{"id":2670506,"date":"2025-11-30T16:57:14","date_gmt":"2025-11-30T21:57:14","guid":{"rendered":"https:\/\/gijn.org\/?p=2670506"},"modified":"2025-11-30T17:32:30","modified_gmt":"2025-11-30T22:32:30","slug":"investigando-a-mineracao-ilegal-dicas-sobre-abordagens-fontes-e-pos-publicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/artigos\/investigando-a-mineracao-ilegal-dicas-sobre-abordagens-fontes-e-pos-publicacao\/","title":{"rendered":"Investigando a minera\u00e7\u00e3o ilegal: dicas sobre abordagens, fontes e p\u00f3s-publica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A minera\u00e7\u00e3o ilegal representa um desafio significativo, particularmente no Brasil, no continente africano e em diversas partes do Sudeste Asi\u00e1tico. Ela explora brechas nas regulamenta\u00e7\u00f5es e a falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o, estando intimamente ligada a crimes econ\u00f4micos e corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<aside>\u201cA minera\u00e7\u00e3o ilegal n\u00e3o \u00e9 caos. \u00c9 um sistema informal com suas pr\u00f3prias linhas de poder\u201d. \u2014 Linda Mujuru, jornalista investigativa freelancer do Zimb\u00e1bue<\/aside>\n<p>Em muitos pa\u00edses, o crime tamb\u00e9m est\u00e1 intimamente ligado \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de recursos naturais e terras ind\u00edgenas, j\u00e1 que as reservas minerais costumam estar localizadas em \u00e1reas rurais e remotas, habitadas por comunidades nativas h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA minera\u00e7\u00e3o ilegal n\u00e3o \u00e9 caos. \u00c9 um sistema informal com suas pr\u00f3prias linhas de poder\u201d, disse <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/lindamujuru\/?originalSubdomain=zw\">Linda Mujuru<\/a>, premiada jornalista investigativa freelancer do Zimb\u00e1bue, cujo trabalho se concentra em minera\u00e7\u00e3o, terras e justi\u00e7a ambiental. Mujuru palestrou na <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/gijc2025.org\/\">14\u00aa Confer\u00eancia Global de Jornalismo Investigativo<\/a> na Mal\u00e1sia, em uma sess\u00e3o intitulada <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/gijc2025.org\/program\/schedule\/sessions\/edd709e26c70f98d2d77fcc761ccc8a4\">Tracing Illegal Mining Activities<\/a> (Rastreando Atividades de Minera\u00e7\u00e3o Ilegal, em tradu\u00e7\u00e3o livre), onde se juntou a jornalistas do Brasil e da Turquia para discutir os desafios de reportar sobre minera\u00e7\u00e3o ilegal em seus pa\u00edses.<\/p>\n<h4>Mapeie a Rede Humana<\/h4>\n<p>\u00c9 importante para jornalistas que investigam a minera\u00e7\u00e3o ilegal rastrear a rede humana envolvida na opera\u00e7\u00e3o antes de mapear os detalhes da pr\u00f3pria minera\u00e7\u00e3o, disse Mujuru. Permiss\u00f5es e documentos oficiais provavelmente revelar\u00e3o apenas uma pequena parte do quadro geral, explicou ela.<\/p>\n<p>Considerando a localiza\u00e7\u00e3o dos lugares onde a minera\u00e7\u00e3o ilegal normalmente ocorre, \u00e9 fundamental desenvolver fontes dentro das comunidades locais que vivem dentro e ao redor desses locais. Mineiros, profissionais de sa\u00fade da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e l\u00edderes jovens, por exemplo, geralmente conhecem os meandros das atividades de minera\u00e7\u00e3o nas proximidades. &#8220;Os relacionamentos revelar\u00e3o mais do que os dados oficiais&#8221;, explicou Mujuru.<\/p>\n<h4><b>Contando os dois lados da hist\u00f3ria<\/b><\/h4>\n<p>Ao reportar hist\u00f3rias que envolvem um desequil\u00edbrio nas estruturas de poder, como a minera\u00e7\u00e3o ilegal, os jornalistas devem falar com fontes de ambos os lados da quest\u00e3o, disse <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/linkedin.com\/in\/karla-mendes-31107846\">Karla Mendes<\/a>, jornalista brasileira premiada que trabalha como rep\u00f3rter investigativa e de mat\u00e9rias especiais para a <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/news.mongabay.com\/\">Mongabay<\/a>.