{"id":1620936,"date":"2024-07-11T03:00:18","date_gmt":"2024-07-11T07:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/gijn.org\/?p=1620936"},"modified":"2024-07-16T05:47:50","modified_gmt":"2024-07-16T09:47:50","slug":"quando-o-jornalista-investigativo-vira-alvo-licoes-da-jornalista-brasileira-patricia-campos-mello","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/artigos\/quando-o-jornalista-investigativo-vira-alvo-licoes-da-jornalista-brasileira-patricia-campos-mello\/","title":{"rendered":"Quando o jornalista investigativo vira alvo: li\u00e7\u00f5es da jornalista brasileira Patr\u00edcia Campos Mello"},"content":{"rendered":"<p>Patr\u00edcia Campos Mello n\u00e3o queria ser conhecida como a jornalista que foi alvo do presidente.<\/p>\n<p>Embora ela tenha constru\u00eddo uma reputa\u00e7\u00e3o para si mesma pelo seu trabalho cobrindo conflitos, elei\u00e7\u00f5es globais, campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o e cultura da Internet, como jornalista do impresso, ela ainda conseguia trabalhar em relativo anonimato.<\/p>\n<aside>\u201cReportagens investigativas levam tempo e n\u00e3o s\u00e3o necessariamente muito populares. N\u00e3o estar\u00e1 entre as hist\u00f3rias mais lidas, gerando cliques&#8230; [Mas] s\u00e3o super necess\u00e1rias\u201d. \u2014 Patr\u00edcia Campos Mello<\/aside>\n<p>Isso foi at\u00e9 ela conduzir uma investiga\u00e7\u00e3o que revelou uma rede de ag\u00eancias de marketing sendo usadas para espalhar mensagens em massa contendo informa\u00e7\u00f5es falsas durante as elei\u00e7\u00f5es no Brasil. Esses servi\u00e7os eram supostamente pagos por grupos de empres\u00e1rios que apoiavam o ent\u00e3o candidato Jair Bolsonaro e que compravam \u201cpacotes\u201d de mensagens falsas para serem divulgadas no WhatsApp. Nas palavras de Mello, eles haviam criado \u201cuma linha de montagem de desinforma\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o lhe rendeu uma s\u00e9rie de inimigos, alguns deles em cargos altos. E mais tarde, quando o filho de Bolsonaro disse que ela estava oferecendo sexo em troca de informa\u00e7\u00f5es sobre o seu pai, a mentira espalhou-se como fogo pelas fileiras dos te\u00f3ricos da conspira\u00e7\u00e3o e dos apoiadores de direita da administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando o pr\u00f3prio ex-presidente apareceu ao vivo na TV e repetiu a alega\u00e7\u00e3o, as coisas pioraram. \u201cDepois disso, minha vida se tornou um pesadelo. Tive pessoas me gritando na rua todos os tipos de amea\u00e7as, amea\u00e7as de estupro, v\u00eddeos pornogr\u00e1ficos com meu rosto, n\u00e3o deep fake, mas cheap fake\u201d, disse Mello, que hoje \u00e9 rep\u00f3rter do principal jornal brasileiro, a Folha S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Ela precisou de um guarda-costas quando as coisas estavam mais t\u00f3xicas, mudou seus passos, sua agenda e tentou continuar trabalhando, esperando que tudo passasse. O Comit\u00ea para a Prote\u00e7\u00e3o dos Jornalistas atribuiu-lhe o Pr\u00eamio de Liberdade de Imprensa de 2019, classificando a campanha coordenada contra ela como \u201cum dos casos mais vis\u00edveis de doxxing em um ano e em um ciclo eleitoral em que dezenas de jornalistas foram assediados e criticados pelas suas reportagens\u201d. A International Women\u2019s Media Foundation condenou a \u201cenxurrada de ataques mordazes\u201d contra ela como uma tentativa de silenciar as vozes das mulheres e prejudicar a liberdade de imprensa.<\/p>\n<aside>\u00c9 assim que funciona agora. Somos alvos.\u201d \u2014 Patr\u00edcia Campos Mello<\/aside>\n<p>\u201cQuando eu estava no meio disso&#8230; Voc\u00ea j\u00e1 teve um pesadelo em que estava nu no meio de uma multid\u00e3o e todo mundo estava vestido? Foi assim que me senti em cada minuto da minha vida. Pessoas gritando, recebendo mensagens, pessoas falando coisas na TV. Senti que nunca mais sairia de casa\u201d, disse ela.