{"id":118528,"date":"2019-02-20T09:07:38","date_gmt":"2019-02-20T13:07:38","guid":{"rendered":"https:\/\/gijn.org\/?p=118528"},"modified":"2024-03-26T06:32:30","modified_gmt":"2024-03-26T10:32:30","slug":"uma-banda-de-punk-rock-como-o-the-intercept-ergueu-um-abrigo-para-o-jornalismo-investigativo-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/artigos\/uma-banda-de-punk-rock-como-o-the-intercept-ergueu-um-abrigo-para-o-jornalismo-investigativo-no-brasil\/","title":{"rendered":"&#8216;Uma banda de punk rock&#8217;: como o The Intercept ergueu um abrigo para o jornalismo investigativo no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Desde que o jornalista Glenn Greenwald ajudou a lan\u00e7ar o <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/theintercept?lang=en\">The Intercept<\/a>\u00a0cinco anos atr\u00e1s, na esteira da sua s\u00e9rie de reportagens sobre o caso Edward Snowden, o site tem crescido de forma r\u00e1pida. V\u00e1rios furos foram publicados nos Estados Unidos, muitos deles centrados nas ag\u00eancias americanas de intelig\u00eancia. Mas uma consequ\u00eancia um pouco inesperada na \u00e9poca da cria\u00e7\u00e3o do site nos EUA foi o lan\u00e7amento de uma vers\u00e3o brasileira, o The Intercept Brasil, baseado no Rio de Janeiro, onde Greenwald vive desde 2005. Ele considerou que o Brasil, com toda sua turbul\u00eancia pol\u00edtica e desafios envolvendo os direitos humanos, seria um bom local para experimentar um bra\u00e7o do The Intercept fora dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Quando foi lan\u00e7ado, em 2016, o The Intercept Brasil n\u00e3o teve dificuldade em atrair interesses da audi\u00eancia brasileira, muito em fun\u00e7\u00e3o da popularidade de Greenwald no pa\u00eds, em particular entre o p\u00fablico mais \u00e0 esquerda. No entanto, a opera\u00e7\u00e3o ganhou mais musculatura quando o jornalista investigativo\u00a0<a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.twitter.com\/demori\">Leandro Demori<\/a>\u00a0foi colocado por Glenn no comando, no in\u00edcio de 2018. Demori, al\u00e9m de comandar o The Intercept Brasil, tamb\u00e9m \u00e9 um dos diretores da Abraji (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jornalismo Investigativo) e j\u00e1 havia trabalhado anteriormente como editor do site da Piau\u00ed e como editor-chefe da opera\u00e7\u00e3o brasileira do Medium.<\/p>\n<p>Sob a ger\u00eancia de Demori, o The Intercept Brasil se tornou um dos principais atores no cen\u00e1rio de jornalismo investigativo no Brasil. \u00c9 raro passar uma semana sem que o site publique uma investiga\u00e7\u00e3o de f\u00f4lego, expondo desde corrup\u00e7\u00e3o de agentes p\u00fablicos a conflitos de interesse na ind\u00fastria aliment\u00edcia ou viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. Algumas das hist\u00f3rias s\u00e3o inclusive traduzidas para o ingl\u00eas e publicadas no site principal do The Intercept.<\/p>\n<p>Durante as elei\u00e7\u00f5es de outubro passado, o time do The Intercept Brasil fez uma campanha de crowdfunding muito bem sucedida, alcan\u00e7ando 135% da meta inicial de R$ 90 mil. Em dezembro, eles lan\u00e7aram uma outra campanha, esta para doa\u00e7\u00f5es recorrentes. At\u00e9 meados de fevereiro, eles j\u00e1 asseguraram mais de R$ 51 mil em colabora\u00e7\u00f5es mensais, de mais de 1.900 leitores. O The Intercept Brasil tamb\u00e9m est\u00e1 crescendo rapidamente nas redes sociais: a p\u00e1gina no Facebook tem mais de 353 mil curtidas, e n\u00e3o fica muito atr\u00e1s dos 515 mil da vers\u00e3o americana do The Intercept. Eles tamb\u00e9m t\u00eam mais de 202 mil seguidores no Twitter e quase 100 mil no Instagram.