{"id":3074380,"date":"2026-06-17T18:44:23","date_gmt":"2026-06-17T22:44:23","guid":{"rendered":"https:\/\/gijn.org\/?p=3074380"},"modified":"2026-06-22T18:46:17","modified_gmt":"2026-06-22T22:46:17","slug":"introducao-ao-jornalismo-investigativo-tecnicas-de-entrevista-para-iniciantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/recursos\/introducao-ao-jornalismo-investigativo-tecnicas-de-entrevista-para-iniciantes\/","title":{"rendered":"Introdu\u00e7\u00e3o ao Jornalismo Investigativo: T\u00e9cnicas de entrevista para iniciantes"},"content":{"rendered":"<p>O jornalismo depende muito de entrevistas, e o jornalismo investigativo n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. As investiga\u00e7\u00f5es mais s\u00f3lidas geralmente incluem m\u00faltiplas e extensas entrevistas. Desde os passos iniciais para confirmar um vazamento ou uma ideia de pauta, at\u00e9 entrevistas confrontativas com as principais fontes para apurar os fatos, o rep\u00f3rter investigativo muitas vezes precisa seguir diversas pistas para produzir uma mat\u00e9ria.<\/p>\n<aside>Para um rep\u00f3rter investigativo\u2026 toda entrevista \u00e9 um momento de busca pela verdade.<\/aside>\n<p>Por mais b\u00e1sico e repetitivo que o exerc\u00edcio possa parecer \u00e0 primeira vista, entrevistar n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil quanto aparenta. Requer uma combina\u00e7\u00e3o de talento, persist\u00eancia e t\u00e9cnicas bem pensadas. Os melhores entrevistadores s\u00e3o atenciosos, perspicazes e atentos a pistas importantes. Geralmente, utilizam uma variedade de conhecimentos, habilidades e uma prepara\u00e7\u00e3o minuciosa.<\/p>\n<p>Este cap\u00edtulo examina v\u00e1rios tipos de entrevistas, abordagens e t\u00e9cnicas que, juntas, contribuem para a sensa\u00e7\u00e3o de estar no caminho certo, seguidas pela pesquisa, a documenta\u00e7\u00e3o e, finalmente \u2014 a hist\u00f3ria importante.<\/p>\n<h4><b>A entrevista: rotina di\u00e1ria ou necessidade?<\/b><\/h4>\n<p>Existem entrevistas e entrevistas. Para um apresentador de TV, uma entrevista pode ser informal ou descontra\u00edda. Para um rep\u00f3rter investigativo, a tarefa \u00e9 totalmente diferente: toda entrevista \u00e9 um momento de busca pela verdade. \u00c9 um momento crucial durante o qual se pode facilmente perder uma oportunidade ou, se tudo correr bem, ser recompensado com uma revela\u00e7\u00e3o inesperada e importante.<\/p>\n<p>Para jornalistas investigativos, entrevistar \u00e9 uma quest\u00e3o de seguir pistas: onde uma resposta a uma pergunta espec\u00edfica leva, muitas vezes, a outra pergunta. Lembre-se: no jornalismo investigativo, aprendemos a n\u00e3o aceitar nenhuma declara\u00e7\u00e3o, resposta ou fato como verdade absoluta at\u00e9 que seja comprovado. Isso torna o papel do entrevistador investigativo uma tarefa desafiadora que, por vezes, pode se assemelhar a uma per\u00edcia judicial. Embora diferentes em seus mandatos, poderes, fun\u00e7\u00f5es e abordagens, o rep\u00f3rter investigativo e o policial t\u00eam algo em comum: por meio de perguntas e respostas, ambos buscam obter a verdade ou estabelecer os fatos.<\/p>\n<p>Ao realizar uma reportagem investigativa, o rep\u00f3rter precisa de entrevistas para obter mais informa\u00e7\u00f5es: seja para confirmar ou refutar suas suposi\u00e7\u00f5es, para verificar declara\u00e7\u00f5es ou alega\u00e7\u00f5es feitas por fontes iniciais, ou para confrontar fontes.<\/p>\n<p>Portanto, ser capaz de controlar as intera\u00e7\u00f5es envolvidas em qualquer entrevista e de se adaptar a diferentes cen\u00e1rios e personalidades \u00e9 uma necessidade absoluta. Raramente conseguimos que as fontes nos revelem tudo o que sabem sem antes vencer sua relut\u00e2ncia em falar. A\u00ed reside a arte da entrevista e, para jornalistas investigativos, dominar essa habilidade \u00e9 imprescind\u00edvel.