{"id":2091803,"date":"2025-02-25T06:00:12","date_gmt":"2025-02-25T11:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/gijn.org\/?p=2091803"},"modified":"2025-03-01T19:02:55","modified_gmt":"2025-03-02T00:02:55","slug":"guia-para-investigar-ameacas-digitais-desinformacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/recursos\/guia-para-investigar-ameacas-digitais-desinformacao\/","title":{"rendered":"Investigando Amea\u00e7as Digitais: Desinforma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos 15 anos, as redes de m\u00eddia social experimentaram um crescimento sem precedentes, \u00e0 medida que mais pessoas se conectaram ao redor do mundo. Esses usu\u00e1rios tornaram-se prop\u00edcios \u00e0 explora\u00e7\u00e3o, conforme as plataformas ficaram para tr\u00e1s no investimento em modera\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o e outras defesas. A manipula\u00e7\u00e3o online \u00e9 uma consequ\u00eancia das t\u00e1ticas tradicionais de propaganda, como rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas negativas e a dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es falsas, levadas a novas velocidades e escalas. Sem as verifica\u00e7\u00f5es e contrapesos que as reportagens fornecem, os problemas da desinforma\u00e7\u00e3o que podem parecer insuper\u00e1veis, \u200b\u200bse tornar\u00e3o genuinamente.<\/p>\n<aside>A pergunta inicial que todos os rep\u00f3rteres deveriam fazer \u00e9 se eles est\u00e3o analisando um \u00fanico incidente ou uma tentativa de manipula\u00e7\u00e3o em larga escala.<\/aside>\n<p>Uma observa\u00e7\u00e3o importante: o termo \u201cdesinforma\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o deve ser confundido com \u201cinforma\u00e7\u00e3o falsa\u201d. Embora os dois sejam frequentemente usados \u200b\u200bde forma intercambi\u00e1vel, h\u00e1 <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.unhcr.org\/innovation\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Factsheet-4.pdf\">nuances distintas entre as duas defini\u00e7\u00f5es<\/a> que os jornalistas investigativos devem ter o cuidado de entender. A informa\u00e7\u00e3o falsa \u00e9 geralmente entendida como um termo mais amplo que se refere a qualquer informa\u00e7\u00e3o falsa ou enganosa, que pode ser compartilhada ou espalhada involuntariamente. A desinforma\u00e7\u00e3o, no entanto, \u00e9 identificada com mais precis\u00e3o como conte\u00fado <em>deliberadamente<\/em> falso ou malicioso, que \u00e9 projetado propositalmente para espalhar medo ou suspeita dentro de uma comunidade ou popula\u00e7\u00e3o. As palavras \u201cmanipula\u00e7\u00e3o online\u201d s\u00e3o um bom termo gen\u00e9rico para usar, principalmente ao reportar sobre contas ou sites falsos. Isso porque, \u00e0s vezes, eles espalham informa\u00e7\u00f5es precisas, mas de maneira manipuladora.<\/p>\n<p>A forma como reportamos sobre a manipula\u00e7\u00e3o online mudou ao longo dos anos com a aprova\u00e7\u00e3o de leis de privacidade, surgimento de novas redes de m\u00eddia social e uma compreens\u00e3o cada vez maior do problema. Os sites ainda s\u00e3o usados \u200b\u200bpara espalhar informa\u00e7\u00f5es falsas, mas os influenciadores e novas formas de v\u00eddeo e imagens tamb\u00e9m s\u00e3o usados. Em muitos pa\u00edses, o Facebook continua sendo uma das plataformas mais importantes onde se espalham informa\u00e7\u00f5es falsas. Mas TikTok, Telegram e aplicativos de mensagens tamb\u00e9m se tornaram vetores poderosos para espalhar mentiras ou semear confus\u00e3o deliberadamente.<\/p>\n<div id=\"attachment_1346875\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/52185241865_d73d2e2ce8_c-768x513-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1346875\" class=\"wp-image-1346875 size-medium\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/52185241865_d73d2e2ce8_c-768x513-1-336x224.jpg\" alt=\"\" width=\"336\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/52185241865_d73d2e2ce8_c-768x513-1-336x224.jpg 336w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/52185241865_d73d2e2ce8_c-768x513-1.