{"id":3085002,"date":"2026-06-23T06:36:59","date_gmt":"2026-06-23T10:36:59","guid":{"rendered":"https:\/\/gijn.org\/?p=3085002"},"modified":"2026-07-09T04:52:40","modified_gmt":"2026-07-09T08:52:40","slug":"introducao-ao-jornalismo-investigativo-verificacao-de-fatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/recursos\/introducao-ao-jornalismo-investigativo-verificacao-de-fatos\/","title":{"rendered":"Introdu\u00e7\u00e3o ao Jornalismo Investigativo: Verifica\u00e7\u00e3o de Fatos"},"content":{"rendered":"<p>Ent\u00e3o voc\u00ea j\u00e1 tem um rascunho da hist\u00f3ria pronto. E agora?<\/p>\n<aside>A verifica\u00e7\u00e3o de fatos analisa minuciosamente a reportagem para garantir que seja s\u00f3lida, precisa e imparcial.<\/aside>\n<p>Voc\u00ea trabalhou arduamente em sua mat\u00e9ria, pesquisando e apurando os fatos por v\u00e1rias semanas \u2014 ou at\u00e9 meses. Voc\u00ea e seu editor finalmente chegaram a um acordo sobre o rascunho. Agora vem a tarefa aparentemente desafiadora da checagem de fatos \u2014 garantir que cada afirma\u00e7\u00e3o em seu texto resista a uma an\u00e1lise rigorosa.<\/p>\n<p>Mas sem as ferramentas certas para se manter organizado desde o in\u00edcio da sua pesquisa e um processo deliberado incorporado \u00e0 sua apura\u00e7\u00e3o para rastrear suas fontes, pode ser quase imposs\u00edvel verificar os fatos da sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>No entanto, isso n\u00e3o precisa ser t\u00e3o dif\u00edcil. Este cap\u00edtulo descreve como desenvolver um processo que tornar\u00e1 tudo mais simples, e at\u00e9 f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Aqui, vamos nos concentrar na pr\u00e1tica de checagem de fatos de sua pr\u00f3pria mat\u00e9ria ou da mat\u00e9ria de um colega <i>dentro<\/i> da reda\u00e7\u00e3o e <i>antes<\/i> da publica\u00e7\u00e3o ou veicula\u00e7\u00e3o \u2014 o que \u00e9 conhecido como checagem de fatos <i>interna pr\u00e9-publica\u00e7\u00e3o<\/i>. Este cap\u00edtulo n\u00e3o aborda a checagem de fatos <i>externa<\/i> ou <i>independente<\/i> que ocorre, por exemplo, quando ve\u00edculos como <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.politifact.com\/\">Politifact<\/a>, <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.factcheck.org\/fake-news\/\">FactCheck.org<\/a>, <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.reuters.com\/fact-check\/\">Reuters Fact Check<\/a>, <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/factcheck.africa\/\">African Fact-Checking Alliance<\/a> ou <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/factchecker.in\">FactChecker.in<\/a> desmentem informa\u00e7\u00f5es falsas em redes sociais ou outros meios. (Para uma an\u00e1lise mais detalhada sobre este t\u00f3pico, consulte o <a href=\"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/recursos\/um-guia-para-blindar-suas-historias-investigativas\/\">Guia para blindar suas hist\u00f3rias investigativas<\/a> da GIJN.)<\/p>\n<h2><b>Checagem de fatos hoje\u00a0<\/b><\/h2>\n<div id=\"attachment_2030979\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Chicago-Guide-to-Fact-Checking-336x506-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2030979\" class=\"wp-image-2030979 size-full\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Chicago-Guide-to-Fact-Checking-336x506-1.png\" alt=\"\" width=\"336\" height=\"506\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2030979\" class=\"wp-caption-text\">\u201cGuia de Chicago para Checagem de Fatos\u201d, Imagem: Captura de tela, The University of Chicago Press<\/p><\/div>\n<p>No livro \u201c<a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/press.uchicago.edu\/ucp\/books\/book\/chicago\/C\/bo194938501.html\">Chicago Guide to Fact-Checking<\/a>\u201d (Guia de Chicago para Checagem de Fatos), a autora Brooke Borel citou o chefe do departamento de pesquisa da revista Vanity Fair, John Banta, que resumiu o papel do verificador de fatos: \u201cN\u00f3s prestamos um servi\u00e7o em que entramos e desmontamos tudo \u2014 tiramos o motor do carro, jogamos as pe\u00e7as no ch\u00e3o e remontamos tudo\u201d.