<\/p>\n<aside>Antes de qualquer entrevista ser conduzida, \u00e9 fundamental conhecer todos os fatos (ou o m\u00e1ximo poss\u00edvel) sobre os eventos em quest\u00e3o.<\/aside>\n<p>Algumas entrevistas podem ser bem planejadas, com solicita\u00e7\u00f5es formais enviadas com bastante anteced\u00eancia, por e-mail ou telefone. Em alguns pa\u00edses, inclusive na \u00c1frica, uma carta oficial pode ser necess\u00e1ria ao entrevistar um funcion\u00e1rio p\u00fablico ou um representante do governo.<\/p>\n<p>Por vezes, as entrevistas podem ocorrer de forma aparentemente improvisada: isso acontece quando o rep\u00f3rter se depara quase \u201cacidentalmente\u201d com um entrevistado de dif\u00edcil acesso. Em outras ocasi\u00f5es, o rep\u00f3rter pode optar, por raz\u00f5es v\u00e1lidas, por \u201csurpreender\u201d o entrevistado e aparecer sem aviso pr\u00e9vio. As chances de sucesso nem sempre s\u00e3o garantidas, mas em alguns casos vale a pena tentar.<\/p>\n<p>Um <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.ire.org\/a-guide-to-mastering-the-investigative-interview\/\">guia editado<\/a> pela <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.ire.org\/\">Investigative Reporters and Editors<\/a> (IRE) descreve tr\u00eas tipos principais de perguntas\/entrevistas, com base em dicas compartilhadas por Julian Sher, produtor do programa The Fifth Estate da CBC, em uma confer\u00eancia realizada em Nova Orleans em 2016:<\/p>\n<ol>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"2\">Para obter informa\u00e7\u00f5es<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"2\">Para obter emo\u00e7\u00f5es<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"2\">Para fazer com que as pessoas prestem contas de seus atos<\/li>\n<\/ol>\n<p>Diversos fatores podem determinar o tipo de perguntas a serem feitas e, \u00e0s vezes, os tr\u00eas podem ser combinados.<\/p>\n<h4><b>Prepara\u00e7\u00e3o<\/b><\/h4>\n<p>Uma boa entrevista depende, antes de tudo, de prepara\u00e7\u00e3o. A entrevista de um rep\u00f3rter investigativo n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Nesse caso, a prepara\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda maior. Os temas abordados por rep\u00f3rteres investigativos s\u00e3o sens\u00edveis, controversos, complexos e envolvem a descoberta da verdade, muitas vezes ocultada \u2014 ou, pelo menos, n\u00e3o revelada espontaneamente. A prepara\u00e7\u00e3o inclui muita pesquisa sobre o hist\u00f3rico e o ambiente da pessoa entrevistada para que a investiga\u00e7\u00e3o seja mais eficaz.<\/p>\n<p><b>Pesquisa<\/b><\/p>\n<p>Bons jornalistas investigativos s\u00e3o bons pesquisadores. Antes de qualquer entrevista ser conduzida, \u00e9 fundamental conhecer todos os fatos (ou o m\u00e1ximo poss\u00edvel) sobre os eventos em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso inclui procurar declara\u00e7\u00f5es ou posicionamentos anteriores da pessoa com quem voc\u00ea est\u00e1 conversando, incluindo alega\u00e7\u00f5es, se houver, contra ela. Voc\u00ea tamb\u00e9m precisar\u00e1 de um bom conhecimento do assunto central da investiga\u00e7\u00e3o. Aprender um pouco sobre a vida social e os hobbies do entrevistado pode ajudar: conversar um pouco sobre futebol, m\u00fasica, livros ou lugares estrangeiros pode ser uma \u00f3tima maneira de quebrar o gelo.