{"id":1614545,"date":"2024-07-08T12:00:25","date_gmt":"2024-07-08T16:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/gijn.org\/?p=1614545"},"modified":"2024-07-13T12:01:50","modified_gmt":"2024-07-13T16:01:50","slug":"o-poder-da-colaboracao-el-clip-e-o-plano-para-transformar-o-ecossistema-investigativo-da-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/artigos\/o-poder-da-colaboracao-el-clip-e-o-plano-para-transformar-o-ecossistema-investigativo-da-america-latina\/","title":{"rendered":"O poder da colabora\u00e7\u00e3o: El CLIP e o plano para transformar o ecossistema investigativo da Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p>O plano para mudar radicalmente a forma como os jornalistas investigativos colaboram na Am\u00e9rica Latina foi lan\u00e7ado em Praga em 2015, quando tr\u00eas amigas se reuniram e reacenderam um sonho de longa data.<\/p>\n<aside>&#8220;Ficou muito claro para mim que havia um v\u00e1cuo na Am\u00e9rica\u2026 Quer\u00edamos colabora\u00e7\u00e3o entre organiza\u00e7\u00f5es: \u00e9 assim que elas podem se fortalecer\u201d. \u2014 Mar\u00eda Teresa Ronderos, diretora do CLIP<\/aside>\n<p>O contexto foi um workshop intensivo que reuniu jornalistas sob a amea\u00e7a comum de regimes autorit\u00e1rios; as amigas eram Mar\u00eda Teresa Ronderos, da Col\u00f4mbia, Marina Walker-Guevara, da Argentina, e Giannina Segnini, da Costa Rica \u2013 um trio composto por algumas das jornalistas mais respeitadas da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Elas compartilhavam a convic\u00e7\u00e3o, constru\u00edda ao longo de muitos anos, de que muitas hist\u00f3rias na sua regi\u00e3o tinham potencial para ultrapassar as fronteiras latino-americanas e serem muito mais colaborativas, espelhando as investiga\u00e7\u00f5es transnacionais e os desafios que os jornalistas enfrentam.<\/p>\n<p>\u201c[O workshop] gerou esse ambiente, a ideia de que temos que enfrentar o que est\u00e1 por vir\u201d, lembra Ronderos. \u201cNaquela \u00e9poca, n\u00f3s tr\u00eas trabalh\u00e1vamos para organiza\u00e7\u00f5es nos EUA ou na Europa e sonh\u00e1vamos em poder fazer o que j\u00e1 \u00e9ramos apaixonadas por fazer na Am\u00e9rica Latina. E ent\u00e3o dissemos: \u2018Bem, vamos criar nosso pr\u00f3prio centro, para o jornalismo transfronteiri\u00e7o na Am\u00e9rica Latina\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Elas fizeram um pacto naquela noite em Praga, de que uma delas algum dia levantaria a bandeira e conduziria o projeto \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o. Quatro anos depois, com Ronderos como diretora e Segnini e Walker-Guevara no conselho, nasceu o Centro Latino-Americano de Jornalismo Investigativo \u2013 ou CLIP, na sigla em espanhol.<\/p>\n<p>\u201cFicou muito claro para mim que havia um v\u00e1cuo na Am\u00e9rica Latina. As investiga\u00e7\u00f5es transfronteiri\u00e7as que existiam eram no estilo tradicional, com correspondentes e stringers. Quer\u00edamos colabora\u00e7\u00e3o entre organiza\u00e7\u00f5es: \u00e9 assim que elas podem se fortalecer. O que quer\u00edamos era ajudar a fortalecer o ecossistema do jornalismo investigativo\u201d, afirma Ronderos.<\/p>\n<h4><b>Come\u00e7ando a todo vapor<\/b><\/h4>\n<p>O lan\u00e7amento do CLIP foi o oposto de suave.<\/p>\n<p>Oficialmente criado em junho de 2019, e com uma equipe de apenas quatro pessoas, o CLIP mergulhou em duas colabora\u00e7\u00f5es transnacionais j\u00e1 em curso, que necessitavam de coordena\u00e7\u00e3o, apoio t\u00e9cnico e editorial e, em um dos casos, de um porta-voz para encabe\u00e7ar uma hist\u00f3ria bastante perigosa para ser assinada. As investiga\u00e7\u00f5es envolveram v\u00e1rios parceiros em todo o continente, foram complicadas por riscos de seguran\u00e7a e desafios t\u00e9cnicos. Mas, em setembro, ambas as hist\u00f3rias foram publicadas em v\u00e1rios ve\u00edculos. O site se tornou um <a href=\"https:\/\/gijn.org\/membership\/gijn-global-network\/\">membro da GIJN<\/a> dois anos depois.