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante mostrar que voc\u00ea \u00e9 jornalista e n\u00e3o ativista\u201d, alertou ela. \u201c\u00c9 f\u00e1cil ficar do lado de quem protesta contra as minas, mas \u00e9 importante falar tamb\u00e9m com o outro lado\u201d.<\/p>\n<p>Deixe de lado no\u00e7\u00f5es preconcebidas e preconceitos sobre o pa\u00eds ou regi\u00e3o onde voc\u00ea est\u00e1 investigando a minera\u00e7\u00e3o ilegal, disseram os palestrantes. Para jornalistas que cobrem essa quest\u00e3o, \u00e9 crucial conhecer o contexto e a hist\u00f3ria da terra envolvida. \u201cH\u00e1 poucas oportunidades dispon\u00edveis, o que for\u00e7a os povos ind\u00edgenas a recorrerem \u00e0 minera\u00e7\u00e3o ilegal. Esse contexto permite uma reportagem equilibrada\u201d, disse Mendes.<\/p>\n<p>A minera\u00e7\u00e3o ilegal \u00e9 uma quest\u00e3o multifacetada, acrescentou ela. Jornalistas investigativos devem entender que n\u00e3o se trata apenas de uma hist\u00f3ria criminal, mas tamb\u00e9m de uma hist\u00f3ria de sa\u00fade p\u00fablica, ambiental e sobre os direitos ind\u00edgenas. Os ind\u00edgenas Munduruku, no Brasil, por exemplo, continuam enfrentando problemas de sa\u00fade mesmo ap\u00f3s a remo\u00e7\u00e3o de garimpeiros ilegais de uma \u00e1rea da floresta amaz\u00f4nica. <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/news.mongabay.com\/2025\/06\/after-crackdown-on-illegal-miners-indigenous-munduruku-still-grapple-with-health-aftermath\/\">A reportagem de Mendes para a Mongabay<\/a> sugere que o governo brasileiro fez pouco para ajudar a comunidade ind\u00edgena a lidar com a ampla gama de doen\u00e7as ligadas \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario causada pela minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_2650306\" style=\"width: 1786px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/DSCF4049-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2650306\" class=\"wp-image-2650306 size-full\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/DSCF4049-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1776\" height=\"1184\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/DSCF4049-1.jpg 1776w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/DSCF4049-1-336x224.jpg 336w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/DSCF4049-1-771x514.jpg 771w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/DSCF4049-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/DSCF4049-1-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1776px) 100vw, 1776px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2650306\" class=\"wp-caption-text\">A jornalista investigativa independente de Zimnanwean, Linda Mujuru, disse aos participantes que \u00e9 fundamental desenvolver fontes dentro das comunidades locais que vivem nas proximidades das minas. Imagem: Alyaa Alhadjri para GIJN<\/p><\/div>\n<h4>A confian\u00e7a \u00e9 fundamental<\/h4>\n<p>Ao reportar sobre quest\u00f5es sens\u00edveis, como a minera\u00e7\u00e3o ilegal, a confian\u00e7a \u00e9 fundamental, enfatizaram Mujuru e Mendes. &#8220;Os povos ind\u00edgenas s\u00e3o atacados o tempo todo e precisam confiar em voc\u00ea&#8221;, disse Mendes. &#8220;Eles precisam ver exemplos dos seus [trabalhos anteriores]&#8221;.<\/p>\n<p>Ambas as jornalistas disseram que j\u00e1 compartilharam reportagens sobre quest\u00f5es envolvendo comunidades ind\u00edgenas com fontes no local para mostrar sua inten\u00e7\u00e3o como rep\u00f3rteres e o impacto que esse tipo de jornalismo investigativo pode ter.