<\/p>\n<p>A verifica\u00e7\u00e3o de fatos analisa a reportagem para garantir que ela seja s\u00f3lida, precisa e imparcial, uma tarefa crucial nas reda\u00e7\u00f5es que era muito mais comum d\u00e9cadas atr\u00e1s, quando as revistas de not\u00edcias geralmente tinham verificadores de fatos em suas equipes.<\/p>\n<p>Hoje em dia, no entanto, \u00e9 raro encontrar verificadores de fatos em tempo integral nas reda\u00e7\u00f5es, principalmente porque os or\u00e7amentos diminu\u00edram nas \u00faltimas d\u00e9cadas e as reda\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem mais pag\u00e1-los. Dito isso, algumas revistas de not\u00edcias ainda t\u00eam departamentos de verifica\u00e7\u00e3o de fatos, como a <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.newyorker.com\/magazine\/2018\/10\/15\/daniel-radcliffe-and-the-art-of-the-fact-check\">The New Yorker<\/a>. Outras revistas de not\u00edcias americanas verificam os fatos usando quaisquer recursos dispon\u00edveis: por exemplo, na <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/thenationfund.org\/what-we-do\/internship\/\">The Nation<\/a>, seu grupo rotativo, por\u00e9m robusto, de estagi\u00e1rios \u00e9 respons\u00e1vel pela verifica\u00e7\u00e3o de fatos. Ainda assim, \u00e9 muito mais comum nas reda\u00e7\u00f5es atualmente encontrar rep\u00f3rteres respons\u00e1veis \u200b\u200bexclusivamente pela verifica\u00e7\u00e3o de fatos de suas pr\u00f3prias mat\u00e9rias, cabendo ao departamento jur\u00eddico a palavra final.<\/p>\n<p>Quem realiza a verifica\u00e7\u00e3o de fatos \u2014 seja um verificador freelancer, um membro de uma equipe de projeto investigativo ou o pr\u00f3prio rep\u00f3rter \u2014 geralmente segue um cronograma com certas etapas. Se, por exemplo, voc\u00ea trabalha em uma reda\u00e7\u00e3o com um verificador de fatos, o processo pode ser algo como: quando voc\u00ea tem um rascunho pronto, voc\u00ea o compartilha com o verificador, juntamente com suas fontes, anota\u00e7\u00f5es e qualquer outro material usado para produzir a hist\u00f3ria. A menos que a reda\u00e7\u00e3o siga o m\u00e9todo de verifica\u00e7\u00e3o de fatos &#8220;estilo revista&#8221;, no qual cada uma das afirma\u00e7\u00f5es \u00e9 verificada, o verificador pode conversar com o rep\u00f3rter para discutir quais trechos da mat\u00e9ria devem ser revisados \u200b\u200be como.<\/p>\n<p>Uma vez que a verifica\u00e7\u00e3o dos fatos esteja completa, o verificador apresentar\u00e1 as altera\u00e7\u00f5es que julgar necess\u00e1rias, justificando-as, e os editores da reportagem poder\u00e3o decidir quais mudan\u00e7as s\u00e3o apropriadas. Em seguida, a vers\u00e3o final \u00e9 encaminhada ao departamento jur\u00eddico (ou, em alguns casos, o departamento jur\u00eddico pode revisar o rascunho antes que a verifica\u00e7\u00e3o seja finalizada) e, posteriormente, \u00e0 equipe de revis\u00e3o antes da publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Independentemente de ser feita pelo rep\u00f3rter ou por outra pessoa, toda investiga\u00e7\u00e3o precisa absolutamente ser verificada. Por que isso \u00e9 t\u00e3o importante? Em seu livro, Borel explica de forma simples: \u201cEntre toda leitura, entrevistas e reflex\u00f5es, a base pode rachar e desmoronar. Talvez o problema seja m\u00ednimo \u2013 um simples mal-entendido ou erro de transcri\u00e7\u00e3o\u2026 Se a rachadura for pequena e as fontes restantes forem s\u00f3lidas, a hist\u00f3ria pode sobreviver. Mesmo assim, \u00e9 uma rachadura, e um leitor atento come\u00e7a a questionar o restante da hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>Se surgirem muitas dessas pequenas rachaduras em seu trabalho, elas podem corroer a credibilidade da pe\u00e7a e a confian\u00e7a de seus leitores \u2013 ainda mais se esses erros envolverem citar incorretamente uma fonte ou falhar em fornecer contexto necess\u00e1rio para uma cita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, considerando a raridade de ter seu pr\u00f3prio trabalho verificado por um verificador de fatos interno, vamos analisar como revisar suas reportagens investigativas com o mesmo rigor de um verificador de fatos de reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2><b>Dicas e ferramentas<\/b><\/h2>\n<h4><b>Mantenha-se organizado<\/b><\/h4>\n<aside>Ao trabalhar em seu rascunho, anote de onde vem cada afirma\u00e7\u00e3o.