<\/p>\n<div id=\"attachment_1612347\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed-3-336x336-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1612347\" class=\"wp-image-1612347 size-full\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed-3-336x336-1.png\" alt=\"\" width=\"336\" height=\"336\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed-3-336x336-1.png 336w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed-3-336x336-1-140x140.png 140w\" sizes=\"auto, (max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1612347\" class=\"wp-caption-text\">Faith Transnationals, uma das primeiras reportagens investigativas do CLIP, revelou a propaga\u00e7\u00e3o do fundamentalismo religioso pela Am\u00e9rica Latina. Imagem: Cortesia do CLIP<\/p><\/div>\n<p>Um deles, <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.elclip.org\/lideres-evangelicos-amparados-por-la-casa-blanca-exportan-agenda-fundamentalista-a-america-latina\/?lang=en\">Faith Transnationals<\/a>, exigiu a coordena\u00e7\u00e3o de 16 meios de comunica\u00e7\u00e3o social em 13 pa\u00edses, revelando a propaga\u00e7\u00e3o do fundamentalismo religioso em toda a regi\u00e3o. O outro, o <a href=\"https:\/\/gijn.org\/stories\/after-mexican-journalists-murder-colleagues-come-together-to-investigate\/\">Projeto Miroslava<\/a>, procurou trazer \u00e0 luz anos de reportagens de jornalistas no M\u00e9xico sobre o assassinato de sua colega, a rep\u00f3rter investigativa <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/rsf.org\/en\/seven-years-after-mexican-reporter-s-still-unpunished-murder-presidential-candidates-asked-commit\">Miroslava Breach<\/a>.<\/p>\n<p>O primeiro projeto demonstrou a capacidade do CLIP de centralizar e editar, a sua capacidade de unir m\u00faltiplos fios para tecer uma narrativa global.<\/p>\n<p>\u201cEles t\u00eam sido muito importantes e bem-sucedidos na convoca\u00e7\u00e3o de meios de comunica\u00e7\u00e3o e jornalistas para projetos com perspectiva regional, com base na experi\u00eancia local dos participantes\u201d, diz Carlos Dada, fundador e diretor do <a href=\"https:\/\/gijn.org\/stories\/under-attack-el-faros-gutsy-reporting-in-latin-america\/\">El Faro<\/a>, o meio de not\u00edcias digital de El Salvador que participou no projeto Faith Transnationals. \u201cEles s\u00e3o muito bons em um panorama editorial mais amplo, em dar sentido jornal\u00edstico aos projetos, e tamb\u00e9m no que h\u00e1 de mais complicado entre os latino-americanos: a coordena\u00e7\u00e3o dos participantes&#8221;.<\/p>\n<p>O segundo projeto mostrou a ampla gama de suas capacidades. A participa\u00e7\u00e3o do CLIP criou um espa\u00e7o seguro para publica\u00e7\u00e3o an\u00f4nima diante de retalia\u00e7\u00f5es, agregando parceiros internacionais para completar as hist\u00f3rias. O grupo de jornalismo investigativo <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.bellingcat.com\/news\/americas\/2019\/09\/06\/miroslava-the-journalist-who-refused-to-be-complicit\/\">Bellingcat<\/a>, com sede na Holanda, foi trazido para ajudar na an\u00e1lise de imagens de sat\u00e9lite e de c\u00f3digo aberto para contrabalancear as amea\u00e7as de reportagens no local; A <a href=\"https:\/\/gijn.org\/stories\/paris-based-journalists-saving-investigations-from-oblivion\/\">Forbidden Stories<\/a>, com sede em Paris, cuja miss\u00e3o \u00e9 \u201ccontinuar e publicar o trabalho de outros jornalistas que enfrentam amea\u00e7as, pris\u00e3o ou assassinato\u201d, ajudou a garantir que a hist\u00f3ria chegasse a um p\u00fablico internacional.