<\/p>\n<p>Nesta entrevista, Demori conta ao editor da GIJN em Portugu\u00eas, Breno Costa, sobre como o The Intercept Brasil est\u00e1 tentando elevar o jornalismo investigativo no Brasil em um momento sens\u00edvel na hist\u00f3ria do pa\u00eds. (<em>Observa\u00e7\u00e3o: Breno \u00e9 um colaborador eventual do The Intercept Brasil como freelancer e trabalha para a GIJN como parte de uma parceria com a Abraji<\/em>).<\/p>\n<p><strong>Qual tem sido o principal diferencial da cobertura do Intercept no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>A gente \u00e9 como uma banda de punk rock. A imprensa em geral \u00e9 mais como grandes big bands ou at\u00e9 orquestras sinf\u00f4nicas. A gente est\u00e1 em mais ou menos 18 pessoas hoje, contando tudo: editores, rep\u00f3rteres, redes sociais, administrativo. Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muita gente. Isso acaba diferenciando tamb\u00e9m a maneira como a gente trabalha, porque a gente tem que escolher os assuntos que a gente quer embarcar, sabe? Isso faz com que a gente fique boa parte do tempo fora do hard news e que a gente acabe escolhendo os caminhos pr\u00f3prios nossos. Isso acaba dando uma diferenciada no Intercept. A gente navega no quente, no que est\u00e1 rolando agora, mas acaba achando outras hist\u00f3rias, colaterais, ou avan\u00e7amos em hist\u00f3rias que ningu\u00e9m foi atr\u00e1s.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Intercept03.jpg\"><\/a>Leandro Demori, editor-executivo do The Intercept Brasil.<\/p>\n<p><strong>A equipe de voc\u00eas n\u00e3o tem jornalistas super experientes. S\u00e3o mais jovens, talvez sem tantas fontes como um rep\u00f3rter s\u00eanior teria. Como voc\u00eas driblam essa aparente desvantagem? Isso acaba virando uma vantagem por obrigar a explorar outros caminhos?<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, isso foi proposital. A gente montou a reda\u00e7\u00e3o assim porque s\u00e3o profissionais que est\u00e3o com mais g\u00e1s, a fim de construir carreira. N\u00e3o tem compromisso com fonte. A pessoa n\u00e3o tem uma rela\u00e7\u00e3o de 20 anos com a fonte A, B e C. A gente sabe como funciona. \u00c0s vezes fica sabendo de uma coisa e n\u00e3o pode publicar porque, se n\u00e3o, nunca mais vai conseguir informa\u00e7\u00e3o no lugar X ou Y. Ent\u00e3o a gente n\u00e3o tem essa cultura de cultivar fonte nesse n\u00edvel de n\u00e3o poder [desagradar]. A gente tem cuidado com fontes sens\u00edveis. Mas essa quase promiscuidade que a gente v\u00ea, principalmente em Bras\u00edlia, o Intercept passa muito longe disso. Foi proposital, para a gente conseguir pegar outros caminhos. A gente percebe que fontes mais novas constroem fontes de outras maneiras e tamb\u00e9m t\u00eam muita facilidade de trabalhar com fontes abertas, bancos de dados, tabelar coisas, pegar informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica que est\u00e1 por a\u00ed e juntar A + B. Isso s\u00e3o coisas que a reda\u00e7\u00e3o faz muito tamb\u00e9m por ser uma molecada.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acha que o The Intercept Brasil hoje pode ser considerado um site de jornalismo investigativo?