<\/p>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/dogueroglu.com\/\">Do\u011fu Ero\u011flu<\/a>, rep\u00f3rter investigativo baseado em Istambul e fundador da <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/ortak.org\/\">Ortak<\/a>, uma reda\u00e7\u00e3o investigativa independente tamb\u00e9m sediada em Istambul, discutiu uma investiga\u00e7\u00e3o sobre o desastre na mina de ouro de \u0130li\u00e7, na prov\u00edncia de Erzincan, no leste da Turquia, em fevereiro de 2024. O desabamento do material de lixivia\u00e7\u00e3o contaminado com cianeto \u2014 min\u00e9rio triturado de baixa qualidade empilhado em grandes montes e irrigado com uma solu\u00e7\u00e3o qu\u00edmica para dissolver e extrair metais valiosos como ouro e cobre \u2014 resultou na morte de nove mineiros.<\/p>\n<p>\u201cT\u00ednhamos uma lista de ex e atuais funcion\u00e1rios das minas, mas eles haviam assinado um acordo de confidencialidade [com a mineradora]\u201d, disse Ero\u011flu. \u201cTodos estavam apavorados [em falar conosco]. At\u00e9 mesmo engenheiros que estavam trabalhando em outros lugares e que possivelmente voltariam para as minas estavam apavorados. Tivemos que encontrar mineiros aposentados que n\u00e3o se importassem com a empresa\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA intimida\u00e7\u00e3o f\u00edsica \u00e9 muito comum na Turquia\u201d, acrescentou Ero\u011flu, falando sobre o jornalismo investigativo em seu pa\u00eds. Grandes empresas t\u00eam uma reputa\u00e7\u00e3o a zelar e, por isso, pequenas empresas podem ser \u201cmais perigosas, porque apostam todas as suas fichas\u201d como empresa, explicou ele.<\/p>\n<h4><b>Principais conclus\u00f5es e dicas<\/b><\/h4>\n<p>Para lidar com preocupa\u00e7\u00f5es sobre repres\u00e1lias ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o, a confian\u00e7a \u00e9 a melhor defesa, disse Mujuru: \u201c\u00c9 importante identificar organiza\u00e7\u00f5es com as quais voc\u00ea possa colaborar\u201d. Para reda\u00e7\u00f5es menores ou aquelas sem departamentos jur\u00eddicos, Mendes sugeriu o uso de um advogado pro bono para realizar uma revis\u00e3o jur\u00eddica antes da publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas em reportagens sobre minera\u00e7\u00e3o ilegal no Brasil, Zimb\u00e1bue e Turquia compartilharam dicas durante a #GIJC25 sobre como construir uma rede de contatos no local, estabelecer confian\u00e7a e contar uma hist\u00f3ria completa.<\/p>\n","protected":false},"author":3031175,"featured_media":2650278,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"republication-tracker-tool-hide-widget":false,"footnotes":"","_tec_slr_enabled":"","_tec_slr_layout":""},"categories":[23170],"tags":[25201,24476,28544,28492,25380,21323,23555],"gijn_topic":[25378],"series":[],"gijn_language":[],"gijn_region":[],"class_list":["post-2670506","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-14a-conferencia-global-de-jornalismo-investigativo","tag-amazonia-pt-br","tag-desenvolvimento-de-fontes","tag-dicas-de-investigacao","tag-gijc25-pt-br","tag-investigacao-pt-pt","tag-mineracao-ilegal-pt-pt","gijn_topic-gijc25-3"],"acf":[],"ticketed":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2670506","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3031175"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2670506"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2670506\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2670514,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2670506\/revisions\/2670514"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2650278"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2670506"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2670506"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2670506"},{"taxonomy":"gijn_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_topic?post=2670506"},{"taxonomy":"series","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/series?post=2670506"},{"taxonomy":"gijn_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_language?post=2670506"},{"taxonomy":"gijn_region","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_region?post=2670506"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}