<\/p>\n<div id=\"attachment_1612370\" style=\"width: 781px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed-2-771x408-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1612370\" class=\"wp-image-1612370 size-full\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed-2-771x408-1.png\" alt=\"\" width=\"771\" height=\"408\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed-2-771x408-1.png 771w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed-2-771x408-1-336x178.png 336w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed-2-771x408-1-768x406.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 771px) 100vw, 771px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1612370\" class=\"wp-caption-text\">O Projeto Miroslava documentou anos de reportagens de jornalistas no M\u00e9xico sobre o assassinato da rep\u00f3rter investigativa Miroslava Breach. Imagem: Cortesia do CLIP<\/p><\/div>\n<p>\u201cO trabalho do CLIP era analisar dados, muita edi\u00e7\u00e3o, e apoiar e refor\u00e7ar a seguran\u00e7a porque as pessoas estavam muito ansiosas. Fornecemos uma vis\u00e3o externa de como poderia ser mais forte. O bolo estava feito e colocamos a cereja para que fosse divulgado\u201d, explica Ronderos.<\/p>\n<p>Para Jennifer \u00c1vila, diretora do site investigativo hondurenho <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/contracorriente.red\/en\/who-we-are\/\">ContraCorriente<\/a>, parceiro frequente do CLIP, a organiza\u00e7\u00e3o cumpriu a promessa de derrubar a colabora\u00e7\u00e3o tradicional.<\/p>\n<aside>&#8220;Quer\u00edamos colabora\u00e7\u00e3o entre organiza\u00e7\u00f5es: \u00e9 assim que elas podem se fortalecer. O que quer\u00edamos era ajudar a fortalecer o ecossistema do jornalismo investigativo\u201d\u00a0 \u2014 Mar\u00eda Teresa Ronderos, diretora do CLIP<\/aside>\n<p>\u201cAs colabora\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis, algumas falham porque n\u00e3o existem regras claras, porque existe ego\u00edsmo\u201d, afirma \u00c1vila. \u201cContinuamos a colaborar com o CLIP porque h\u00e1 seriedade, compromisso, processo e interesse genu\u00edno em nos proteger. Acredito que eles realmente respeitam o p\u00fablico e a miss\u00e3o de cada meio de comunica\u00e7\u00e3o. Eles t\u00eam muita empatia, ouvem o parceiro e isso faz toda a diferen\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>O in\u00edcio r\u00e1pido do CLIP foi tanto uma prova de conceito como uma declara\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00f5es. Desde ent\u00e3o, produziram centenas de artigos, em colabora\u00e7\u00e3o com quase uma centena de parceiros de comunica\u00e7\u00e3o social, apenas na Am\u00e9rica Latina, al\u00e9m de muitos mais aliados na Europa, nos Estados Unidos, na \u00c1sia e na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Outras hist\u00f3rias not\u00e1veis no \u00faltimos anos incluem:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.elclip.org\/paraisos-de-dinero-y-fe\/\"><i>Para\u00edsos de dinheiro e f\u00e9<\/i><\/a><i>, que investigou como, sob a cobertura de normas que protegem as liberdades religiosas, algumas igrejas e l\u00edderes cometeram crimes. Como diz Ronderos, este projeto analisou como \u201cas igrejas estavam sendo investigadas em muitos lugares por atividades criminosas, como lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros\u201d.