<\/p>\n<p>Entrar na entrevista sem esse conhecimento enfraquece o entrevistador e pode permitir que a pessoa com quem est\u00e1 conversando assuma o controle da situa\u00e7\u00e3o. Deveria ser o contr\u00e1rio. O entrevistador deve estar no controle durante todo o processo. Essa fase de pesquisa \u00e9 ainda mais crucial em uma entrevista confrontativa, na qual o rep\u00f3rter investigativo busca estabelecer a verdade ou fazer com que a pessoa entrevistada admita algo nunca antes admitido, \u00e0s vezes incluindo informa\u00e7\u00f5es que o entrevistado pode ter tentado negar ou esconder do p\u00fablico.<\/p>\n<p><b>Prepare-se para gravar e fazer anota\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p>Nenhum rep\u00f3rter investigativo deve conduzir uma entrevista, exceto em circunst\u00e2ncias excepcionais, sem um gravador e um caderno de anota\u00e7\u00f5es. Alguns levam apenas um ou outro. Mas, para registrar tudo o que acontece em uma entrevista, ambos os dispositivos s\u00e3o necess\u00e1rios, mesmo com fontes amig\u00e1veis. Enquanto o gravador registra o que \u00e9 dito, o caderno de anota\u00e7\u00f5es \u00e9 essencial para registrar a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o verbal, anotar pontos importantes, garantir que nenhuma pergunta seja esquecida na sequ\u00eancia e evitar problemas t\u00e9cnicos.<\/p>\n<aside>Ap\u00f3s seguir uma pista ou um vazamento de informa\u00e7\u00f5es, o rep\u00f3rter pode encontrar muitas informa\u00e7\u00f5es que contradizem declara\u00e7\u00f5es feitas anteriormente.<\/aside>\n<p>Em alguns pa\u00edses, obter o consentimento formal antes de gravar a entrevista \u00e9 imprescind\u00edvel. Uma vez obtido o consentimento, quanto mais discreto for o gravador, melhor. Isso pode deixar o entrevistado menos na defensiva.<\/p>\n<p>Em algumas ocasi\u00f5es, entrevistas que permitem aos rep\u00f3rteres coletar informa\u00e7\u00f5es adicionais para contextualiza\u00e7\u00e3o podem ser conduzidas extraoficialmente. Esse tipo de entrevista geralmente \u00e9 realizado nesse formato se uma fonte poderia estar em risco e poderia possuir informa\u00e7\u00f5es relevantes relacionadas ao tema investigado. Se um jornalista concordou em conversar extraoficialmente com uma fonte, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel cit\u00e1-la ou mencion\u00e1-la na mat\u00e9ria, a menos que o rep\u00f3rter entre em contato novamente com a fonte e haja um acordo para que a conversa seja registrada oficialmente.<\/p>\n<h4><b>Quem entrevistar, quando e por qu\u00ea?<\/b><\/h4>\n<p>Existem muitos tipos de fontes em uma reportagem investigativa. No entanto, podemos tentar agrup\u00e1-las em categorias. Em cada categoria, as habilidades e as abordagens necess\u00e1rias podem diferir ou, \u00e0s vezes, se sobrepor.<\/p>\n\n<table id=\"tablepress-90\" class=\"tablepress tablepress-id-90 mtr-table mtr-thead-th\">\n<thead>\n<tr class=\"row-1\">\n\t<th class=\"column-1 mtr-th-tag\" data-mtr-content=\"Quem\"><div class=\"mtr-cell-content\">Quem<\/div><\/th><th class=\"column-2 mtr-th-tag\" data-mtr-content=\"Quando\"><div class=\"mtr-cell-content\">Quando<\/div><\/th><th class=\"column-3 mtr-th-tag\" data-mtr-content=\"Por qu\u00ea\"><div class=\"mtr-cell-content\">Por qu\u00ea<\/div><\/th><th class=\"column-4 mtr-th-tag\" data-mtr-content=\"Coment\u00e1rios\"><div class=\"mtr-cell-content\">Coment\u00e1rios<\/div><\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody class=\"row-striping row-hover\">\n<tr class=\"row-2\">\n\t<td class=\"column-1 mtr-td-tag\" data-mtr-content=\"Quem\"><div class=\"mtr-cell-content\">Testemunha ou denunciante<\/div><\/td><td class=\"column-2 mtr-td-tag\" data-mtr-content=\"Quando\"><div class=\"mtr-cell-content\">Na fase inicial.<\/div><\/td><td class=\"column-3 mtr-td-tag\" data-mtr-content=\"Por qu\u00ea\"><div class=\"mtr-cell-content\">Para confirmar vazamentos e estabelecer fatos iniciais ou informa\u00e7\u00f5es que demonstrem que existe uma hist\u00f3ria que vale a pena ir atr\u00e1s.