<\/aside>\n<p>A coisa mais importante que voc\u00ea pode fazer para facilitar o processo de verifica\u00e7\u00e3o de fatos \u00e9 estabelecer um sistema de organiza\u00e7\u00e3o consistente para voc\u00ea. Desenvolva um com o qual voc\u00ea se sinta confort\u00e1vel \u2014 usando o Dropbox, o Google Drive ou simplesmente o disco r\u00edgido do seu pr\u00f3prio computador (mas certifique-se de ter um disco de backup) \u2014 e organize suas pastas usando conven\u00e7\u00f5es de nomenclatura f\u00e1ceis de reconhecer. Se voc\u00ea estiver trabalhando em equipe, certifique-se de discutir com os outros membros como voc\u00eas planejam organizar o trabalho colaborativo e combinar de manter a consist\u00eancia. Crie uma lista de contatos para cada fonte com quem voc\u00ea conversar, registre quando falou com elas e crie uma pasta espec\u00edfica para as grava\u00e7\u00f5es das entrevistas.<\/p>\n<p>Mesmo antes de ter uma ideia clara de para onde sua hist\u00f3ria est\u00e1 indo, estabelecer um sistema e segui-lo \u00e9 crucial. Minha ex-colega, a arquivista Talya Cooper, <a href=\"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/artigos\/por-que-jornalistas-precisam-de-um-sistema-de-arquivamento\/\">tamb\u00e9m tem muitas dicas \u00f3timas<\/a> para organizar sua reportagem, especialmente para lidar com material sens\u00edvel.<\/p>\n<h4><b>Anote sua hist\u00f3ria<\/b><\/h4>\n<p>Fazer anota\u00e7\u00f5es \u00e9 fundamental para garantir que voc\u00ea possa comprovar facilmente cada fato afirmado.<\/p>\n<p>Ao trabalhar em seu rascunho, anote a origem de cada afirma\u00e7\u00e3o. Existem v\u00e1rias maneiras de fazer isso, mas minha prefer\u00eancia pessoal \u00e9 usar notas de rodap\u00e9 para documentar a fonte ap\u00f3s cada frase. Alguns jornalistas revisam suas mat\u00e9rias em um editor de texto e separam cada afirma\u00e7\u00e3o em uma planilha, com uma coluna para cada afirma\u00e7\u00e3o e as colunas seguintes indicando sua fonte, incluindo links, nomes de arquivos e marca\u00e7\u00f5es de tempo do \u00e1udio.<\/p>\n<p>Certifique-se de manter a consist\u00eancia. Seu sistema de armazenar e organizar seu material ser\u00e1 fundamental para garantir que as anota\u00e7\u00f5es sejam f\u00e1ceis de encontrar e que algu\u00e9m que n\u00e3o esteja familiarizado com o rascunho possa identificar facilmente a fonte de cada informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><b>Certifique-se da solidez de suas fontes<\/b><\/h4>\n<p>Para auxiliar na verifica\u00e7\u00e3o dos fatos, certifique-se de que as fontes com as quais voc\u00ea est\u00e1 contando sejam confi\u00e1veis, imparciais e precisas.<\/p>\n<p>Ao reportar, voc\u00ea utilizar\u00e1 amplamente fontes prim\u00e1rias, incluindo (mas certamente n\u00e3o se limitando a): documentos e conjuntos de dados de ag\u00eancias governamentais; material de arquivo; registros judiciais; entrevistas; e comunicados de imprensa. N\u00e3o confie em m\u00eddias sociais ou postagens em blogs que n\u00e3o citem a fonte de suas informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Wikip\u00e9dia pode ser um bom recurso para quando se est\u00e1 come\u00e7ando a pesquisar uma hist\u00f3ria. No entanto, <i>n\u00e3o<\/i> \u00e9 uma fonte confi\u00e1vel ou aceit\u00e1vel para citar, pois qualquer pessoa pode editar uma p\u00e1gina e adicionar informa\u00e7\u00f5es sem mencionar a fonte.