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1346875\" class=\"wp-caption-text\">Est\u00e1tua do logo do TikTok na VidCon 2022 em Anaheim, Calif\u00f3rnia. O TikTok se tornou um vetor poderoso para espalhar mentiras e semear confus\u00e3o. Foto: Anthony Quintano, Flickr\/Creative Commons<\/p><\/div>\n<p>Ent\u00e3o, como n\u00f3s, como rep\u00f3rteres, podemos investigar esse ecossistema gigantesco?<\/p>\n<p>Primeiro, temos que v\u00ea-lo como apenas isso: um ecossistema. Uma dissemina\u00e7\u00e3o deliberada e em rede de desinforma\u00e7\u00e3o ou propaganda \u00e9 diferente de um deslize \u00fanico e n\u00e3o intencional. A pergunta inicial que todos os rep\u00f3rteres deveriam fazer \u00e9 se eles est\u00e3o analisando um \u00fanico incidente ou uma tentativa de manipula\u00e7\u00e3o em larga escala. Um ecossistema pode ser muitas coisas, e precisamos ter o cuidado de defini-lo bem em nossa investiga\u00e7\u00e3o. A forma mais comum de descrev\u00ea-lo \u00e9 uma conex\u00e3o entre contas em diferentes redes de m\u00eddia social que se coordenam para espalhar a mesma mensagem. Existem v\u00e1rios indicadores e perguntas que podem ajudar aqui: quando as contas foram criadas, quando o conte\u00fado \u00e9 compartilhado, que amplificou o conte\u00fado em diferentes plataformas e quais s\u00e3o os pontos em comum no pr\u00f3prio conte\u00fado? Isso pode assumir a forma do mesmo site promovido no Facebook e no Twitter, ou influenciadores no TikTok usando linguagem quase id\u00eantica para falar sobre um problema. O tempo tamb\u00e9m pode ser revelador &#8211; parte do conte\u00fado foi compartilhada com minutos ou mesmo segundos de diferen\u00e7a de contas com caracter\u00edsticas semelhantes?<\/p>\n<p>Investigadores de manipula\u00e7\u00e3o online devem usar todos os m\u00e9todos tradicionais e digitais dispon\u00edveis para chegar o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel das quest\u00f5es complicadas de origem e inten\u00e7\u00e3o. Campanhas apoiadas por atores estatais ou corpora\u00e7\u00f5es privadas se destacam quando comparadas com atores individuais que podem ter se tornado crentes genu\u00ednos de conspira\u00e7\u00f5es ao longo do tempo. Todos esses tipos de manipula\u00e7\u00e3o t\u00eam impactos, mas com inten\u00e7\u00e3o e sucesso variados. Nem sempre \u00e9 poss\u00edvel rastrear uma campanha at\u00e9 sua origem. Tem havido um aumento no n\u00famero de empresas de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas sendo usadas como fachadas de desinforma\u00e7\u00e3o para proteger seus clientes, adicionando outra camada de dificuldade ao j\u00e1 complicado neg\u00f3cio de descobrir quem \u00e9 quem na web.<\/p>\n<aside>Reportar sobre manipula\u00e7\u00e3o online \u00e9 melhor quando as t\u00e9cnicas de investiga\u00e7\u00e3o oTanline s\u00e3o combinadas com o trabalho e a documenta\u00e7\u00e3o de fontes tradicionais.<\/aside>\n<p>A desinforma\u00e7\u00e3o digital \u00e9 uma ferramenta poderosa que tem sido usada para facilitar a <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2018\/10\/15\/technology\/myanmar-facebook-genocide.html\">limpeza racial<\/a>, a viol\u00eancia e a <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/time.com\/6257372\/russia-ukraine-war-disinformation\/\">guerra<\/a>. Teve <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/observers.france24.com\/en\/20200509-fake-news-covid-19-coronavirus-drc-congo-network\">impactos nos sistemas de sa\u00fade em todo o mundo<\/a>, <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2023\/feb\/15\/revealed-disinformation-team-jorge-claim-meddling-elections-tal-hanan\">desempenhou um papel nas principais elei\u00e7\u00f5es da \u00faltima d\u00e9cada<\/a> e ajudou a <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pen.org\/report\/hard-news-journalists-and-the-threat-of-disinformation\/\">minar a liberdade de imprensa<\/a>. Para identific\u00e1-la antes que entre em vigor, os jornalistas devem entender as comunidades que provavelmente ser\u00e3o atingidas. Assim como na reportagem tradicional, n\u00e3o se pode simplesmente cair de p\u00e1ra-quedas, olhar em volta e entender a profundidade que o problema atinge. Isso ocorre porque a manipula\u00e7\u00e3o online joga com as divis\u00f5es sociais existentes, inflamando-as ainda mais, frequentemente de forma perigosa. N\u00e3o podemos reportar sobre manipula\u00e7\u00e3o e desinforma\u00e7\u00e3o sem tamb\u00e9m entender essas divis\u00f5es.