<\/div><\/td><td class=\"column-4 mtr-td-tag\" data-mtr-content=\"Coment\u00e1rios\"><div class=\"mtr-cell-content\">Testemunhas e denunciantes devem ser tratados de forma diferente. Um denunciante pode ter um interesse oculto, enquanto uma testemunha \u00e9 algu\u00e9m que por acaso estava presente no local.<\/div><\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"row-3\">\n\t<td class=\"column-1 mtr-td-tag\" data-mtr-content=\"Quem\"><div class=\"mtr-cell-content\">Fontes envolvidas na hist\u00f3ria<\/div><\/td><td class=\"column-2 mtr-td-tag\" data-mtr-content=\"Quando\"><div class=\"mtr-cell-content\">Uma vez que os fatos a serem investigados sejam estabelecidos, estes geralmente v\u00eam acompanhados de listas de personagens envolvidos.<\/div><\/td><td class=\"column-3 mtr-td-tag\" data-mtr-content=\"Por qu\u00ea\"><div class=\"mtr-cell-content\">Estabelecer o envolvimento ou a responsabilidade deles, se relevante, esclarecer as alega\u00e7\u00f5es que fazem e tamb\u00e9m dar-lhes a oportunidade de responder a quaisquer alega\u00e7\u00f5es s\u00e9rias feitas por outras fontes.<\/div><\/td><td class=\"column-4 mtr-td-tag\" data-mtr-content=\"Coment\u00e1rios\"><div class=\"mtr-cell-content\">Este \u00e9 o cerne das investiga\u00e7\u00f5es; algumas dessas fontes podem precisar ser entrevistadas duas ou mais vezes em investiga\u00e7\u00f5es complexas ou altamente sens\u00edveis.<\/div><\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"row-4\">\n\t<td class=\"column-1 mtr-td-tag\" data-mtr-content=\"Quem\"><div class=\"mtr-cell-content\">Especialistas<\/div><\/td><td class=\"column-2 mtr-td-tag\" data-mtr-content=\"Quando\"><div class=\"mtr-cell-content\">Frequentemente necess\u00e1rio para um rep\u00f3rter entender ou esclarecer uma quest\u00e3o que exige conhecimento especializado.<\/div><\/td><td class=\"column-3 mtr-td-tag\" data-mtr-content=\"Por qu\u00ea\"><div class=\"mtr-cell-content\">Esclarecimento de declara\u00e7\u00f5es feitas por outras fontes ou outras quest\u00f5es que possam ser relevantes para a sua investiga\u00e7\u00e3o.<\/div><\/td><td class=\"column-4 mtr-td-tag\" data-mtr-content=\"Coment\u00e1rios\"><div class=\"mtr-cell-content\">Em alguns casos, os especialistas podem interpretar os fatos de maneira diferente, o que pode levar o rep\u00f3rter a entrevistar ainda mais especialistas.<\/div><\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"row-5\">\n\t<td class=\"column-1 mtr-td-tag\" data-mtr-content=\"Quem\"><div class=\"mtr-cell-content\">Executivos de empresas, funcion\u00e1rios do governo e outros detentores de poder<\/div><\/td><td class=\"column-2 mtr-td-tag\" data-mtr-content=\"Quando\"><div class=\"mtr-cell-content\">Ao final do processo (quando eles n\u00e3o s\u00e3o eles os investigados, eles tamb\u00e9m s\u00e3o bons de serem contatados no come\u00e7o do processo de reportagem).<\/div><\/td><td class=\"column-3 mtr-td-tag\" data-mtr-content=\"Por qu\u00ea\"><div class=\"mtr-cell-content\">Normalmente, essas fontes s\u00e3o entrevistadas principalmente para determinar seu n\u00edvel de conhecimento sobre o assunto, estabelecer responsabilidade delas ou a responsabilidade da institui\u00e7\u00e3o que lideram ou representam.<\/div><\/td><td class=\"column-4 mtr-td-tag\" data-mtr-content=\"Coment\u00e1rios\"><div class=\"mtr-cell-content\">Jornalistas investigativos experientes evitam falar com essas fontes at\u00e9 terem informa\u00e7\u00f5es suficientes para confront\u00e1-las.<br>\n<br>\nSe informadas com anteced\u00eancia, elas podem usar sua influ\u00eancia ou poder para \"abafar\" a hist\u00f3ria.<\/div><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<!