\u00a0<\/i><\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/migrantes-otro-mundo.elclip.org\/\"><i>Migrantes de outro mundo<\/i><\/a><i> relatou como milhares de pessoas deixam a \u00c1sia e a \u00c1frica todos os anos para atravessar a Am\u00e9rica Latina, desafiando m\u00faltiplos obst\u00e1culos e perigos, em busca de prote\u00e7\u00e3o e de um futuro na Am\u00e9rica do Norte. \u201cEssa investiga\u00e7\u00e3o mostrou o tipo de quebra-cabe\u00e7a que o CLIP poderia montar\u201d, disse Pe\u00f1arredonda.<\/i><\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.elclip.org\/mentiras-contagiosas\/\"><i>Mentiras contagiosas<\/i><\/a><i>, um projeto que explorou como pol\u00edticos, figuras p\u00fablicas, publica\u00e7\u00f5es e vendedores de supostas curas milagrosas espalham informa\u00e7\u00f5es erradas durante a pandemia do coronav\u00edrus. A opini\u00e3o de Pe\u00f1arredonda: \u201cPura investiga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica transnacional tradicional, aliada \u00e0 pesquisa digital, ao estudo das redes sociais para compreender como tudo se movia, como estes grupos recrutavam, como contavam mentiras, como se tornavam t\u00e3o influentes e por meio de quais plataformas&#8221;.\u00a0\u00a0<\/i><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.elclip.org\/viaje-al-centro-de-odebrecht\/\"><i>Viagem ao Cora\u00e7\u00e3o da Odebrecht<\/i><\/a><i>, publicada como parte de uma colabora\u00e7\u00e3o investigativa, revisita o emblem\u00e1tico caso de corrup\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m conhecido como Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, que causou um terremoto pol\u00edtico em 2014, quando se soube que empresas brasileiras estavam envolvidas em lavagem de dinheiro, suborno e financiamento il\u00edcito de campanhas. \u201cQueremos encontrar mais Lava Jatos\u201d, diz Giannina Segnini, apontando como eles trabalharam com aliados para procurar padr\u00f5es por meio do uso da tecnologia para aprofundar as hist\u00f3rias.<\/i><\/li>\n<\/ul>\n<h4><b>CLIP, ao seu servi\u00e7o<\/b><\/h4>\n<p>Para Ronderos, o compromisso do Centro Latino-Americano de Jornalismo Investigativo com a colabora\u00e7\u00e3o vai contra uma tradi\u00e7\u00e3o de competi\u00e7\u00e3o entre organiza\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o social. Em vez disso, a sua filosofia central acredita que, numa era de informa\u00e7\u00e3o superabundante, o valor n\u00e3o reside simplesmente em ser o primeiro a contar uma hist\u00f3ria, mas em trabalhar coletivamente para aumentar a sua qualidade, para conquistar acordos que tenham um efeito multiplicador para as investiga\u00e7\u00f5es. De certa forma, o CLIP procura ser a mar\u00e9 que levanta os barcos.<\/p>\n<p>\u201cPara mim, o trabalho do CLIP e a sua narrativa sobre a import\u00e2ncia da colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 muito valioso\u201d, afirma Enrique Gasteazoro, diretor do Projeto de M\u00eddia Regional da Am\u00e9rica Central da Internews, uma organiza\u00e7\u00e3o independente de desenvolvimento de m\u00eddia. \u201cPara al\u00e9m de ter sido refor\u00e7ado pelo contexto, pela necessidade que impulsionou este tipo de colabora\u00e7\u00e3o, o CLIP foi uma refer\u00eancia a n\u00edvel conceitual. Tem jornalistas com a trajet\u00f3ria muito bem consolidada, apostando na colabora\u00e7\u00e3o e quebrando as formas tradicionais de fazer as coisas&#8221;.