<\/p>\n<p>Tendo feito reportagens sobre conflitos internacionais sem uma equipe de seguran\u00e7a, Campos Mello sentiu-se frustrada por precisar de suporte para \u201ccobrir as elei\u00e7\u00f5es no meu pa\u00eds, um pa\u00eds democr\u00e1tico sem conflitos abertos\u201d. Mas ent\u00e3o ela percebeu que os ataques contra ela poderiam ter sido contra qualquer pessoa \u2013 \u00e9 uma t\u00e1tica de mobiliza\u00e7\u00e3o, \u201capenas parte da estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o\u2026 \u00c9 assim que funciona agora\u201d, diz ela. \u201cSomos alvos.\u201d<\/p>\n<p>Quando os ataques online continuaram, ela decidiu processar. <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/news\/world-latin-america-56554635\">Ela ganhou<\/a> esses casos e diz que a vida est\u00e1 mais tranquila desde que o ex-presidente saiu do cargo.<\/p>\n<p>\u201cO fato de que eles n\u00e3o est\u00e3o mais no poder significa que n\u00e3o eles t\u00eam essa estrutura funcionando t\u00e3o bem. N\u00e3o me interpretem mal, eles ainda t\u00eam todas as suas redes. \u00c0s vezes, eles escolhem alguns jornalistas espec\u00edficos para atacar, e isso \u00e9 apenas parte da sua estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o para mobilizar a base. Sempre tem alguma coisa&#8230; mas n\u00e3o \u00e9 nada comparado a como foi entre 2018 e 2021. Est\u00e1 tudo bem.&#8221;<\/p>\n<p>Este ano, enquanto se prepara para cobrir as elei\u00e7\u00f5es na \u00cdndia e nos EUA, especialmente o aspecto online das campanhas eleitorais e da desinforma\u00e7\u00e3o, ela est\u00e1 satisfeita por estar de volta a apenas assinar as reportagens, n\u00e3o ser o tema delas.<\/p>\n<p>\u201cEu queria minha vida normal de rep\u00f3rter de volta, que \u00e9 o que tenho agora, ent\u00e3o me sinto muito feliz. N\u00e3o levo isso muito para o lado pessoal \u2013 aconteceu comigo, aconteceu com outras mulheres aqui, talvez n\u00e3o t\u00e3o ruim, mas muito ruim tamb\u00e9m\u201d, disse ela. \u201cSinto-me aliviada por poder simplesmente fazer o meu trabalho\u201d.<\/p>\n<p><b>GIJN: De todas as investiga\u00e7\u00f5es em que voc\u00ea trabalhou, qual foi a sua favorita e por qu\u00ea?<\/b><\/p>\n<p><strong>Patr\u00edcia Campos Mello: <\/strong>Em termos de hist\u00f3rias investigativas, eu teria que dizer toda a s\u00e9rie sobre campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o e como elas foram usadas para manipular as elei\u00e7\u00f5es em 2018. Mas h\u00e1 outras hist\u00f3rias. Lembro que um dos projetos que fizemos se chamava World of Walls. Fizemos um projeto multim\u00eddia especial sobre refugiados ao redor do mundo em v\u00e1rios lugares. A mat\u00e9ria que fizemos no Brasil foi sobre uma favela gigante que ficava perto da rodovia. Todo o pessoal da classe m\u00e9dia de S\u00e3o Paulo pegava essa estrada para ir \u00e0 praia no fim de semana, ent\u00e3o constru\u00edram um muro para que [ningu\u00e9m] visse. As pessoas estavam dirigindo para a praia e n\u00e3o tinham ideia de que logo atr\u00e1s desse muro estavam 30 mil pessoas, dominadas por uma gangue de traficantes. Gostei muito dessa hist\u00f3ria, passamos muito tempo l\u00e1.<\/p>\n<p><b>GIJN: Quais s\u00e3o os maiores desafios em termos de reportagem investigativa no seu pa\u00eds?<\/b><\/p>\n<p><strong>PCM: <\/strong>Depende, claro, da administra\u00e7\u00e3o, mas nos \u00faltimos anos tivemos uma enorme diminui\u00e7\u00e3o da transpar\u00eancia. Com a nossa lei de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, eles come\u00e7aram a encontrar brechas para n\u00e3o nos fornecer as informa\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, eles n\u00e3o publicavam a agenda p\u00fablica dos funcion\u00e1rios do Estado, [ent\u00e3o houve] toda esta guerra contra a transpar\u00eancia. Isso foi muito dif\u00edcil nos \u00faltimos anos, \u00e9 algo que hav\u00edamos conquistado, com a nossa lei, e que estava sendo prejudicado.