, especialmente ao falar com v\u00edtimas de tortura ou viol\u00eancia sexual.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, os entrevistados podem sentir frustra\u00e7\u00e3o, raiva ou tristeza. S\u00e3o rea\u00e7\u00f5es normais nessa situa\u00e7\u00e3o. Se eles reclamarem da imprensa, \u00e9 melhor n\u00e3o reagir ou argumentar; em vez disso, ou\u00e7a. Se a situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ar a ficar fora de controle e voc\u00ea se sentir em perigo, sutilmente procure uma maneira de sair.<\/p>\n<p><strong>13. Considere a resili\u00eancia ao concluir sua entrevista.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Como voc\u00ea lidou com o que aconteceu?&#8221; e &#8220;O que voc\u00ea tem feito para continuar com sua vida?&#8221; s\u00e3o algumas perguntas que voc\u00ea pode usar para encerrar uma entrevista sobre temas dolorosos. \u00c9 importante abrir um espa\u00e7o para a resili\u00eancia, onde as v\u00edtimas possam falar sobre o que \u00e9 poss\u00edvel, e sobre a for\u00e7a dos indiv\u00edduos e a import\u00e2ncia da luta coletiva. Al\u00e9m de dar aos rep\u00f3rteres informa\u00e7\u00f5es valiosas, permite que voc\u00ea termine a entrevista falando sobre o que foi realizado, em vez de terminar com uma nota de tristeza ou trauma.<\/p>\n<p>Ao encerrar uma entrevista, os jornalistas devem agradecer \u00e0 v\u00edtima pela confian\u00e7a depositada ao compartilharem suas experi\u00eancias e por falarem sobre algo que lhes causa dor. Troque informa\u00e7\u00f5es de contato, mas evite fazer promessas que voc\u00ea n\u00e3o pode cumprir ou criar expectativas sobre o efeito que a entrevista pode ter na busca por justi\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>14. Analise todas as consequ\u00eancias poss\u00edveis.<\/strong><\/p>\n<p>Em certos contextos, como quando h\u00e1 viol\u00eancia generalizada e impunidade, todo jornalista tem o dever de pensar nas poss\u00edveis consequ\u00eancias para os entrevistados ao publicar a mat\u00e9ria. Analise &#8211; com as v\u00edtimas &#8211; se elas correm algum risco ao falar abertamente, perguntando se elas assumem esses riscos e como reduzi-los. Antes de publicar, voc\u00ea deve reler as informa\u00e7\u00f5es e avaliar &#8211; talvez com seu editor &#8211; quais partes podem ter consequ\u00eancias para as v\u00edtimas (por exemplo, revelar a identidade do criminoso) e pensar em uma estrat\u00e9gia para proteger as fontes. \u00c0s vezes, isso pode envolver a omiss\u00e3o de certos detalhes, esperar por outra oportunidade ou procurar outra maneira de publicar as informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>15. Verifique as informa\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p>Eventos traum\u00e1ticos muitas vezes podem afetar a mem\u00f3ria. Mem\u00f3rias mudam e podem ser alteradas pelo medo, pela necessidade de compreender o que aconteceu, pela passagem do tempo, pela vontade de esquecer, pelas revela\u00e7\u00f5es recentes sobre o caso, ou simplesmente ao escutar outros depoimentos. Esse tipo de entrevista exige muito cuidado se voc\u00ea deseja obter os detalhes corretos e o tipo de declara\u00e7\u00f5es que v\u00e3o dar apoio \u00e0 hist\u00f3ria publicada. Reserve um tempo durante as entrevistas para esclarecer os detalhes.<\/p>\n<p>Se esta \u00e9 uma mat\u00e9ria investigativa, \u00e9 importante que voc\u00ea fa\u00e7a uma reportagem consistente, procure poss\u00edveis testemunhas, busque evid\u00eancias que possam confirmar os depoimentos que voc\u00ea reuniu e certifique-se de n\u00e3o omitir os detalhes se encontrar alguma informa\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Ao entrevistar uma v\u00edtima ou sobrevivente, \u00e9 importante inform\u00e1-los se voc\u00ea estiver procurando por outras entrevistas para dar suporte, checar ou oferecer um contraponto ao depoimento da v\u00edtima. Se voc\u00ea entrevistar a pessoa acusada de ter cometido o crime ou quiser incluir a opini\u00e3o das autoridades, elas n\u00e3o devem dar a palavra final. N\u00e3o permita que seu trabalho vitimize novamente algu\u00e9m que lhe deu seu depoimento. A v\u00edtima deve ter a chance de responder a quaisquer acusa\u00e7\u00f5es feitas contra ela antes da publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das regras do jornalismo \u00e9 verificar as informa\u00e7\u00f5es. A regra ao trabalhar com esses temas \u00e9 n\u00e3o vitimizar novamente as v\u00edtimas.