<\/p>\n<p>As ferramentas e abordagens descritas abaixo destinam-se a auxiliar na descoberta de informa\u00e7\u00f5es e na an\u00e1lise mais detalhada dos dados. Elas n\u00e3o podem substituir o trabalho \u00e1rduo do jornalismo tradicional, nem pretendem. Reportar sobre manipula\u00e7\u00e3o online \u00e9 melhor quando as t\u00e9cnicas de investiga\u00e7\u00e3o online s\u00e3o combinadas com o trabalho e a documenta\u00e7\u00e3o de fontes tradicionais. A boa not\u00edcia \u00e9 que voc\u00ea nunca est\u00e1 sozinho. Uma multid\u00e3o crescente de pesquisadores, rep\u00f3rteres e acad\u00eamicos est\u00e1 descobrindo facetas cada vez mais condenat\u00f3rias da manipula\u00e7\u00e3o online. Ao ler este guia, voc\u00ea est\u00e1 se tornando um deles. Nunca tenha medo de procurar e dar ajuda neste campo.<\/p>\n<p><b>Mantenha-se organizado: <\/b>Antes de iniciar sua investiga\u00e7\u00e3o, decida como voc\u00ea ir\u00e1 manter registro das contas de m\u00eddia social e outras entidades que est\u00e1 investigando online. As guias do navegador podem se acumular rapidamente e \u00e9 crucial ter um sistema de organiza\u00e7\u00e3o e arquivamento. <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/hunch.ly\/\">Hunchly<\/a>, uma ferramenta paga, \u00e9 a favorita do setor por sua capacidade de arquivamento autom\u00e1tico. Outra abordagem \u00e9 ter uma planilha detalhada com as contas, sites, imagens, v\u00eddeos e qualquer outra coisa de seu interesse em um s\u00f3 lugar. Considere incluir as datas de cria\u00e7\u00e3o da conta e as datas e hor\u00e1rios de publica\u00e7\u00e3o de postagens individuais para que voc\u00ea possa ver facilmente a linha do tempo. Certifique-se de fazer capturas de tela e fazer anota\u00e7\u00f5es enquanto coleta informa\u00e7\u00f5es para sua investiga\u00e7\u00e3o, pois postagens e contas podem ser removidas a qualquer momento.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante manter registrado o que voc\u00ea est\u00e1 vendo e organizar seus pensamentos. Voc\u00ea pode usar um ou mais Google Docs como um reposit\u00f3rio central para suas anota\u00e7\u00f5es e capturas de tela ou interesse. Tamb\u00e9m \u00e9 importante arquivar publicamente o que voc\u00ea est\u00e1 vendo. Se voc\u00ea criar uma conta no <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/archive.org\/\">Internet Archive<\/a>, ter\u00e1 acesso \u00e0 ferramenta gratuita de arquivamento em massa deles. Ela se conecta ao Planilhas Google e salva cada link que voc\u00ea coletou. Os arquivos s\u00e3o uma maneira melhor de manter registro das informa\u00e7\u00f5es do que as capturas de tela porque \u00e9 muito mais dif\u00edcil manipul\u00e1-las e voc\u00ea pode vincular o conte\u00fado em sua reportagem. No entanto, algumas redes sociais, como Facebook, Instagram e LinkedIn, n\u00e3o facilitam o arquivamento. Considere manter uma pasta de capturas de tela separada para eles. Lembre-se tamb\u00e9m de que os v\u00eddeos n\u00e3o s\u00e3o arquivados automaticamente e voc\u00ea tamb\u00e9m precisar\u00e1 mant\u00ea-los em uma pasta separada.