{"id":112138,"date":"2019-01-14T15:05:06","date_gmt":"2019-01-14T19:05:06","guid":{"rendered":"https:\/\/gijn.org\/?p=112138"},"modified":"2023-09-06T00:02:39","modified_gmt":"2023-09-06T04:02:39","slug":"7-coisas-que-eu-aprendi-produzindo-meu-primeiro-podcast-investigativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/artigos\/7-coisas-que-eu-aprendi-produzindo-meu-primeiro-podcast-investigativo\/","title":{"rendered":"7 coisas que eu aprendi produzindo meu primeiro podcast investigativo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/gijn.org\/2019\/01\/14\/7-things-i-learned-producing-my-first-investigative-podcast\/\"><strong>English<\/strong><\/a><\/p>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/alibi.org.za\/wordpress\/\"><\/a><\/p>\n<p>Como tantos outros jornalistas ao redor do mundo, fiquei fascinado pelo fen\u00f4meno que foi o <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/serialpodcast.org\/\">Serial<\/a>, particularmente porque meu trabalho na \u00e9poca estava centrado em condena\u00e7\u00f5es injustas. Ent\u00e3o, quando a hist\u00f3ria de Anthony De Vries apareceu na minha mesa de trabalho Joanesburgo, onde estou baseado, pensei que essa poderia ser a hist\u00f3ria que permitiria que eu me aprofundasse nesse formato.<\/p>\n<p>Na primeira vez que o encontrei, Anthony era um homem em seus quarenta anos que havia passado 17 anos na pris\u00e3o por um crime que ele insistia que n\u00e3o cometeu. Foi um assalto brutal \u00e0 luz do dia em 1994, menos de um m\u00eas antes da primeira elei\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica da \u00c1frica do Sul, e acabou no massacre de dois seguran\u00e7as. O que saiu da minha investiga\u00e7\u00e3o de 18 meses foi uma s\u00e9rie em oito epis\u00f3dios &#8211; e que seria o primeiro podcast de investiga\u00e7\u00e3o no pa\u00eds quando foi lan\u00e7ado, em mar\u00e7o de 2017. A s\u00e9rie ganhou um <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/now.vodacom.co.za\/article\/vodacom-journalist-of-the-year-awards-2017\">pr\u00eamio nacional<\/a> e foi celebrada por ser \u201cexclusivamente sul africana\u201d, enquanto ainda captura uma modesta audi\u00eancia internacional.<\/p>\n<p>Minha trajet\u00f3ria profissional \u00e9 em jornalismo impresso, mas eu passei algum tempo em um programa de r\u00e1dio sobre ci\u00eancias, ent\u00e3o eu sabia um pouco do b\u00e1sico a respeito de produ\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio. Mas fazer um podcast investigativo era uma criatura totalmente diferente. Aqui est\u00e1 o que eu descobri enquanto escrevia, produzia e dirigia <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/alibi.org.za\/wordpress\/\">Alibi<\/a> &#8211; com alguns conselhos sobre como voc\u00ea pode evitar cometer os mesmos erros que eu cometi.<\/p>\n<h4>1. <b>Est\u00e1 tudo na escrita<\/b><\/h4>\n<p>Rep\u00f3rteres em esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio geralmente me dizem que eles foram para o r\u00e1dio porque eles n\u00e3o queriam ser escritores. Essa \u00e9 uma premissa comum e louca. Uma escrita s\u00f3lida \u00e9 o que vai diferenciar a sua hist\u00f3ria em \u00e1udio. A chave \u00e9 escrever com <strong>extrema brevidade<\/strong>, em um estilo que seja <strong>apropriado para como voc\u00ea fala<\/strong> e com uma <strong>estrutura<\/strong> que deixe claro os objetivos do seu narrador.