-- #tablepress-90 from cache -->\n<p>Normalmente, ap\u00f3s concluirmos a pesquisa e a prepara\u00e7\u00e3o, nos casos em que a investiga\u00e7\u00e3o resulta de um vazamento, iniciamos as entrevistas cara a cara com denunciantes (quando dispostos a falar), testemunhas ou qualquer fonte que possa fornecer os fatos iniciais sobre a hist\u00f3ria. Na maioria das vezes, essas fontes est\u00e3o dispostas a falar, mas podem ter interesses pessoais que influenciam seus pontos de vista (particularmente comum no caso de alguns autoproclamados denunciantes). Geralmente, eles s\u00e3o entrevistados nos est\u00e1gios iniciais da investiga\u00e7\u00e3o, mas podem precisar de entrevistas subsequentes para esclarecer ou confirmar suas declara\u00e7\u00f5es ou alega\u00e7\u00f5es iniciais.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s seguir um vazamento ou uma pista, o rep\u00f3rter pode encontrar muitas informa\u00e7\u00f5es que contradizem declara\u00e7\u00f5es feitas por fontes no in\u00edcio da investiga\u00e7\u00e3o. A entrevista inicial ajuda a delinear a hist\u00f3ria, enquanto a segunda ou terceira entrevistas s\u00e3o feitas para confirmar os fatos ou confrontar as fontes.<\/p>\n<p>Nos casos em que n\u00e3o existam vazamentos desse tipo e a investiga\u00e7\u00e3o se baseie em uma ideia de pauta, o rep\u00f3rter pode optar por come\u00e7ar pelas fontes mais amig\u00e1veis \u200b\u200bou por qualquer outra pessoa de f\u00e1cil acesso, incluindo aquelas que tenham conhecimento comum sobre o assunto, mas que n\u00e3o estejam envolvidas na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><b>Fontes envolvidas na hist\u00f3ria<\/b><\/p>\n<p>Como as investiga\u00e7\u00f5es visam revelar fatos ocultos, esta categoria raramente \u00e9 uma lista final e definitiva: em uma investiga\u00e7\u00e3o, o cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel \u00e9 que uma fonte leve a outra, que leve a outra. Cada uma delas precisa ser entrevistada. O rep\u00f3rter pode ter o m\u00e1ximo de fontes poss\u00edvel para entrevistar. Uma vez que um nome \u00e9 mencionado em uma mat\u00e9ria, \u00e9 prov\u00e1vel que o rep\u00f3rter precise entrevist\u00e1-lo.<\/p>\n<p><b>Especialistas<\/b><\/p>\n<p>Quando a hist\u00f3ria \u00e9 complexa ou envolve um alto n\u00edvel de compreens\u00e3o ou conhecimento t\u00e9cnico, especialistas podem ser entrevistados para ajudar a esclarecer quest\u00f5es que podem ser dif\u00edceis para o rep\u00f3rter e para o p\u00fablico em geral. Advogados, cientistas, m\u00e9dicos e outros especialistas s\u00e3o potenciais colaboradores. Eles n\u00e3o est\u00e3o envolvidos na hist\u00f3ria, mas sua expertise \u00e9 necess\u00e1ria. Outros, que podem estar envolvidos na hist\u00f3ria, n\u00e3o ser\u00e3o entrevistados como &#8220;especialistas&#8221; devido a potenciais conflitos de interesse.<\/p>\n<p><b>Pessoas em cargos de alto escal\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Autoridades governamentais, executivos de empresas e outros podem ser os \u00faltimos da lista de entrevistados. Geralmente, s\u00e3o entrevistados devido \u00e0 sua responsabilidade ou n\u00edvel de conhecimento sobre o assunto investigado. \u00c0s vezes, podem estar no centro da investiga\u00e7\u00e3o. \u00c9 sempre recomend\u00e1vel ter informa\u00e7\u00f5es suficientes antes de solicitar uma entrevista com eles.<\/p>\n<h4><b>O cerne da quest\u00e3o: entrevistas para investiga\u00e7\u00f5es<\/b><\/h4>\n<p>Uma vez conclu\u00eddo todo o processo acima, a parte essencial do exerc\u00edcio come\u00e7a: encarar as fontes e realizar as entrevistas. Como os seres humanos t\u00eam atitudes e reagem de forma diferente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s situa\u00e7\u00f5es, conduzir entrevistas pode ser dif\u00edcil. A prepara\u00e7\u00e3o, como mencionado anteriormente, pode ajudar, mas autoconfian\u00e7a e algum conhecimento de psicologia humana e habilidades de comunica\u00e7\u00e3o interpessoal s\u00e3o necess\u00e1rios.