<\/p>\n<p><b>Entenda a comunidade:<\/b> Uma das t\u00e1ticas mais comuns para desinformadores \u00e9 identificar um problema social existente em um pa\u00eds ou comunidade e trabalhar para exacerbar as tens\u00f5es e divis\u00f5es. Postar conte\u00fado divisivo ou hiperpartid\u00e1rio \u00e9 uma das melhores formas de atrair um p\u00fablico nas redes sociais. Portanto, \u00e9 crucial entender as comunidades alvo da manipula\u00e7\u00e3o. Converse com as pessoas das comunidades-alvo e tente entender sua realidade. O que causou esses problemas em primeiro lugar e o que torna a tentativa de manipula\u00e7\u00e3o eficaz? Existem conversas que parecem manipuladoras, mas na verdade s\u00e3o esperadas? Ao mergulhar nesse tipo de etnografia digital, voc\u00ea ser\u00e1 capaz de entender a desinforma\u00e7\u00e3o de forma mais completa e, em muitos casos, ver algo particularmente impactante chegando antes que tenha a chance de decolar.<\/p>\n<p><b>Considere o impacto: <\/b>Decidir se cobrir ou n\u00e3o uma informa\u00e7\u00e3o falsa \u00e9 uma ci\u00eancia inexata. Por um lado, voc\u00ea pode facilitar sua dissemina\u00e7\u00e3o. Por outro, voc\u00ea pode ajudar a impedi-la. Pergunte a si mesmo se h\u00e1 algum impacto potencial ou mensur\u00e1vel da informa\u00e7\u00e3o. Ela saiu do ecossistema ou da comunidade onde voc\u00ea a viu pela primeira vez? \u00c9 prov\u00e1vel que cause danos f\u00edsicos? Ela beneficiou financeiramente aqueles que a postaram? Foi amplificada por uma pessoa particularmente influente? Esta \u00e9 uma decis\u00e3o que deve ser tomada em equipe, com todos os poss\u00edveis danos e benef\u00edcios pesados.<\/p>\n<p><b>Minimize danos:<\/b> Depois de tomar a decis\u00e3o de cobrir as informa\u00e7\u00f5es falsas, voc\u00ea deve aplicar as pr\u00e1ticas recomendadas do setor para reportagens respons\u00e1veis. Se voc\u00ea estiver escrevendo uma checagem de fatos, por exemplo, coloque as informa\u00e7\u00f5es precisas no t\u00edtulo. No corpo do texto, adapte a abordagem do \u201csandu\u00edche da verdade\u201d: exato-inexato-exato. Isso ajudar\u00e1 os leitores a se lembrarem das informa\u00e7\u00f5es verdadeiras ao inv\u00e9s das falsas. Ao criar links, envie seus leitores para uma vers\u00e3o arquivada das informa\u00e7\u00f5es falsas para evitar atrair tr\u00e1fego para desinformadores. Finalmente, se voc\u00ea incluir uma captura de tela, coloque uma linha vermelha ou a palavra \u201cfalso\u201d na imagem. O objetivo \u00e9 garantir que sua investiga\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o cause danos\u201d e evita espalhar inadvertidamente informa\u00e7\u00f5es imprecisas ou prejudiciais.<\/p>\n<p><b>Estabele\u00e7a um alto padr\u00e3o para evid\u00eancias:<\/b> Imagine o seguinte: v\u00e1rias contas an\u00f4nimas do X\/Twitter est\u00e3o compartilhando conte\u00fado do mesmo site em un\u00edssono. O site est\u00e1 cheio de informa\u00e7\u00f5es enganosas e, depois de pesquisar os registros de dom\u00ednio, voc\u00ea v\u00ea que ele foi registrado na R\u00fassia. Voc\u00ea acabou de descobrir uma campanha de propaganda russa? N\u00e3o necessariamente. Nas investiga\u00e7\u00f5es digitais, assim como nas offline, quanto mais provas voc\u00ea conseguir reunir, mais forte ser\u00e1 o caso. N\u00e3o aponte o dedo a menos que voc\u00ea tenha evid\u00eancias para apoiar isso.<\/p>\n<p>Agora, digamos que este site tamb\u00e9m esteja sendo compartilhado no Facebook. Depois de abrir a caixa Transpar\u00eancia da p\u00e1gina para as postagens em quest\u00e3o, voc\u00ea ver\u00e1 que todas elas t\u00eam administradores localizados na R\u00fassia e que uma empresa russa de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas est\u00e1 listada como propriet\u00e1ria da p\u00e1gina. Agora as evid\u00eancias est\u00e3o come\u00e7ando a se acumular. Mas voc\u00ea tamb\u00e9m sabe que os sinais digitais, como registros de dom\u00ednio e informa\u00e7\u00f5es do gerenciador de p\u00e1ginas do Facebook, podem ser manipulados. Ent\u00e3o voc\u00ea encontra ex-funcion\u00e1rios da ag\u00eancia que revelam os detalhes da opera\u00e7\u00e3o e te contam quem \u00e9 o dono da empresa de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e confirmam as outras informa\u00e7\u00f5es. Agora voc\u00ea tem um argumento muito mais forte para as origens da campanha. Sempre se pergunte: existem outras explica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para quem est\u00e1 por tr\u00e1s dessa opera\u00e7\u00e3o? Ou temos provas incontest\u00e1veis?