<\/p>\n<p>Depois, \u00e9 claro, h\u00e1 toda a persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, que \u00e9 enorme no Brasil, na \u00cdndia, nas Filipinas e em tantos outros lugares. N\u00e3o \u00e9 algo que aprendemos na faculdade &#8211; que isso faria parte do trabalho &#8211; mas aparentemente agora faz.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m o ass\u00e9dio judicial. Temos cada vez mais freelancers, mas se n\u00e3o tivermos um empregador que nos d\u00ea assist\u00eancia jur\u00eddica, muitos jornalistas param de investigar porque t\u00eam medo de serem processados \u200b\u200be n\u00e3o t\u00eam advogado.<\/p>\n<p><b> GIJN: Qual foi o maior desafio que voc\u00ea enfrentou em sua carreira como jornalista investigativa?<\/b><\/p>\n<p><strong>PCM: <\/strong>Acho que tive muita sorte na minha vida. Tive mentores muito bons. Acho que um dos desafios que todos enfrentamos agora \u00e9 que o estado atual do jornalismo recompensa algo que n\u00e3o \u00e9 o jornalismo investigativo. Reportagens investigativas levam tempo e n\u00e3o s\u00e3o necessariamente muito populares. N\u00e3o estar\u00e1 entre as hist\u00f3rias mais lidas, gerando cliques. Um dos desafios \u00e9 o que fazemos&#8230; leva tempo, \u00e9 dif\u00edcil e n\u00e3o \u00e9 necessariamente sexy. Eu tinha um amigo que fazia essa piada: \u2018basta anexar um v\u00eddeo de um m\u00edssil destruindo um pinguim para que as pessoas leiam\u2019. N\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rea popular. \u00c9 super necess\u00e1ria, mas n\u00e3o tenho certeza se as reda\u00e7\u00f5es valorizam tanto isso. N\u00e3o \u00e9 como escrever artigos de opini\u00e3o, [onde] voc\u00ea pode escrever seis artigos por dia.<\/p>\n<p><b>GIJN: Qual a sua melhor dica para entrevistas?<\/b><\/p>\n<p><strong>PCM: <\/strong>Isso n\u00e3o funciona na TV, mas funciona quando voc\u00ea est\u00e1 escrevendo hist\u00f3rias. Sempre fiquei tentado a tentar deixar as pessoas super confort\u00e1veis \u200b\u200bem termos de n\u00e3o ter sil\u00eancios constrangedores. Se eu perguntasse alguma coisa e a pessoa parecesse n\u00e3o saber a resposta, eu sempre tentava ajudar, falar alguma coisa. E aprendi com um colega que \u00e0s vezes quando voc\u00ea deixa a pessoa em sil\u00eancio, \u00e9 a\u00ed que voc\u00ea consegue respostas realmente verdadeiras. \u00c0s vezes \u00e9 importante esperar que a pessoa pense, no seu sil\u00eancio constrangedor. \u00c9 a\u00ed que voc\u00ea consegue algumas respostas realmente importantes.<\/p>\n<p><b>GIJN: Qual \u00e9 a ferramenta, banco de dados ou aplicativo de reportagem favorito que voc\u00ea usa em suas investiga\u00e7\u00f5es?<\/b><\/p>\n<p><strong>PCM: <\/strong>Existe uma espec\u00edfica criada por dois jovens brasileiros \u2014 <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.palver.com.br\/\">Palver<\/a> \u2014 \u00c9 um enorme banco de dados de grupos p\u00fablicos de WhatsApp, aqueles que voc\u00ea pode entrar por meio de um link, e canais e grupos de Telegram, que tamb\u00e9m s\u00e3o p\u00fablicos. \u00c9 um painel onde voc\u00ea pode pesquisar. \u00c9 tudo anonimizado, voc\u00ea n\u00e3o sabe quem est\u00e1 dizendo o qu\u00ea. Mas voc\u00ea pode pesquisar muitas coisas: que informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 viralizando, qual \u00e9 o assunto, qual \u00e9 o sentimento, voc\u00ea pode pesquisar em \u00e1udios e v\u00eddeos porque s\u00e3o transcritos. Ent\u00e3o se voc\u00ea quer um term\u00f4metro do que est\u00e1 acontecendo no pa\u00eds, ou em uma elei\u00e7\u00e3o, que tipo de narrativa falsa est\u00e1 ganhando for\u00e7a&#8230; Eu uso isso desde as elei\u00e7\u00f5es de 2022. \u00c9 realmente \u00f3timo. N\u00e3o \u00e9 aberto, mas eles podem, dependendo do caso, abrir para jornalistas.<\/p>\n<p><b> GIJN: Qual foi o melhor conselho que <\/b><b><i>voc\u00ea<\/i><\/b><b> recebeu at\u00e9 agora em sua carreira e que conselhos voc\u00ea daria a um aspirante a jornalista investigativo?