<\/p>\n<p>Entretanto, aplicativos de intelig\u00eancia artificial como o ChatGPT est\u00e3o emergindo como ferramentas comumente usadas, mas s\u00e3o pouco confi\u00e1veis. Em 2023, um advogado representando um autor em um processo civil na \u00e1rea da avia\u00e7\u00e3o nos EUA usou o ChatGPT para preparar uma peti\u00e7\u00e3o. Como <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2023\/05\/27\/nyregion\/avianca-airline-lawsuit-chatgpt.html\">relatou<\/a> Benjamin Weiser para o The New York Times: \u201cHavia apenas um problema: ningu\u00e9m \u2013 nem os advogados da companhia a\u00e9rea, nem mesmo o pr\u00f3prio juiz \u2013 conseguiu encontrar as decis\u00f5es ou as cita\u00e7\u00f5es mencionadas e resumidas na peti\u00e7\u00e3o. Isso porque o ChatGPT havia inventado tudo\u201d.<\/p>\n<h4><b>Salve seus links<\/b><\/h4>\n<div id=\"attachment_2030956\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/shutterstock_1071846860-771x514-2-336x224-1.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2030956\" class=\"wp-image-2030956 size-full\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/shutterstock_1071846860-771x514-2-336x224-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"336\" height=\"224\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2030956\" class=\"wp-caption-text\">O Wayback Machine pode ser uma ferramenta vital para verificar a veracidade de p\u00e1ginas da web antigas. Imagem: Shutterstock<\/p><\/div>\n<p>Al\u00e9m de documentos, registros p\u00fablicos e entrevistas com fontes, voc\u00ea pode usar material de pesquisa encontrado online. Como p\u00e1ginas da web, artigos e publica\u00e7\u00f5es em redes sociais podem ser removidos ou alterados em um instante, \u00e9 importante n\u00e3o apenas salvar os links, mas tamb\u00e9m arquiv\u00e1-los caso deixem de funcionar. O <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/web.archive.org\/\">Wayback Machine<\/a> \u00e9 uma ferramenta essencial para isso e tamb\u00e9m uma \u00f3tima maneira de acessar vers\u00f5es arquivadas de p\u00e1ginas antigas: \u00e9 poss\u00edvel voltar a v\u00e1rios momentos no tempo para ver como uma p\u00e1gina da web era anos ou at\u00e9 d\u00e9cadas atr\u00e1s. Se voc\u00ea quiser salvar uma publica\u00e7\u00e3o de uma rede social que encontrar no X (antigo Twitter), por exemplo, pode salv\u00e1-la no <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/archive.is\">archive.is<\/a>.<\/p>\n<h4><b>Quest\u00f5es cr\u00edticas de verifica\u00e7\u00e3o de fatos<\/b><\/h4>\n<p>Durante meu primeiro emprego em tempo integral como verificadora de fatos no The Intercept, a antiga equipe de verifica\u00e7\u00e3o desenvolveu um conjunto de diretrizes que eu consultava regularmente sempre que verificava uma informa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tinha fontes adequadas ou se as fontes n\u00e3o confirmassem a afirma\u00e7\u00e3o. Nesses momentos, meus colegas verificadores e eu nos faz\u00edamos as seguintes perguntas:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Podemos afirmar com seguran\u00e7a que esta declara\u00e7\u00e3o \u00e9 verdadeira?<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Podemos apresentar evid\u00eancias que levariam um c\u00e9tico a compartilhar da minha convic\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Podemos conceber um cen\u00e1rio realista em que me sejam apresentadas contra-evid\u00eancias que obriguem a minha publica\u00e7\u00e3o a publicar uma corre\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<\/ul>\n<p>Caso n\u00e3o consegu\u00edssemos responder a alguma dessas perguntas com confian\u00e7a, saber\u00edamos que dever\u00edamos buscar outras fontes ou sugerir uma reda\u00e7\u00e3o alternativa ao rep\u00f3rter. Ao verificar os fatos do seu pr\u00f3prio trabalho, tenha essas perguntas em mente.<\/p>\n<h4><b>Prioridades de verifica\u00e7\u00e3o de fatos<\/b><\/h4>\n<p>Embora seja crucial garantir que cada afirma\u00e7\u00e3o factual em sua mat\u00e9ria esteja correta, \u00e9 igualmente importante reconhecer que tipo de fatos podem atrair mais aten\u00e7\u00e3o caso se mostrem incorretos. Esta \u00e9 uma lista \u00fatil do que priorizar.