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que a gente faz muito jornalismo investigativo. Uma vez um rep\u00f3rter da The New Yorker, o Ryan Lizza, me contou que, depois de ter trabalhado o tempo todo no impresso, quando montaram o site, ele come\u00e7ou a fazer coisas para o site e tomou gosto. E ele me disse: \u201ccara, de tudo o que eu fa\u00e7o, 70% para mais \u00e9 para o site, e eu acho muito mais legal, porque \u00e9 muito mais imediato, voc\u00ea acompanha a rea\u00e7\u00e3o, \u00e9 outra onda\u201d. Ele redescobriu a carreira dele. E ele falou que, na New Yorker, eles fazem tamb\u00e9m o que eles chamam de \u2018intelectual scoops\u2019. A gente tem muito furo no Intercept, documental, de fonte, entrevista, mas a gente tamb\u00e9m trabalha com esses furos intelectuais. \u00c0s vezes est\u00e1 rolando um assunto X no dia e a gente quer algu\u00e9m que possa dar uma vis\u00e3o diferente sobre aquilo, uma entrada original. Temos gente que escreve sobre religi\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o racial, quest\u00f5es econ\u00f4micas. E isso \u00e9 uma coisa que d\u00e1 bastante audi\u00eancia tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Em rela\u00e7\u00e3o ao The Intercept americano, quais s\u00e3o as diferen\u00e7as?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 o mesmo site. A gente \u00e9 quase como uma reda\u00e7\u00e3o do Intercept no Brasil. Trabalha numa l\u00f3gica de ag\u00eancia de not\u00edcias mesmo. A gente produz conte\u00fado em portugu\u00eas tamb\u00e9m para mandar para fora. Tem um pouco da l\u00f3gica da rela\u00e7\u00e3o que existe com a Reuters, Associated Press\u2026 \u00c9 um site cobrindo o Brasil para o mundo. Tanto \u00e9 que a gente quer fazer mais parcerias com outros jornais, da \u00c1frica lus\u00f3fona, Portugal, Argentina. A gente quer abrir. Mas, dentro das igualdades, o site americano \u00e9 mais focado nessas redes de espionagem dos Estados Unidos, pol\u00edtica local, e a gente tem mais uma pegada de direitos humanos, viol\u00eancia policial, quest\u00e3o pol\u00edtica. A gente tem essa realidade brasileira que eles n\u00e3o t\u00eam l\u00e1.<\/p>\n<p><strong>A imagem global do The Intercept \u00e9 muito associada ao Glenn Greenwald. Qual \u00e9 o papel efetivo dele na experi\u00eancia brasileira do site, nas defini\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas?<\/strong><\/p>\n<p>O Glenn, na verdade, \u00e9 cofundador do site. Ele n\u00e3o \u00e9 nem s\u00f3cio do Intercept. O Intercept pertence \u00e0 First Look Media. O Glenn, como fundador, \u00e9 um cara que tem as pautas pr\u00f3prias dele, que navega muito no universo dele. Ele \u00e9 como um rep\u00f3rter especial. Ele n\u00e3o tem inger\u00eancia no site, ele n\u00e3o edita o site de fato.<\/p>\n<p><strong>Na elei\u00e7\u00e3o, voc\u00eas tiveram essa experi\u00eancia de crowdfunding e foi um passo muito importante para refor\u00e7ar a quest\u00e3o do engajamento, estimular comunidade de leitores. Como tem sido essa experi\u00eancia do engajamento em si? O quanto isso \u00e9 importante para o modelo do Intercept?<\/strong><\/p>\n<p>O crowdfunding tinha dois objetivos. Um deles, \u00f3bvio, era grana. A gente tem um or\u00e7amento fixo por ano, suficiente para rodar o site, mas jornalismo custa caro e dinheiro a mais nunca \u00e9 desperdi\u00e7ado. Ent\u00e3o a gente pensou em dar um g\u00e1s, fizemos o crowdfunding e at\u00e9 nos arrependemos depois por n\u00e3o ter feito um crowdfunding maior. A gente conseguiu a grana muito r\u00e1pido, a gente bateu a meta antes do tempo. Foi um neg\u00f3cio financeiramente de sucesso. A gente com certeza vai repetir. Por outro lado, tinha esse objetivo tamb\u00e9m de buscar mais a comunidade, conhecer mais a galera que l\u00ea a gente, que consome nossos v\u00eddeos, a galera que est\u00e1 mais em volta do site.