<\/p>\n<p>As fontes de consulta incluem:<\/p>\n<ul>\n<li><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/dartcenter.org\/sites\/default\/files\/en_tnj_0.pdf\">Trag\u00e9dias e jornalistas: guia para uma cobertura mais eficaz<\/a> (ingl\u00eas)<\/li>\n<li><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/dartcenter.org\/ochberg-fellowship-guidelines\">Diretrizes da bolsa Ochberg Fellowship<\/a> (ingl\u00eas)<\/li>\n<li><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/dartcenter.org\/content\/covering-breaking-news-interviewing-victims-and-survivors\">Cobrindo not\u00edcias: entrevistando v\u00edtimas e sobreviventes<\/a> (ingl\u00eas)<\/li>\n<li><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/cejil.org\/en\/publications\/manual-on-the-psico-social-perspective-on-the-investigation-of-human-rights-violations-only-in-spanish\/\">\u201cInvestigando os direitos humanos de uma perspectiva psicossocial\u201d<\/a>, um manual de Carlos M. Berist\u00e1in (espanhol)<\/li>\n<li><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.archivo.fnpi.org\/consultorio-etico\/consultorio\/\">\u201cO Gabinete de \u00c9tica M\u00e9dica\u201d<\/a>, por Javier Dar\u00edo Restrepo (espanhol)<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Leitura Adicional<\/h4>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.abraji.org.br\/noticias\/desaparecimentos-um-guia-para-investigar-pessoas-desaparecidas-e-o-crime-organizado\"><em>Guia para investigar pessoas desaparecidas e o crime organizado<\/em><\/a><em> (portugu\u00eas)<\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/gijn.org\/2020\/10\/06\/tracking-down-the-disappeared-top-tips-from-investigative-reporters-on-the-front-lines\/\">Rastreando os desaparecidos: dicas de rep\u00f3rteres investigativos na linha de frente<\/a><\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/gijn.org\/2020\/09\/29\/how-to-investigate-forced-disappearances-in-latin-america\/\">Como investigar desaparecimentos for\u00e7ados na Am\u00e9rica Latina<\/a> (ingl\u00eas)<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Screen-Shot-2021-03-25-at-4.49.36-PM.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-319073 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Screen-Shot-2021-03-25-at-4.49.36-PM-140x140.png\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"140\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Screen-Shot-2021-03-25-at-4.49.36-PM-140x140.png 140w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Screen-Shot-2021-03-25-at-4.49.36-PM-60x60.png 60w\" sizes=\"auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/><\/a><em><strong><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/marcelaturati\">Marcela Turati<\/a><\/strong> \u00e9 jornalista investigativa freelance e cofundadora da <a href=\"https:\/\/gijn.org\/member\/quinto-elemento-lab-mexico\/\">Quinto Elemento Lab<\/a>, organiza\u00e7\u00e3o mexicana de jornalismo investigativo sem fins lucrativos, e do site \u201c<a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/adondevanlosdesaparecidos.org\/\">Where Do the Disappeared Go?<\/a>\u201d. Turati \u00e9 conhecida por suas investiga\u00e7\u00f5es sobre pessoas desaparecidas, desaparecimentos for\u00e7ados, massacres de migrantes e valas comuns.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o existe um m\u00e9todo infal\u00edvel para entrevistar pessoas que foram v\u00edtimas ou sobreviventes de eventos traum\u00e1ticos, como viol\u00eancia, crimes, desastres ou acidentes. Mas Marcela Turati, cofundadora da Quinto Elemento Lab, organiza\u00e7\u00e3o mexicana de jornalismo investigativo sem fins lucrativos, compartilha recomenda\u00e7\u00f5es que podem ser usadas para conduzir uma entrevista humana, sens\u00edvel e respeitosa.<\/p>\n","protected":false},"author":3031175,"featured_media":316921,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"republication-tracker-tool-hide-widget":false,"footnotes":"","_tec_slr_enabled":"","_tec_slr_layout":""},"categories":[23170],"tags":[10145,24867,10931,5035,10932,10930,3197,10929],"gijn_topic":[18816],"series":[],"gijn_language":[17797],"gijn_region":[],"class_list":["post-352480","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-entrevista","tag-mexico-pt-br","tag-sobreviventes","tag-tecnicas","tag-testemunhas","tag-tragedia","tag-trauma","tag-vitimas","gijn_topic-noticias-e-analises","gijn_language-pt-pt-pt-pt"],"acf":[],"ticketed":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352480","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3031175"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=352480"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352480\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/316921"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=352480"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=352480"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=352480"},{"taxonomy":"gijn_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_topic?post=352480"},{"taxonomy":"series","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/series?post=352480"},{"taxonomy":"gijn_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_language?post=352480"},{"taxonomy":"gijn_region","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_region?post=352480"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}