<\/p>\n<p><b>Procure motiva\u00e7\u00e3o:<\/b> A desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia. Pode ser usada para enriquecimento financeiro ou pol\u00edtico, para ganhar influ\u00eancia e at\u00e9 mesmo para mudar leis. Se voc\u00ea encontrou o nome de uma pessoa executando uma campanha de manipula\u00e7\u00e3o online, n\u00e3o pare por a\u00ed. Procure por empresas, registros de doa\u00e7\u00f5es e afilia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Isso nem sempre \u00e9 poss\u00edvel, mas quanto mais perto voc\u00ea chega da motiva\u00e7\u00e3o, mais perto voc\u00ea chega da verdade.<\/p>\n<aside>Nenhuma pessoa nas m\u00eddias sociais \u00e9 leal a apenas uma plataforma, e os rep\u00f3rteres tamb\u00e9m n\u00e3o devem ser.<\/aside>\n<p><b>Cruze as fronteiras das redes sociais:<\/b> Os rep\u00f3rteres tendem a estudar as plataformas mais acess\u00edveis. O X\/Twitter est\u00e1 entre as empresas de m\u00eddia social mais pesquisadas, em parte porque seus dados costumavam ser mais f\u00e1ceis de adquirir do que outras plataformas. (Gra\u00e7as a <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.wired.com\/story\/twitter-data-api-prices-out-nearly-everyone\/\">mudan\u00e7as no acesso \u00e0 API do Twitter<\/a>, esse n\u00e3o \u00e9 mais o caso.) Por outro lado, relativamente pouco escrut\u00ednio recai sobre o YouTube ou plataformas de podcast devido ao grande volume de conte\u00fado que um rep\u00f3rter deve assistir e \u00e0 falta de feeds de dados. Mas, ao evitar plataformas que nos s\u00e3o menos familiares ou que exigem um maior investimento de tempo, podemos estar perdendo informa\u00e7\u00f5es cruciais para nossas investiga\u00e7\u00f5es. Nenhuma pessoa nas m\u00eddias sociais \u00e9 leal a apenas uma plataforma, e os rep\u00f3rteres tamb\u00e9m n\u00e3o devem ser.<\/p>\n<p><b>Pesquisa avan\u00e7ada:<\/b> Ferramentas para investiga\u00e7\u00f5es online s\u00e3o notoriamente inst\u00e1veis. Elas est\u00e3o sujeitas aos caprichos dos executivos das m\u00eddias sociais, que a qualquer momento podem alterar o tipo de dados que tornam acess\u00edveis ao p\u00fablico. \u00c9 por isso que confiar apenas em ferramentas para investiga\u00e7\u00f5es \u00e9 uma m\u00e1 ideia. Mas h\u00e1 algo que pode ser \u00fatil em quase todas as investiga\u00e7\u00f5es: a pesquisa avan\u00e7ada. Use a pesquisa avan\u00e7ada do X\/Twitter para monitorar not\u00edcias de \u00faltima hora ao vivo. Use a pesquisa avan\u00e7ada do Google para obter informa\u00e7\u00f5es de sites que podem ser dif\u00edceis de navegar. A pesquisa est\u00e1 no centro do trabalho investigativo digital e voc\u00ea precisa estar confort\u00e1vel com a cria\u00e7\u00e3o de consultas e a utiliza\u00e7\u00e3o dos operadores oferecidos por diferentes plataformas. A GIJN tem <a href=\"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/recursos\/pesquisa-on-line-avancada\/\">um tutorial fant\u00e1stico<\/a> para voc\u00ea come\u00e7ar.<\/p>\n<p><b>Ferramenta Junkipedia:<\/b> Desenvolvida pelo <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/ati.io\/\">Algorithmic Transparency Institute<\/a>, a Junkipedia foi originalmente projetada para monitorar desinforma\u00e7\u00e3o e \u201cjunk news\u201d (algo como \u201cnot\u00edcias in\u00fateis\u201d). Mas seu foco se expandiu desde ent\u00e3o e agora permite que os usu\u00e1rios rastreiem e criem listas de contas de m\u00eddia social de uma d\u00fazia de plataformas diferentes, incluindo sites menos conhecidos como GETTR e Gab, bem como grandes sites como TikTok, Facebook e Telegram. A Junkipedia tamb\u00e9m pode transcrever e pesquisar podcasts em ingl\u00eas automaticamente. [A GIJN tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/gijn.org\/2023\/03\/20\/new-tools-monitoring-social-media-junkipedia\/\">cobriu os recursos de pesquisa da Junkipedia com mais profundidade<\/a>.]