<\/p>\n<div id=\"attachment_1612393\" style=\"width: 781px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed-771x347-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1612393\" class=\"wp-image-1612393 size-full\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed-771x347-1.jpg\" alt=\"Miembros del equipo CLIP. Imagen: Cortes\u00eda de CLIP\" width=\"771\" height=\"347\" srcset=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed-771x347-1.jpg 771w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed-771x347-1-336x151.jpg 336w, https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/unnamed-771x347-1-768x346.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 771px) 100vw, 771px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1612393\" class=\"wp-caption-text\">Membros da equipe do CLIP. Imagem: Cortesia do CLIP<\/p><\/div>\n<p>\u201cO CLIP chega com valor agregado para apoiar os jornalistas. N\u00e3o entra para lhes dizer o que fazer, mas para lhes perguntar: \u2018Como podemos ajud\u00e1-los?\u2019\u201d, explica Emiliana Garc\u00eda, Gerente Geral do CLIP e uma das cofundadoras.<\/p>\n<p>Voc\u00ea recebeu uma cole\u00e7\u00e3o de documentos vazados? Eles podem ajud\u00e1-lo a processar os dados e encontrar uma maneira de come\u00e7ar, t\u00e9cnica e editorialmente. Voc\u00ea tem medo por sua seguran\u00e7a? Eles podem ajud\u00e1-lo a criptografar seu trabalho, obter revis\u00e3o legal pro bono ou ajudar os rep\u00f3rteres a sair de seu pa\u00eds, se necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cVemos o CLIP como um centro de solu\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os, n\u00e3o como uma organiza\u00e7\u00e3o de m\u00eddia que compete com outras\u201d, diz Ronderos.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio, o compromisso de desenvolver e compartilhar ferramentas tecnol\u00f3gicas que possam beneficiar outros est\u00e1 na linha de frente destes servi\u00e7os. J\u00e1 existia desde o Projeto Miroslava, para o qual o arquiteto de dados do CLIP, Rigoberto Carvajal, criou \u201cLa Vecindad\u201d (\u201cO Bairro\u201d), uma plataforma criptografada onde os colaboradores podem compartilhar informa\u00e7\u00f5es com seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cO CLIP sempre soube que queria desenvolver um foco tecnol\u00f3gico muito forte. Desde o in\u00edcio pensamos em solicitar recursos para poder desenvolver tecnologia dentro do CLIP a servi\u00e7o do jornalismo\u201d, diz Garc\u00eda.<\/p>\n<p>Por um lado, as ferramentas digitais s\u00e3o adquiridas para que os rep\u00f3rteres possam utiliz\u00e1-las livremente, com oficinas sobre como utiliz\u00e1-las oferecidas a pre\u00e7o de custo; por outro, os desenvolvimentos tecnol\u00f3gicos internos s\u00e3o partilhados com os colaboradores e ficam a servi\u00e7o de todos aqueles que trabalham com o CLIP. O resultado s\u00e3o jornalistas mais qualificados e investiga\u00e7\u00f5es melhoradas, com acesso a melhores ferramentas, n\u00e3o s\u00f3 no seu trabalho com o CLIP, mas tamb\u00e9m nas suas reportagens.<\/p>\n<aside>\u201cVi-nos crescer de uma organiza\u00e7\u00e3o que fazia jornalismo investigativo para uma organiza\u00e7\u00e3o que fornece uma s\u00e9rie de servi\u00e7os e, portanto, desempenha um papel \u00fanico no ecossistema de m\u00eddia na Am\u00e9rica Latina\u201d \u2014 Jos\u00e9 Luis Pe\u00f1arredonda, editor de audi\u00eancia do CLIP<\/aside>\n<p>Para Gasteazoro, isto faz parte de uma defini\u00e7\u00e3o mais verdadeira do que o jornalismo transfronteiri\u00e7o e colaborativo deveria ser, n\u00e3o apenas um exerc\u00edcio entre geografias, mas entre disciplinas: \u201cO jornalismo precisa aprender com a ci\u00eancia de dados, com disciplinas mais criativas, ou com disciplinas de investiga\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Em outras palavras, transfronteiri\u00e7o \u00e9 a capacidade de ir al\u00e9m dos limites da sua disciplina ou da sua