<\/b><\/p>\n<p><strong>PCM: <\/strong>Recebi um conselho muito bom da minha segunda chefe, que era mulher. E ela disse: se voc\u00ea quer ser jornalista tem que ouvir muito mais do que falar. Voc\u00ea est\u00e1 l\u00e1 para ouvir, n\u00e3o para falar ou expressar seus sentimentos ou opini\u00f5es. Se voc\u00ea \u00e9 rep\u00f3rter, precisa aprender a realmente ouvir as pessoas. Isso \u00e9 algo que procuro sempre ter em mente e quando as pessoas me perguntam eu digo a mesma coisa. Eu acho que \u00e9 importante. Acho que hoje em dia \u00e9 \u00fatil porque as pessoas est\u00e3o muito focadas em si mesmas e em dar suas opini\u00f5es, mas se voc\u00ea \u00e9 jornalista tem que ouvir, absorver as coisas. O principal \u00e9 ouvir e investigar. N\u00e3o se trata do que voc\u00ea pensa.<\/p>\n<p><b> GIJN: Quem \u00e9 um jornalista que voc\u00ea admira e por qu\u00ea?<\/b><\/p>\n<p><strong>PCM: <\/strong>Maria Ressa, porque al\u00e9m de corajosa ela \u00e9 uma excelente rep\u00f3rter, muito boa em desenterrar coisas. Existem algumas jornalistas no Brasil, uma delas Dorrit Harazim. Ela \u00e9 bem mais velha, era uma rep\u00f3rter incr\u00edvel, ainda \u00e9, \u00e9 muito completa, uma pessoa boa. Admiro os jornalistas n\u00e3o apenas pelo que fazem como jornalistas, mas pelo que s\u00e3o como pessoas. Tamb\u00e9m Miriam Leit\u00e3o que se especializou em economia. Ela foi torturada durante a ditadura militar, \u00e9 superinteligente, foi assediada pela direita e pela esquerda. Esses dois s\u00e3o os anti influenciadoras: est\u00e3o focados em reportar, ouvir os outros, investigar.<\/p>\n<p><b> GIJN: Qual foi o maior erro que voc\u00ea cometeu e que li\u00e7\u00f5es voc\u00ea aprendeu?<\/b><\/p>\n<p><strong>PCM: <\/strong>J\u00e1 faz muito tempo, mas quando eu estava realmente no in\u00edcio da minha carreira tive que escrever sobre esse piloto brasileiro, Ayrton Senna, que acabara de falecer. Ele sofreu um acidente em uma curva espec\u00edfica de um circuito. Eu estava escrevendo a hist\u00f3ria, estava com pressa e n\u00e3o reli nem verifiquei. E eu disse que ele morreu numa curva diferente, o que foi um absurdo. Cada pessoa no Brasil sabia o nome da curva. Era t\u00e3o \u00f3bvio e p\u00fablico que de alguma forma ningu\u00e9m percebeu e foi publicado e lembro que meu pai me ligou e disse: \u2018Como voc\u00ea pode fazer isso? Como voc\u00ea pode errar?\u2019 E estou pensando que \u00e9 a\u00ed que os erros acontecem. Quando voc\u00ea pensa &#8216;Eu sei isso. N\u00e3o vou ler pela terceira, pela quarta vez. Ou verificar novamente. &#8216;Fiquei t\u00e3o envergonhada, foi t\u00e3o constrangedor, que foi algo que aprendi. Voc\u00ea leu pela segunda vez? Certo. Pela terceira vez? Pela quarta vez? Verifique tr\u00eas vezes porque sempre haver\u00e1 algo errado.<\/p>\n<p><b>GIJN: Como voc\u00ea evita o burnout em seu ramo de trabalho?<\/b><\/p>\n<p><strong>PCM: <\/strong>Como posso evitar o burnout? Eu n\u00e3o evito! Mas acho que algo que pode agravar nosso esgotamento s\u00e3o as redes sociais, ent\u00e3o uma das coisas que tento fazer \u00e9 n\u00e3o ler nada quando estou sendo atacado ou assediado online. Eu fa\u00e7o uma desintoxica\u00e7\u00e3o das redes sociais. Eu nunca respondo mesmo, n\u00e3o respondo nada, n\u00e3o me envolvo, mas se tem algo muito pol\u00eamico, digamos que voc\u00ea publica uma mat\u00e9ria e depois recebe toda essa rea\u00e7\u00e3o, a\u00ed eu simplesmente paro. Pare de ler, porque fica muito t\u00f3xico.<\/p>\n<p><b>GIJN: O que voc\u00ea acha frustrante no jornalismo investigativo ou espera que mude no futuro?