<\/p>\n<p><b>Ferramenta WeVerify: <\/b>A outra ferramenta confi\u00e1vel e insubstitu\u00edvel \u00e9 o <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/weverify.eu\/#\">WeVerify<\/a>. Foi criado por verificadores de fatos para verificadores de fatos. Voc\u00ea pode us\u00e1-la para fazer pesquisa reversa de imagens ou v\u00eddeos, comparar imagens para identificar manipula\u00e7\u00e3o e realizar an\u00e1lises do X\/Twitter. \u00c9 um canivete su\u00ed\u00e7o para rep\u00f3rteres investigando desinforma\u00e7\u00e3o. Funciona melhor com op\u00e7\u00f5es avan\u00e7adas, portanto, se voc\u00ea tiver um endere\u00e7o de e-mail comercial, inscreva-se em uma conta gratuita.<\/p>\n<p>Existem muito mais ferramentas por a\u00ed e o campo de reportagens sobre manipula\u00e7\u00e3o online est\u00e1 em constante mudan\u00e7a. \u00c0 medida que as empresas de m\u00eddia social evoluem, nosso jornalismo deve evoluir com elas. \u00c9 fundamental, neste campo, buscar sempre novas abordagens. O que voc\u00ea aprendeu aqui \u00e9 apenas um come\u00e7o.<\/p>\n<h4><b>Estudos de caso<\/b><\/h4>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/texty.org.ua\/projects\/108161\/telegram-occupation-how-russia-wanted-breed-media-monster-ended-paper-tiger\/\"><b>Ucr\u00e2nia:<\/b><\/a> Um projeto do ve\u00edculo investigativo ucraniano Texty mostrou como canais falsos do Telegram foram criados logo ap\u00f3s a invas\u00e3o em grande escala da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia. Os canais se apresentavam como fontes de not\u00edcias locais, mas \u201ceram de fato usados \u200b\u200bpara disseminar narrativas russas e refor\u00e7ar o apoio aos ocupantes\u201d. A investiga\u00e7\u00e3o descobriu que os canais pararam de funcionar assim que os territ\u00f3rios foram liberados. Os dados do Telegram est\u00e3o entre os mais acess\u00edveis de todas as redes sociais e voc\u00ea n\u00e3o precisa de ferramentas especiais para baixar o feed de um canal inteiro ou coletar dados sobre seu conte\u00fado e engajamento. Texty mapeou os dados do Telegram para mostrar a rela\u00e7\u00e3o entre as tropas no terreno e a propaganda online.<\/p>\n<div id=\"attachment_1207572\" style=\"width: 781px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Screenshot-2023-03-29-at-14.04.44-771x430-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1207572\" class=\"wp-image-1207572 size-full\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Screenshot-2023-03-29-at-14.04.44-771x430-1.png\" alt=\"\" width=\"771\" height=\"430\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Screenshot-2023-03-29-at-14.04.44-771x430-1.png 771w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Screenshot-2023-03-29-at-14.04.44-771x430-1-336x187.png 336w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Screenshot-2023-03-29-at-14.04.44-771x430-1-768x428.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 771px) 100vw, 771px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1207572\" class=\"wp-caption-text\">O Texty mapeou os canais do Telegram para analisar as ambi\u00e7\u00f5es militares iniciais da R\u00fassia. Imagem: Captura de tela, Texty<\/p><\/div>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.buzzfeednews.com\/article\/janelytvynenko\/israel-palestine-online-hate\"><b>Palestina<\/b><\/a><b>:<\/b> Em 2021, depois que as for\u00e7as israelenses atacaram a Mesquita de Al-Aqsa e feriram mais de 150 pessoas, Israel e a Palestina concordaram com um tenso cessar-fogo. Mas o que impediu temporariamente os foguetes de voar pelo ar fez pouco para impedir o que um pesquisador chamou de \u201clinchamentos promovidos online\u201d. O grupo de monitoramento de desinforma\u00e7\u00e3o FakeReporter registrou mais de <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2021\/05\/19\/technology\/israeli-clashes-pro-violence-groups-whatsapp.html\">100 grupos de WhatsApp e Telegram em hebraico coordenando ataques<\/a> contra \u00e1rabes em Bat Yam, uma cidade litor\u00e2nea ao sul de Tel Aviv. Os apelos \u00e0 viol\u00eancia precipitaram viol\u00eancia real, com um homem &#8211; pai de quatro filhos a caminho da praia &#8211; hospitalizado ap\u00f3s ser espancado, ostensivamente por ser \u00e1rabe. Figuras p\u00fablicas israelenses continuaram alimentando o \u00f3dio online, inclusive dos meios de comunica\u00e7\u00e3o que cobriram a hist\u00f3ria. Nunca houve informa\u00e7\u00f5es suficientes para determinar quem iniciou os grupos do Telegram e do WhatsApp, mas o caso mostrou claramente como a manipula\u00e7\u00e3o e o \u00f3dio online contribuem para danos no mundo real.