<\/p>\n<p>O que a gente mais fica feliz \u00e9 em saber o perfil do p\u00fablico. Muita galera mais nova, que est\u00e1 rec\u00e9m entrando na faculdade, tem muita gente de col\u00e9gio, secundarista. Toda vez que tem Enem, o pessoal escreve pra gente e diz que gabaritou porque leu nossa mat\u00e9ria. A gente preza muito essa galera, um pessoal fora da elite intelectual, fora da zona sul carioca. Tem muita gente da periferia, tem muita gente do interiorz\u00e3o. \u00c9 um p\u00fablico que a gente sempre quis ter como nosso p\u00fablico. \u00c9 formar leitores de jornalismo, pegar uma galera que est\u00e1 com a cabe\u00e7a em outro lugar, nova, que n\u00e3o est\u00e1 presa aos velhos c\u00e2nones. Isso o crowdfunding aproximou. A gente fez um grupo fechado no Facebook. Isso foi muito massa pra gente.<\/p>\n<p><strong>As elei\u00e7\u00f5es desse ano foram bastante antecipadas, aguardadas com expectativa desde a crise do impeachment da Dilma. Era uma oportunidade \u00fanica para apresentar aos leitores quem eram as novas caras da pol\u00edtica brasileira p\u00f3s-Lava Jato, os novos interesses predominantes\u2026 Nesse sentido, como voc\u00ea viu a pr\u00e1tica de jornalismo investigativo pelos ve\u00edculos tradicionais no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>A imprensa tradicional tem feito muito coisa boa ainda. N\u00e3o sou do tipo que fica separando as duas coisas. A imprensa tradicional tamb\u00e9m \u00e9 muito grande, n\u00e9? Uma reda\u00e7\u00e3o gigante, com mais de 150 pessoas, vai produzir coisa boa e coisa ruim. Teve muita coisa boa durante o ano. Mesmo mat\u00e9rias sobre o Bolsonaro. A Folha fez muita coisa boa. A Folha eu acho que foi o grande ve\u00edculo de imprensa que brilhou nas mat\u00e9rias sobre o Bolsonaro [<em>a entrevista foi feita em novembro<\/em>]. Eles cobriram o cara. Acho que faltou muita coisa, principalmente a maneira como se olhava para ele. Demorou para levar a s\u00e9rio. Mas na hora que levou a s\u00e9rio foi fazer trabalho de imprensa, foi pra cima. Voc\u00ea quer ser presidente do Brasil? Ent\u00e3o t\u00e1, a gente vai tentar descobrir quem voc\u00ea \u00e9. A gente tem o direito de fazer isso, como cidad\u00e3o.<\/p>\n<p>A gente cansa de ver mat\u00e9ria sendo feita pra colega. Uma mat\u00e9ria bonitinha, sem arestas, mas que n\u00e3o incomoda ningu\u00e9m, que ningu\u00e9m vai se importar.<\/p>\n<p>Acho que tem muita coisa que foi bem feita, mas, ao mesmo tempo, eu acho, \u00e9 uma cr\u00edtica que eu sempre fa\u00e7o, a imprensa brasileira ainda fala para predominantemente dois p\u00fablicos: a elite intelectual e os pr\u00f3prios jornalistas. A gente cansa de ver mat\u00e9ria sendo feita pra colega. Uma mat\u00e9ria bonitinha, redondinha, sem aresta, que n\u00e3o incomoda ningu\u00e9m, que ningu\u00e9m vai se importar, mas que os colegas v\u00e3o falar bem, vai ganhar uns pr\u00eamios. E pra elite intelectual, um linguajar muito complexo, muita palavra que d\u00e1 para usar sin\u00f4nimos mais simples, muita manchete enigm\u00e1tica, muito jornalismo declarat\u00f3rio, que n\u00e3o explica para as pessoas o que est\u00e1 rolando. Eu n\u00e3o tenho nenhuma pretens\u00e3o de dizer como \u00e9 que os outros t\u00eam que fazer o jornalismo deles, mas a gente tenta fazer tudo o contr\u00e1rio disso.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Intercept02.png\"><\/a>The Intercept Brasil revealed hidden real estate from the judge responsible for the conviction of powerful politics in the Car Wash operation.