<\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Declara\u00e7\u00f5es que difamam uma pessoa ou organiza\u00e7\u00e3o, qualquer coisa que possa ser considerada difamat\u00f3ria;<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas ou financeiras, especialmente se n\u00e3o tiverem sido reportadas anteriormente;<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Resumos de estudos acad\u00eamicos;<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Descri\u00e7\u00f5es de argumentos jur\u00eddicos (analise documentos de ambos os lados de um caso);<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Estat\u00edsticas, n\u00fameros de v\u00edtimas e outros dados num\u00e9ricos;<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Datas e cronologia de eventos;<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">An\u00e1lises estat\u00edsticas ou de outra natureza realizadas pelo rep\u00f3rter;<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Descri\u00e7\u00f5es ou resumos de pol\u00edticas ou leis oficiais;<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Descri\u00e7\u00f5es de reportagens de terceiros;<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Grafias formais de nomes;<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Descri\u00e7\u00f5es de eventos hist\u00f3ricos conhecidos;<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Afirma\u00e7\u00f5es generalizadas e superlativos: \u201cUma das maiores taxas de\u2026\u201d;<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Informa\u00e7\u00f5es biogr\u00e1ficas obtidas por meio de entrevistas.<\/li>\n<\/ul>\n<p><b>Evite erros comuns<\/b><\/p>\n<aside>Com tudo aquilo que voc\u00ea <i>acha<\/i> que sabe, verifique mesmo assim.<\/aside>\n<p>Quando perguntados sobre o tipo de erros que encontram com mais frequ\u00eancia, os verificadores de fatos geralmente respondem que s\u00e3o aqueles que ocorrem quando jornalistas escrevem de mem\u00f3ria. Esses erros envolvem diversos problemas comuns.<\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Nomes e t\u00edtulos: \u00c9 f\u00e1cil confundir t\u00edtulos de executivos corporativos, como Presidente do Conselho ou CEO, por exemplo;<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Superlativos: Por exemplo, se voc\u00ea quiser dizer: &#8220;O furac\u00e3o Beryl foi o pior furac\u00e3o j\u00e1 registrado&#8221;. Como ele foi &#8220;o pior&#8221;? Em termos da categoria de tempestade \u00e0 qual pertence? E em termos de n\u00famero de mortes? \u00c9 bom ser mais espec\u00edfico em vez de depender de superlativos;<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Informa\u00e7\u00f5es contextuais: Datas, hor\u00e1rios, locais;<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">N\u00fameros e estat\u00edsticas;<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\">Cita\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Com qualquer informa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea <i>ache<\/i> que sabe, verifique mesmo assim. A mem\u00f3ria humana falha facilmente, at\u00e9 mesmo dos jornalistas mais experientes. N\u00e3o \u00e9 incomum que um rep\u00f3rter lembre incorretamente do ano em que uma determinada lei foi promulgada ou do cargo que um executivo de uma empresa ocupava. N\u00e3o confie na mem\u00f3ria como fonte, sempre verifique duas vezes.<\/p>\n<p><b>Melhores jornalistas, melhores hist\u00f3rias<\/b><\/p>\n<p>Resumindo os principais pontos deste guia: Crie um sistema para garantir que voc\u00ea possa acessar facilmente o material que utilizou e fa\u00e7a anota\u00e7\u00f5es em seu rascunho enquanto trabalha nele. N\u00e3o confie na mem\u00f3ria. Verifique e revise tudo.<\/p>\n<p>S\u00e3o esses h\u00e1bitos que ajudar\u00e3o a incorporar a verifica\u00e7\u00e3o de fatos como parte integrante do seu processo de reportagem. Isso, por sua vez, contribuir\u00e1 para que voc\u00ea se torne um jornalista melhor e suas investiga\u00e7\u00f5es mais confi\u00e1veis \u200b\u200be impactantes.