<\/p>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2020\/09\/30\/magazine\/trump-voter-fraud.html\"><b>Estados Unidos<\/b><\/a><b>: <\/b>Muito se falou sobre as alega\u00e7\u00f5es infundadas de fraude eleitoral do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre as elei\u00e7\u00f5es de 2020 e como elas alimentaram a viol\u00eancia e a anarquia de 6 de janeiro. Uma reportagem investigativa de Jim Rutenberg, do New York Times, \u00e9 particularmente digna de nota. Ela tra\u00e7a os esfor\u00e7os republicanos para minar as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas de 2016 at\u00e9 pouco antes da elei\u00e7\u00e3o de 2020. Rutenberg analisa reivindica\u00e7\u00f5es falsas em v\u00e1rios estados, investiga de onde elas vieram e revela as mudan\u00e7as legislativas que elas foram usadas para justificar. A hist\u00f3ria \u00e9 uma aula magistral sobre como entender a desinforma\u00e7\u00e3o no que se refere ao poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/observers.france24.com\/en\/20200509-fake-news-covid-19-coronavirus-drc-congo-network\"><b>Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo:<\/b><\/a> Neste exemplo alarmante, um punhado de administradores congoleses de p\u00e1ginas do Facebook lan\u00e7ou uma campanha de desinforma\u00e7\u00e3o altamente eficaz durante a pandemia de COVID-19. Ao atribuir cita\u00e7\u00f5es falsas a figuras p\u00fablicas de alto escal\u00e3o, incluindo um especialista franc\u00eas em doen\u00e7as infecciosas, o diretor da OMS e os presidentes de Madagascar e da Fran\u00e7a, esse pequeno grupo promoveu propaganda antivacina infundada e espalhou teorias da conspira\u00e7\u00e3o sobre curas falsas. Uma equipe do FRANCE 24 Observers finalmente localizou um deles &#8211; um estudante de 20 anos de Kinshasa &#8211; e ele confidenciou que sua motiva\u00e7\u00e3o para espalhar mentiras era aumentar a presen\u00e7a de suas p\u00e1ginas na m\u00eddia social e gerar &#8220;burburinho&#8221;.<\/p>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/scholarworks.umass.edu\/communication_faculty_pubs\/132\/\"><b>Filipinas:<\/b><\/a> Embora esta seja uma reportagem acad\u00eamica, n\u00e3o uma reportagem para a imprensa, n\u00e3o \u00e9 menos importante para aqueles que se aprofundam na desinforma\u00e7\u00e3o. Os autores Jonathan Corpus Ong e Samuel Cabbuag revelaram o papel dos trolls pseud\u00f4nimos durante a elei\u00e7\u00e3o de 2019 nas Filipinas. Eles constataram que esse segmento t\u00e3o negligenciado da internet \u00e9 crucial para conduzir o discurso online e promover mensagens pol\u00edticas. O artigo tra\u00e7a alguns paralelos com a campanha de Michael Bloomberg para presidente dos Estados Unidos em 2020 e vale a pena ser lido tanto por suas t\u00e9cnicas investigativas quanto por suas conclus\u00f5es.<\/p>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/demtech.oii.ox.ac.uk\/wp-content\/uploads\/sites\/12\/2021\/01\/Cyber-Troop-Costa-Rica-2020.pdf\"><b>Costa Rica:<\/b><\/a> Este livro branco de dois acad\u00eamicos documenta a intromiss\u00e3o das chamadas tropas cibern\u00e9ticas nas elei\u00e7\u00f5es e na pol\u00edtica da Costa Rica desde 2018. Essas tropas cibern\u00e9ticas, definidas como \u201catores governamentais ou de partidos pol\u00edticos encarregados de manipular a opini\u00e3o p\u00fablica online\u201d, n\u00e3o apenas desempenharam um papel nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2018, mas