<\/p>\n<aside>Entrevistar \u00e9 uma tarefa complexa para rep\u00f3rteres, especialmente para rep\u00f3rteres investigativos\u2026 Para ter sucesso nessa tarefa, autoconfian\u00e7a e um preparo cuidadoso s\u00e3o necess\u00e1rios.<\/aside>\n<p>Entrevistas com testemunhas ou denunciantes pode ser relativamente f\u00e1cil se eles confiarem no rep\u00f3rter, no senso de \u00e9tica do rep\u00f3rter e no ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o do rep\u00f3rter. No entanto, &#8220;f\u00e1cil&#8221; n\u00e3o significa simples ou relaxado. O entrevistador precisa estar preparado para persuadir os entrevistados a fornecer informa\u00e7\u00f5es precisas e baseadas em fatos, o que ajudar\u00e1 a avan\u00e7ar para a pr\u00f3xima etapa.<\/p>\n<p>Ao conduzir uma entrevista, o rep\u00f3rter precisa come\u00e7ar com algumas perguntas f\u00e1ceis, deixar o entrevistado se soltar e, em seguida, passo a passo, passar para perguntas mais dif\u00edceis.<\/p>\n<p>As perguntas precisam ser preparadas e listadas com anteced\u00eancia para garantir que nenhuma seja esquecida. Mas o rep\u00f3rter n\u00e3o deve segui-las \u00e0 risca. Seguir o fluxo da \u201cconversa\u201d pode ser mais produtivo.<\/p>\n<p>Dominar as t\u00e9cnicas de entrevista tamb\u00e9m inclui desenvolver um \u201cbom ouvido\u201d \u2014 uma grande capacidade de escuta. O respeitado escritor e jornalista colombiano Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez resumiu isso <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/owni.fr\/2010\/08\/19\/narration-et-journalisme-le-coup-de-genie-de-gabriel-garcia-marquez\/index.html\">da melhor forma<\/a>:<\/p>\n<p>Sabemos o qu\u00e3o \u00fateis s\u00e3o os gravadores para a mem\u00f3ria, mas nunca devemos desviar o olhar do rosto do entrevistado, que pode expressar muito mais do que a sua voz, e \u00e0s vezes at\u00e9 o oposto.<\/p>\n<p>Ele acrescenta:<\/p>\n<p>A maioria dos jornalistas deixa o gravador fazer o trabalho e, assim, acreditam estar respeitando os desejos da pessoa entrevistada ao transcrever suas palavras, palavra por palavra\u2026 Quando uma pessoa fala, ela hesita, divaga, n\u00e3o termina as frases e faz coment\u00e1rios insignificantes. Para mim, o gravador deve ser usado com o \u00fanico prop\u00f3sito de gravar o material que o jornalista decidir usar posteriormente, da maneira que decidir e escolher, de acordo com sua forma de contar a hist\u00f3ria. <i>(Tradu\u00e7\u00e3o feita pelo autor deste cap\u00edtulo; a cita\u00e7\u00e3o original em franc\u00eas <\/i><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/owni.fr\/2010\/08\/19\/narration-et-journalisme-le-coup-de-genie-de-gabriel-garcia-marquez\/index.html\"><i>pode ser encontrada aqui<\/i><\/a><i>).<\/i><\/p>\n<p>Em uma entrevista investigativa, especialmente quando se trata de entrevistas confrontativas, essa li\u00e7\u00e3o torna-se fundamental.<\/p>\n<p>Uma vez compreendida a abordagem, o pr\u00f3ximo passo crucial \u00e9 formular as perguntas e saber como formul\u00e1-las. Perguntas abertas s\u00e3o, naturalmente, as mais indicadas na maioria das vezes. Contudo, em casos excepcionais, perguntas diretas e espec\u00edficas podem ser mais \u00fateis. No entanto, n\u00e3o \u00e9 aconselh\u00e1vel utiliz\u00e1-las no in\u00edcio de uma entrevista, pois podem encerr\u00e1-la prematuramente, por exemplo, se o assunto for uma situa\u00e7\u00e3o embara\u00e7osa ou comprometedora para o entrevistado.