<\/p>\n<p>Tente enfatizar qualquer fragmento de prop\u00f3sito que seu narrador possa exibir no ar de forma a criar uma sensa\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia, <i>momentum<\/i>. Em <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/alibiradioshow\">Alibi<\/a>, a minha necessidade de coletar na Justi\u00e7a os documentos do irm\u00e3o de Anthony, no segundo epis\u00f3dio, serviu como um objetivo poderoso que os ouvintes puderam facilmente compreender. Em um primeiro momento, eu havia inclu\u00eddo cenas com o irm\u00e3o, mas n\u00e3o mencionei que eu estava l\u00e1 para coletar a papelada porque demorou um pouco para entender que, sempre que voc\u00ea est\u00e1 numa busca durante um storytelling em \u00e1udio, voc\u00ea precisa colocar isso na frente e no centro, enquanto no impresso voc\u00ea pode deixar ocultas essas tarefas administrativas inteiramente.<\/p>\n<p><i>A chave \u00e9 escrever com extrema brevidade, em um estilo que seja apropriado para como voc\u00ea fala e com uma estrutura que deixe claro os objetivos do seu narrador. <\/i><\/p>\n<p>Voc\u00ea tamb\u00e9m precisa oferecer quest\u00f5es que voc\u00ea acredita que sua audi\u00eancia ir\u00e1 se perguntar entre si e ent\u00e3o estimular que eles sigam ouvindo para ter as respostas. Sem esse \u2018vai e volta\u2019, mesmo a mais interessante s\u00e9rie de eventos vai fracassar.<\/p>\n<p>Em Alibi, eu estava tentando desvendar se Anthony estava em um carro relacionado com o assalto, e em que n\u00edvel o carro estava envolvido de fato no crime. N\u00f3s voltamos para esse enigma repetidamente a cada nova evid\u00eancia que era revelada.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que o formato da poss\u00edvel condena\u00e7\u00e3o equivocada &#8211; \u201cEle \u00e9 culpado ou inocente?\u201d &#8211; serviu como lan\u00e7amento do moderno podcast serializado. \u00c9 um poderoso dispositivo narrativo que prende a aten\u00e7\u00e3o do ouvinte.<\/p>\n<p>Eu cortei um grande n\u00famero de entrevistas, cenas e personagens durante o processo de edi\u00e7\u00e3o porque, embora eu os amasse, eles eram tangenciais. Uma parte que foi dif\u00edcil de cortar foi uma visita \u00e0 casa de Adriaan Vlok, o ex-ministro da Justi\u00e7a. Vlok serviu ao governo durante o apartheid e aprovou um pagamento para Anthony como forma de compensar acusa\u00e7\u00f5es de torturas praticadas pela pol\u00edcia. Isso aconteceu anos antes do caso do assalto e assassinatos. Era um epis\u00f3dio fascinante e indulgente, completado por mim brincando com Simba, o cachorro de Vlok. Isso deixou o ouvinte imaginando para onde isso tudo estava caminhando, j\u00e1 que eu estava saindo do \u201cmist\u00e9rio\u201d central que havia sido colocado pelo narrador. Se voc\u00ea est\u00e1 acostumado com a liberdade do impresso, voc\u00ea vai perceber, ao ir para os formatos em \u00e1udio, que liberdade ser\u00e1 restrita, sem cerim\u00f4nias.<\/p>\n<p>Eu recomendo cinco minutos muito bem gastos <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=f6ezU57J8YI\">assistindo Ira Glass<\/a>, do podcast The American Life, falando sobre o b\u00e1sico do storytelling, particularmente para r\u00e1dio. E esta <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.cjr.org\/analysis\/serial-season-3-courthouse.php?\">mat\u00e9ria incr\u00edvel<\/a> na Columbia Journalism Review sobre o \u00faltima temporada do Serial tem algumas li\u00e7\u00f5es importantes para quem quer migrar do impresso para os podcasts.