foram usadas \u200b\u200bpor partidos pol\u00edticos de extrema-direita para promover uma oposi\u00e7\u00e3o feroz aos planos do novo presidente para a reforma fiscal e do servi\u00e7o p\u00fablico. Ao promover pesquisas pol\u00edticas falsas para deturpar o sentimento p\u00fablico e outras not\u00edcias falsas com o objetivo de prejudicar a reputa\u00e7\u00e3o de seus oponentes, esses atores locais de desinforma\u00e7\u00e3o semearam o caos e a disc\u00f3rdia em um dos pa\u00edses mais est\u00e1veis \u200b\u200bda Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em><strong><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Screenshot-2023-03-29-at-16.16.29-140x140-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-1207530 size-full\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Screenshot-2023-03-29-at-16.16.29-140x140-1.png\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"140\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Screenshot-2023-03-29-at-16.16.29-140x140-1.png 140w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Screenshot-2023-03-29-at-16.16.29-140x140-1-60x60.png 60w\" sizes=\"auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/><\/a><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.janelytv.com\/\">Jane Lytvynenko<\/a> <\/strong>\u00e9 rep\u00f3rter freelancer e pesquisadora do Harvard&#8217;s Shorenstein Center. Seu trabalho apareceu no Wall Street Journal, no Guardian, no The Atlantic e em outras publica\u00e7\u00f5es. Anteriormente, ela era redatora s\u00eanior de tecnologia do BuzzFeed News, onde cobria desinforma\u00e7\u00e3o. Jane \u00e9 de Kiev, na Ucr\u00e2nia, e mora em Vars\u00f3via, na Pol\u00f4nia.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este cap\u00edtulo do Guia do Rep\u00f3rter para Investigar Amea\u00e7as Digitais, da GIJN, aborda desinforma\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00f5es falsas e ferramentas para combat\u00ea-las, bem como estudos de caso.<\/p>\n","protected":false},"author":3031175,"featured_media":1346922,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"republication-tracker-tool-hide-widget":false,"footnotes":"","_tec_slr_enabled":"","_tec_slr_layout":""},"categories":[23167,23166,23164],"tags":[25696,25705,19650,25399,25213,25199,19858,25694,19859,25701,25702,25703,25704,25408],"gijn_topic":[],"series":[],"gijn_language":[],"gijn_region":[],"class_list":["post-2091803","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capitulo","category-guia","category-recursos","tag-ameacas-digitais","tag-centro-de-recursos-pt-br","tag-desinformacao-pt-pt","tag-facebook-pt-br","tag-fake-news-pt-br","tag-guia-de-reportagem","tag-informacoes-falsas-pt-pt","tag-investigacoes-ciberneticas","tag-investigacoes-online-pt-pt","tag-manipulacao-online","tag-midias-sociais","tag-noticias-falsas-pt-br","tag-reportagens-investigativas-pt-br","tag-tiktok-pt-br"],"acf":[],"ticketed":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2091803","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3031175"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2091803"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2091803\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2100359,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2091803\/revisions\/2100359"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1346922"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2091803"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2091803"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2091803"},{"taxonomy":"gijn_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_topic?post=2091803"},{"taxonomy":"series","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/series?post=2091803"},{"taxonomy":"gijn_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_language?post=2091803"},{"taxonomy":"gijn_region","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_region?post=2091803"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}