ind\u00fastria, de aprender li\u00e7\u00f5es e de as trazer e incorpor\u00e1-las&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 uma riqueza de perspectivas que tem caracterizado o CLIP e seu crescimento ao longo dos anos, seja na procura de aliados para al\u00e9m do jornalismo, seja na ajuda \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.elclip.org\/clipoteca\/#Documentales\">document\u00e1rios<\/a>, <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.elclip.org\/clipoteca\/#Podcast\">podcasts<\/a>, <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.elclip.org\/clipoteca\/#Libros\">livros<\/a> em formato digital e impresso, e <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.elclip.org\/clipoteca\/#Reportes\">reportagens<\/a> sobre IA e machine learning.<\/p>\n<p>\u201cVi-nos crescer de uma organiza\u00e7\u00e3o que fazia jornalismo investigativo para uma organiza\u00e7\u00e3o que fornece uma s\u00e9rie de servi\u00e7os e, portanto, desempenha um papel \u00fanico no ecossistema de m\u00eddia na Am\u00e9rica Latina\u201d, diz Jos\u00e9 Luis Pe\u00f1arredonda, editor de audi\u00eancia do CLIP.<\/p>\n<p>\u201cConseguimos ampliar a nossa rede de colaboradores no continente; come\u00e7amos a trabalhar com pessoas que n\u00e3o s\u00e3o jornalistas, com minist\u00e9rios digitais, com a sociedade civil, com acad\u00eamicos e com ativistas para fazer hist\u00f3rias. Ao longo dos anos, tenho visto o crescimento e o amadurecimento de todo esse modelo de colabora\u00e7\u00e3o radical&#8221;.<\/p>\n<h4><b>Crescimento gradual com vis\u00e3o<\/b><\/h4>\n<p>Em termos de desenvolvimento organizacional, as bases foram lan\u00e7adas tr\u00eas anos antes do lan\u00e7amento do CLIP, quando a equipa obteve capital inicial das Funda\u00e7\u00f5es Atlantic e Tinker, seguido de uma concess\u00e3o da Google News Initiative. Ao longo dos anos, eles tamb\u00e9m receberam financiamento da Luminate, da Open Society Foundations e da Ford Foundation, entre outras. O trabalho e a experi\u00eancia de uma d\u00e9cada de Emiliana Garc\u00eda na Costa Rica foram as bases para que fosse registrada como uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos no pa\u00eds, escolhido tamb\u00e9m devido \u00e0 sua estabilidade democr\u00e1tica e financeira.<\/p>\n<p>Pe\u00f1arredonda juntou-se em 2020 ao n\u00facleo de quatro membros que se reuniram para as primeiras investiga\u00e7\u00f5es \u2013 Ronderos, Garc\u00eda, Carvajal e o jornalista Andr\u00e9s Berm\u00fadez Li\u00e9vano \u2013, seguido por outros novos funcion\u00e1rios ao longo dos anos para chegar ao total atual de 17, incluindo membros da equipe de administra\u00e7\u00e3o e engenheiros front e back-end.<\/p>\n<p>A seguir, Garcia diz que olhar\u00e3o para o futuro com uma vis\u00e3o macro e institucional, concentrando-se n\u00e3o apenas na miss\u00e3o investigativa do CLIP, mas tamb\u00e9m com o objetivo de contribuir para uma ind\u00fastria jornal\u00edstica mais ampla.<\/p>\n<p>\u201cMe motiva muito pensar, diante de uma tremenda crise econ\u00f4mica, como n\u00f3s podemos ser uma esp\u00e9cie de laborat\u00f3rio para que o que aprendemos \u2013 o que vemos que \u00e9 \u00fatil ou n\u00e3o \u2013 possa ser compartilhado\u201d, diz Garc\u00eda.<\/p>\n<p>Para Ronderos, o objetivo \u00e9 garantir que os jornalistas possam continuar o seu trabalho frente \u00e0 dupla crise do modelo econ\u00f4mico em dificuldades da comunica\u00e7\u00e3o social e \u00e0 regress\u00e3o da liberdade de imprensa, que tem variado desde ordens de sil\u00eancio at\u00e9 o uso de spyware, ataques judiciais e f\u00edsicos, que levaram muitas reda\u00e7\u00f5es ao ex\u00edlio. O fortalecimento do ecossistema investigativo permite que os jornalistas tenham as ferramentas, os dados, a ajuda e o acesso para que n\u00e3o tenham que recuar ao responsabilizar os poderosos \u2014 ou tenham que ficar sozinhos ao enfrent\u00e1-los.