<\/p>\n<h4>2. <b>Pense em cenas<\/b><\/h4>\n<p><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/scene.jpg\"><\/a><strong>A cena do crime:<\/strong>\u00a0Um roubo a um caixa autom\u00e1tico dentro de um supermercado, de manh\u00e3 cedo, resultou na morte de dois seguran\u00e7as em 1994. Cortesia: Paul McNally<\/p>\n<p>O melhor conselho que eu recebi, e que infelizmente veio j\u00e1 bem no final do processo de criar o Alibi, \u00e9 pensar em cenas. Antes mesmo de escrever suas perguntas para uma entrevista, comece a imaginar quais cenas ir\u00e3o ancorar sua hist\u00f3ria. Sobre isso, eu preciso das os cr\u00e9ditos para o <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/transom.org\/2018\/anatomy-of-a-scene\/\">podcast HowSound<\/a>, de Rob Rosenthal. Eu ou\u00e7o esse podcast obsessivamente e ele me ensinou muitas coisas, incluindo o entendimento de que o impresso \u00e9 \u00e1gil quando se faz a transi\u00e7\u00e3o para uma pessoa ou uma cena diferente. Mas, no r\u00e1dio, cada local ou pessoal precisa ser introduzido cuidadosamente, e a informa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 capturada em uma de suas cenas ser\u00e1 provavelmente perdida por seus ouvintes.<\/p>\n<p>Por exemplo, eu tentei guardar a exposi\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre a mec\u00e2nica do crime at\u00e9 que n\u00f3s visit\u00e1ssemos o centro comercial onde ocorreu o crime. Ent\u00e3o, onde buracos de bala foram encontrados e carros de fuga foram abandonados, eu constru\u00ed essa cena, que se tornou o quarto epis\u00f3dio. Originalmente, eu tinha muito mais dessas informa\u00e7\u00f5es no in\u00edcio da s\u00e9rie, mas era muito dif\u00edcil de seguir sem o barulho dos bondes que ajudaram a coloc\u00e1-lo no shopping. O \u00e1udio \u00e9 incrivelmente poderoso para criar uma sensa\u00e7\u00e3o de tempo e espa\u00e7o, mas ineficiente para transmitir informa\u00e7\u00f5es densas &#8211; eu percebi que precisava combinar um com o outro sempre que podia.<\/p>\n<h4>3.\u00a0<b>Suas emo\u00e7\u00f5es importam<\/b><\/h4>\n<p>Eu fiz uma quantidade embara\u00e7osa de grava\u00e7\u00f5es ao gravar narra\u00e7\u00f5es enquanto produzia Alibi. Isso \u00e9 porque leva tempo para aprender como sua voz expressa melhor emo\u00e7\u00f5es diferentes para o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Voc\u00ea quer soar como se estivesse falando intimamente com um punhado de pessoas em vez de algumas dezenas. Projete a emo\u00e7\u00e3o que voc\u00ea deseja que seu p\u00fablico sinta, considerando o andamento da hist\u00f3ria naquele momento. Pense em um filme de Steven Spielberg. H\u00e1 sempre uma rea\u00e7\u00e3o de um personagem que manifesta o que o espectador deve estar sentindo &#8211; voc\u00ea sabe, como em ET, o temor no rosto do garotinho est\u00e1 no centro da tela quando n\u00f3s poder\u00edamos, de outra forma, ficarmos inseguros sobre o que sentir sobre o extraterrestre que acaba de aparecer.<\/p>\n<p>Sua voz deve servir de curadora dos momentos de emo\u00e7\u00e3o. \u00c9 como voc\u00ea ir\u00e1 chamar a aten\u00e7\u00e3o do ouvinte enquanto ele dirige, caminha ou lava a lou\u00e7a.<\/p>\n<p>Voc\u00ea quer soar como se estivesse falando intimamente com um punhado de pessoas em vez de algumas dezenas. Projete a emo\u00e7\u00e3o que voc\u00ea deseja que seu p\u00fablico sinta.<\/p>\n<p>Quando eu comecei a gravar narra\u00e7\u00f5es, eu tinha uma tend\u00eancia a ficar estridente e quase rir quando havia algum elemento mais emocional, como quando eu encontro Anthony pela primeira vez e n\u00e3o o reconhe\u00e7o num primeiro momento. Meu instinto era brincar com o c\u00f4mico da situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o apenas isso era um desd\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o que deveria ser um momento emotivo, mas era tamb\u00e9m confuso. Ouvintes pensaram que eles perderam uma piada. Eles n\u00e3o entenderam que eu rio facilmente e nervosamente em rela\u00e7\u00e3o a tudo.