<\/p>\n<p><strong>Com Bolsonaro eleito e essa perspectiva de risco de colapso democr\u00e1tico, que diferen\u00e7a faz executar jornalismo, e mais especificamente jornalismo investigativo, num contexto de democracia plena e num contexto de governo com tend\u00eancias autorit\u00e1rias?<\/strong><\/p>\n<p>Eu morei na It\u00e1lia durante alguns anos, e estava no auge do berlusconismo. Eu acho que as coisas v\u00e3o se repetir aqui e, talvez, com um tom um pouco mais agressivo porque a gente n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds europeu. A gente \u00e9 um pa\u00eds muito incivilizado. As coisas saem do controle muito f\u00e1cil. O Berlusconi usou os mesmos espantalhos do Bolsonaro. Eu acho at\u00e9 que esse nacionalismo populista que o Steve Bannon est\u00e1 chamando agora, essa nova onda, com Trump, Orban, parte disso come\u00e7ou com o Berlusconi. Ele elegeu tr\u00eas inimigos claros na It\u00e1lia, na \u00e9poca: a imprensa, o comunismo e a Justi\u00e7a. A Justi\u00e7a era a \u201cJusti\u00e7a vermelha\u201d, porque era a Justi\u00e7a comunista, os ju\u00edzes eram todos comunistas, os procuradores eram todos comunistas. A imprensa era comunista porque todo mundo era comunista. Todo mundo que era contra ele era isso. E todo o resto do espectro pol\u00edtico da sociedade que n\u00e3o concordava com o que ele falava era comunista.<\/p>\n<p>A ret\u00f3rica do Bolsonaro vai muito nesse sentido. Voc\u00ea escolhe um inimigo dom\u00e9stico, imagin\u00e1rio, mas que as pessoas reconhecem como sendo a fonte do mal e voc\u00ea fica combatendo aquele moinho de vento durante quatro anos. Ent\u00e3o, nisso, o que a gente acha que pode rolar \u00e9 algum tipo de <em>lawfare<\/em> do governo. Usar leis, usar ag\u00eancias reguladoras e at\u00e9 fiscal para tentar espremer a imprensa, e tamb\u00e9m a imprensa internacional, e colocar a milit\u00e2ncia pra cima da imprensa de um modo violento, dizendo que a imprensa \u00e9 uma f\u00e1brica de mentiras, que nada que se publica na imprensa \u00e9 verdadeiro, que tudo o que a gente faz \u00e9 visando o mal do pa\u00eds. Isso tem consequ\u00eancias que a gente ainda n\u00e3o consegue medir, mas a gente est\u00e1 bolando alguns planos de conten\u00e7\u00e3o para evitar viol\u00eancia f\u00edsica e digital contra os nossos jornalistas.<\/p>\n<p><em><strong><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/breno-336x336.jpg\"><\/a><\/strong><strong><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/_brenocosta_\">Breno Costa<\/a>\u00a0<\/strong>\u00e9\u00a0editor da\u00a0<a href=\"https:\/\/gijn.org\/gijn-em-portugues\/\">GIJN em Portugu\u00eas<\/a>. Ele \u00e9 fundador e chefe de Desenvolvimento Jornal\u00edstico do\u00a0<a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/briohunter.org\/blog\/quem-somos\/\">BRIO<\/a>, um polo de servi\u00e7os para jornalistas profissionais e estudantes no Brasil, com oferecimento de mentorias individuais e consultorias para projetos jornal\u00edsticos. Breno trabalhou como rep\u00f3rter investigativo na Folha de S.Paulo e j\u00e1 publicou como freelancer em ve\u00edculos como o The Intercept Brasil.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que o jornalista Glenn Greenwald ajudou a lan\u00e7ar o The Intercept\u00a0cinco anos atr\u00e1s, na esteira da sua s\u00e9rie de reportagens sobre o caso Edward Snowden, o site tem crescido de forma r\u00e1pida. V\u00e1rios furos foram publicados nos Estados Unidos, muitos deles centrados nas ag\u00eancias americanas de intelig\u00eancia. 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