<\/p>\n<p>\u201cQueremos ter um efeito para que as pessoas n\u00e3o se sintam sozinhas frente a regimes aterrorizantes\u201d, afirma Ronderos. \u201cPara que possam garantir que o registo permane\u00e7a para a hist\u00f3ria, para a mudan\u00e7a, para mostrar em algum momento o que estes regimes est\u00e3o fazendo e para desacreditar a sua propaganda. Queremos que esses jornalistas saibam que n\u00e3o est\u00e3o sozinhos&#8230; Estamos aqui e estamos todos juntos&#8221;.<\/p>\n<hr \/>\n<p><b><i><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Diego-Courchay-2-1024x684.jpg-140x140-1.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-1612416 size-full\" src=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Diego-Courchay-2-1024x684.jpg-140x140-1.webp\" alt=\"\" width=\"140\" height=\"140\" \/><\/a>Diego Courchay<\/i><\/b><i> \u00e9 editor associado da <\/i><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/delacortereview.org\/about\/\"><i>The Delacorte Review<\/i><\/a><i> e colaborador da GIJN. Anteriormente, trabalhou como produtor de not\u00edcias da NBC TELEMUNDO e como rep\u00f3rter da Ag\u00eancia EFE, Nexos e da revista Proceso. Ele se formou na Universidade de Columbia, em Nova York, e escreve e reporta em ingl\u00eas, espanhol e franc\u00eas.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O CLIP foi fundado por tr\u00eas jornalistas importantes que compartilhavam a convic\u00e7\u00e3o de que, para refletir os desafios internacionais que os jornalistas enfrentam na Am\u00e9rica Latina, as hist\u00f3rias tamb\u00e9m deveriam ultrapassar as fronteiras regionais. <\/p>\n","protected":false},"author":3031175,"featured_media":1612642,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"republication-tracker-tool-hide-widget":false,"footnotes":"","_tec_slr_enabled":"","_tec_slr_layout":""},"categories":[23170],"tags":[24862,24863,24864,24865,24866,24861,24867],"gijn_topic":[24871,18816,19039],"series":[],"gijn_language":[],"gijn_region":[],"class_list":["post-1614545","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-america-latina-pt-br","tag-centro-latino-americano-de-jornalismo-investigativo","tag-clip-pt-br","tag-colombia-pt-br","tag-costa-rica-pt-br","tag-latam-week","tag-mexico-pt-br","gijn_topic-latam-focus-pt-br","gijn_topic-noticias-e-analises","gijn_topic-perfis-dos-membros"],"acf":[],"ticketed":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1614545","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3031175"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1614545"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1614545\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1629409,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1614545\/revisions\/1629409"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1612642"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1614545"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1614545"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1614545"},{"taxonomy":"gijn_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_topic?post=1614545"},{"taxonomy":"series","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/series?post=1614545"},{"taxonomy":"gijn_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_language?post=1614545"},{"taxonomy":"gijn_region","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_region?post=1614545"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}