<\/p>\n<h4>4. <b>Mantenha sua voz consistente na grava\u00e7\u00e3o<\/b><\/h4>\n<p>Manter sua voz consistente ao longo da grava\u00e7\u00e3o \u00e9 mais importante do que a qualidade em si. H\u00e1 um epis\u00f3dio em Alibi em que eu consigo ouvir minha voz falhando (por falar durante muito tempo) e isso ainda me incomoda quando eu ou\u00e7o. Uma outra grava\u00e7\u00e3o foi feita com um microfone diferente (n\u00e3o pior, apenas diferente) e me deixa louco. Eu sou muito enf\u00e1tico sobre a import\u00e2ncia de sempre usar o mesmo equipamento para todas as grava\u00e7\u00f5es, e gravar no mesmo momento do dia, com o mesmo microfone.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m uma li\u00e7\u00e3o lateral aqui que \u00e9 deixar de lado os problemas t\u00e9cnicos do seu podcast. A maioria das pessoas n\u00e3o vai sequer perceber os problemas; eles n\u00e3o ouviram a grava\u00e7\u00e3o centenas de vezes como voc\u00ea. (Ah, tamb\u00e9m, quando voc\u00ea descobrir como deixar isso de lado, por favor me mostre como).<\/p>\n<p>5. <b>O primeiro epis\u00f3dio \u00e9 crucial<\/b><\/p>\n<p>Seja honesto sobre o que fez seu interesse diminuir quando voc\u00ea ouviu outros podcasts e o que manteve voc\u00ea a bordo. Muitas pessoas v\u00e3o experimentar o seu primeiro epis\u00f3dio e seguir\u00e3o em frente. Eu reescrevi inteiramente o roteiro de Alibi, regravando tudo, quando percebi que o primeiro epis\u00f3dio era muito pesado na exposi\u00e7\u00e3o e na ambienta\u00e7\u00e3o do crime, mas acabei n\u00e3o indo fundo o suficiente no personagem de Anthony a ponto de torn\u00e1-lo intrigante. Inicialmente, eu s\u00f3 contei ao p\u00fablico como os policiais que o torturaram enquanto ele estava no ensino m\u00e9dio foram os mesmos policiais envolvidos no caso que o levou a ser condenado no final do segundo epis\u00f3dio. Na edi\u00e7\u00e3o final, mudei tudo isso para o primeiro epis\u00f3dio.<\/p>\n<p>Um exemplo que contrariou esta regra foi o <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/stownpodcast.org\/\">S-Town<\/a>, que lan\u00e7ou tudo de uma vez, com a maior reviravolta ocorrendo apenas depois de dois epis\u00f3dios. Isso permitiu que os criadores ignorassem essa regra do primeiro epis\u00f3dio e estruturassem seus sete epis\u00f3dios mais como um romance.<\/p>\n<p>Outro desafio de roteiro envolve os <i>cliffhangers<\/i>. Construir o final de cada epis\u00f3dio para que o ouvinte tenha fome de outro cap\u00edtulo torna-se frustrante uma vez que voc\u00ea est\u00e1 t\u00e3o perto de sua hist\u00f3ria a ponto de n\u00e3o ter certeza sobre quais elementos da hist\u00f3ria far\u00e3o o p\u00fablico querer seguir acompanhando. Estas foram as partes mais dif\u00edceis de roteirizar, e tamb\u00e9m onde eu senti como se estivesse sendo falso. Em um ponto eu queria que um epis\u00f3dio terminasse quando descobrimos que Anthony pode ter mentido sobre a causa de uma les\u00e3o. Ele nos diz que era uma garrafa, enquanto outra pessoa diz que ele foi ferido por uma bala. Mas isso significava que eu precisava reter uma informa\u00e7\u00e3o importante para ter o m\u00e1ximo impacto. Mas eu superei isso &#8211; esses tipos de &#8220;truques&#8221; para manter o leitor viciado fazem parte da natureza do formato.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/shotgun.jpg\"><\/a><strong>Arma do crime:<\/strong>\u00a0Um AK-47 supostamente usado para atirar nos policiais por um carro em movimento. Cortesia: Paul McNally<\/p>\n<h4>6. <b> Se n\u00e3o est\u00e1 gravado, n\u00e3o aconteceu<\/b><\/h4>\n<p>Voc\u00ea deveria desenvolver o h\u00e1bito de acionar o seu gravador (ou mesno o seu celular) antes de entrar no seu carro para encarar o mundo. O gravador deveria estar rodando constantemente. Agora, quando eu estou trabalhando numa hist\u00f3ria, eu deixo meu gravador ligado enquanto dirijo para o caso de eu querer explicar meu medo ou apreens\u00e3o em tempo real. O momento em que uma entrevista termina pode geralmente ser o que voc\u00ea poder\u00e1 usar para preparar uma cena ou dar um senso de ambienta\u00e7\u00e3o &#8211; seja uma piada ou um coment\u00e1rio casual. Voc\u00ea quer um ambiente quieto e aconchegante sempre que poss\u00edvel, mas se houver sons perturbadores que s\u00e3o inevit\u00e1veis, voc\u00ea pode permitir que eles ajudem a dar informa\u00e7\u00e3o para sua hist\u00f3ria e a representar seus personagens.