<\/b><\/p>\n<p><strong>PCM:<\/strong> N\u00e3o tenho ilus\u00f5es de que o que estamos fazendo vai mudar as coisas. Mas ainda mantenho uma pequena esperan\u00e7a de que algumas coisas possam mudar. Quando voc\u00ea publica uma hist\u00f3ria, ela chama a aten\u00e7\u00e3o por cinco minutos e os funcion\u00e1rios p\u00fablicos dizem: &#8216;Isso \u00e9 um absurdo, isso tem que mudar, tem que haver mudan\u00e7as na lei ou a justi\u00e7a tem que ser feita&#8217;. A\u00ed, depois de cinco minutos, todo mundo esquece e nada acontece. Mas, novamente, talvez seja apenas a nossa vaidade esperando que alguma coisa mude. Voc\u00ea n\u00e3o pode pensar nisso quando est\u00e1 fazendo o trabalho, voc\u00ea apenas tem que fazer o trabalho. Mas ainda tenho uma pequena esperan\u00e7a de que as pessoas prestem aten\u00e7\u00e3o por mais de cinco minutos e que isso possa mudar alguma coisa.<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Laura-Barcelona-byline-e1667409667981.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-1157121 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Laura-Barcelona-byline-e1667409667981-140x140.png\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"140\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Laura-Barcelona-byline-e1667409667981-140x140.png 140w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Laura-Barcelona-byline-e1667409667981-60x60.png 60w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Laura-Barcelona-byline-e1667409667981-390x391.png 390w\" sizes=\"auto, (max-width: 140px) 100vw, 140px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/gijn.org\/about\/staff-member\/laura-dixon\/\"><b>Laura Dixon<\/b><\/a> \u00e9 editora s\u00eanior da GIJN e jornalista freelancer do Reino Unido. Ela fez reportagens na Col\u00f4mbia, nos EUA e no M\u00e9xico, e <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/laurajdixon.wordpress.com\/\">seu trabalho<\/a> foi publicado pelo The Times, The Washington Post e The Atlantic. Ela recebeu bolsas da IWMF e do Pulitzer Center.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a premiada jornalista da Folha de S\u00e3o Paulo fez uma investiga\u00e7\u00e3o sobre desinforma\u00e7\u00e3o eleitoral, ela pr\u00f3pria se tornou alvo de desinforma\u00e7\u00e3o. Ela conversa com a GIJN sobre como lidar com inimigos em cargos importantes, recuperar sua \u201cvida normal de rep\u00f3rter\u201d e suas ferramentas favoritas.<\/p>\n","protected":false},"author":3031175,"featured_media":1635233,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"republication-tracker-tool-hide-widget":false,"footnotes":"","_tec_slr_enabled":"","_tec_slr_layout":""},"categories":[23170],"tags":[24862,24905,19835,19650,19838,23545,24900,24904],"gijn_topic":[24871,18816],"series":[],"gijn_language":[],"gijn_region":[],"class_list":["post-1620936","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-america-latina-pt-br","tag-ataques-a-jornalistas-pt-br","tag-brasil-pt-pt","tag-desinformacao-pt-pt","tag-eleicoes-brasileiras-pt-pt","tag-folha-de-sao-paulo-pt-pt","tag-latam-focus-pt-br","tag-patricia-campos-mello-pt-br","gijn_topic-latam-focus-pt-br","gijn_topic-noticias-e-analises"],"acf":[],"ticketed":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1620936","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3031175"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1620936"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1620936\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1625246,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1620936\/revisions\/1625246"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1635233"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1620936"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1620936"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1620936"},{"taxonomy":"gijn_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_topic?post=1620936"},{"taxonomy":"series","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/series?post=1620936"},{"taxonomy":"gijn_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_language?post=1620936"},{"taxonomy":"gijn_region","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_region?post=1620936"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}