<\/p>\n<h4><b>Conclus\u00e3o<\/b><\/h4>\n<p>Entrevistar \u00e9 uma tarefa complexa para rep\u00f3rteres, especialmente para rep\u00f3rteres investigativos. Ensinar (ou aprender) t\u00e9cnicas de entrevista n\u00e3o pode ser um exerc\u00edcio te\u00f3rico, pois elas se baseiam em diversos conhecimentos e experi\u00eancias. Para ter sucesso nessa tarefa, autoconfian\u00e7a e um preparo cuidadoso s\u00e3o necess\u00e1rios. O resto vem com a experi\u00eancia, aprendendo na pr\u00e1tica e com a troca de experi\u00eancias com colegas. Portanto, sempre que poss\u00edvel, pe\u00e7a conselhos a um colega de confian\u00e7a, principalmente se voc\u00ea for iniciante no jornalismo investigativo.<\/p>\n<hr \/>\n<p><b><i><\/i><\/b><b><i><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Hamadou-Tidiane-SY.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-1795466 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Hamadou-Tidiane-SY-140x140.png\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"140\" \/><\/a>Hamadou Tidiane Sy<\/i><\/b><i> \u00e9 um jornalista senegal\u00eas experiente e um apaixonado formador de jornalistas. \u00c9 o fundador da premiada plataforma de not\u00edcias online Ouestaf News, especializada em investiga\u00e7\u00f5es e reportagens aprofundadas. Residente em Dakar, est\u00e1 ajudando a formar a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de jornalistas africanos como fundador e diretor da E-jicom, uma renomada escola de jornalismo, comunica\u00e7\u00e3o e m\u00eddia digital. Tidiane integra o conselho de importantes organiza\u00e7\u00f5es de m\u00eddia africanas, como a r\u00e1dio West Africa Democracy, sediada em Dakar, e a Africa Check. Reconhecido como inovador social na \u00e1rea de &#8220;Not\u00edcias e Conhecimento&#8221; pelas Funda\u00e7\u00f5es Ashoka e Knight. Em 2021, recebeu o &#8220;Pr\u00eamio de Lideran\u00e7a em M\u00eddia&#8221; no F\u00f3rum Rebranding Africa, em Bruxelas.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este cap\u00edtulo examina v\u00e1rios tipos de entrevistas, abordagens e t\u00e9cnicas para tirar o m\u00e1ximo proveito do contato com fontes, tanto amig\u00e1veis \u200b\u200bquanto antag\u00f4nicas.<\/p>\n","protected":false},"author":3031175,"featured_media":2193487,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"TEC\\Tickets\\Commerce\\Module","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"republication-tracker-tool-hide-widget":false,"footnotes":"","_tec_slr_enabled":"","_tec_slr_layout":""},"categories":[23167,23166,23164],"tags":[],"gijn_topic":[],"series":[],"gijn_language":[],"gijn_region":[],"class_list":["post-3074380","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capitulo","category-guia","category-recursos"],"acf":[],"ticketed":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3074380","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3031175"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3074380"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3074380\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3082528,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3074380\/revisions\/3082528"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2193487"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3074380"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3074380"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3074380"},{"taxonomy":"gijn_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_topic?post=3074380"},{"taxonomy":"series","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/series?post=3074380"},{"taxonomy":"gijn_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_language?post=3074380"},{"taxonomy":"gijn_region","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_region?post=3074380"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}