<\/p>\n<p><i>Margot Williams contribuiu para este cap\u00edtulo.<\/i><\/p>\n<hr \/>\n<p><b><i><\/i><\/b><b><i><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Mariam-Elba.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-1735748 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Mariam-Elba-140x140.png\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"140\" \/><\/a>Mariam Elba<\/i><\/b><i> \u00e9 pesquisadora de not\u00edcias, baseada em Nova York. Atualmente, trabalha na ProPublica como rep\u00f3rter de pesquisa, apoiando investiga\u00e7\u00f5es locais nos Estados Unidos. Anteriormente, foi editora de pesquisa associada no The Intercept, onde liderou a equipe de checagem de fatos.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b><i><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Screenshot-2024-11-10-at-18.56.36.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-1873059 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Screenshot-2024-11-10-at-18.56.36-140x140.png\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"140\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Screenshot-2024-11-10-at-18.56.36-140x140.png 140w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Screenshot-2024-11-10-at-18.56.36.png 266w\" sizes=\"auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/><\/a>Margot Williams<\/i><\/b><i> \u00e9 editora de pesquisa para investiga\u00e7\u00f5es no The Intercept. Ela tamb\u00e9m trabalhou no The New York Times, na NPR, no Cons\u00f3rcio Internacional de Jornalistas Investigativos e no The Washington Post, onde, durante 14 anos no jornal, foi membro de duas equipes vencedoras do Pr\u00eamio Pulitzer: uma por uma investiga\u00e7\u00e3o em 1998 sobre os tiroteios da pol\u00edcia de Washington, D.C. contra civis e outra por uma cobertura nacional sobre terrorismo em 2001.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A checagem de fatos analisa minuciosamente a reportagem para garantir que ela seja s\u00f3lida, precisa e imparcial, uma tarefa crucial para as reda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"author":3031175,"featured_media":1959704,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"TEC\\Tickets\\Commerce\\Module","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"republication-tracker-tool-hide-widget":false,"footnotes":"","_tec_slr_enabled":"","_tec_slr_layout":""},"categories":[23167,23166,23164],"tags":[25212,28781,19860],"gijn_topic":[],"series":[],"gijn_language":[],"gijn_region":[],"class_list":["post-3085002","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capitulo","category-guia","category-recursos","tag-checagem-de-fatos-pt-br","tag-introducao-ao-jornalismo-investigativo","tag-verificacao-de-fatos-pt-pt"],"acf":[],"ticketed":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3085002","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3031175"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3085002"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3085002\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3111122,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3085002\/revisions\/3111122"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1959704"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3085002"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3085002"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3085002"},{"taxonomy":"gijn_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_topic?post=3085002"},{"taxonomy":"series","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/series?post=3085002"},{"taxonomy":"gijn_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_language?post=3085002"},{"taxonomy":"gijn_region","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_region?post=3085002"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}