<\/p>\n<p>No segundo epis\u00f3dio de Alibi havia um ru\u00eddo constante vindo da cadeira de rodas de um de meus personagens &#8211; o irm\u00e3o assaltante de banco de Anthony &#8211; mas eu coloco isso na minha descri\u00e7\u00e3o sobre ele. E uma vez que o ouvinte sabe por que esse barulho est\u00e1 tornando a entrevista \u201cirritante\u201d, ent\u00e3o eles podem apreciar a cena e a hist\u00f3ria ainda mais.<\/p>\n<h4>7.<\/h4>\n<h4><b>A vida real n\u00e3o tem um desfecho\u2026 mas as pessoas querem um de qualquer maneira<\/b><\/h4>\n<p>Dependendo da sua investiga\u00e7\u00e3o, podem haver v\u00e1rios poss\u00edveis desfechos. Devido \u00e0s expectativas que foram geradas por outros podcasts, sua resolu\u00e7\u00e3o \u00e9 vital. Mas voc\u00ea pode \u201ctrapacear\u201d preparando diferentes n\u00edveis de resolu\u00e7\u00e3o. Comece a planejar logo no in\u00edcio uma \u201cpior\u201d, \u201cmediana\u201d e \u201cmelhor\u201d hip\u00f3teses de conclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Por fim, com Alibi, enquanto esper\u00e1vamos a confirma\u00e7\u00e3o da data de transmiss\u00e3o (foi transmitido em uma esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio nacional e em formato de podcast), v\u00e1rios eventos ocorreram: recebemos um dos antigos guardas da pris\u00e3o de Anthony para atestar sua inoc\u00eancia, um velho policial disse que ele era culpado e Anthony saiu em liberdade condicional. Ent\u00e3o, n\u00f3s t\u00ednhamos uma mescla de final que significava que os ouvintes n\u00e3o teriam certeza do que pensar.<\/p>\n<p>Comece a gravar \u00e1udios o mais cedo poss\u00edvel porque aquele primeiro telefonema, o primeiro contato e aquelas rea\u00e7\u00f5es iniciais n\u00e3o podem ser recriadas.<\/p>\n<p>Essa ambig\u00fcidade tamb\u00e9m pode gerar pontos de discuss\u00e3o de uma maneira positiva. Um final memor\u00e1vel teria sido encontrar e confirmar os verdadeiros assassinos e absolver completamente Anthony, ou provar que ele era culpado de seu crime. Embora as pessoas provavelmente ficassem satisfeitas com uma reportagem impressa sobre corrup\u00e7\u00e3o no sistema judicial (o que o caso de Anthony claramente conseguiu expor), por causa do tempo investido e da intimidade transmitida pelo \u00e1udio, os ouvintes querem que o personagem central seja absolvido do crime. Se ele \u00e9 culpado, ent\u00e3o h\u00e1 uma tenta\u00e7\u00e3o de perguntar: qual foi o objetivo do podcast?<\/p>\n<p>Na cria\u00e7\u00e3o de um podcast, \u00e9 importante voc\u00ea gravar \u00e1udios o quanto antes na sua investiga\u00e7\u00e3o, mas de forma que quando voc\u00ea descobrir que sua hist\u00f3ria n\u00e3o est\u00e1 funcionando, voc\u00ea deve tamb\u00e9m desejar jogar as grava\u00e7\u00f5es fora. Eu joguei fora grava\u00e7\u00f5es por algumas outras poss\u00edveis condena\u00e7\u00f5es injustas antes de chegar ao caso de Anthony para Alibi, e eu comecei a gravar antes que eu soubesse que havia uma hist\u00f3ria boa ali porque eu queria aquele primeiro telefonema e aquelas rea\u00e7\u00f5es iniciais que voc\u00ea n\u00e3o pode recriar.<\/p>\n<p>Eu espero que todos esses conselhos sejam \u00fateis. E, por favor, <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/mcnallypm?lang=en\">entre em contato comigo<\/a> com os links quando voc\u00ea tiver tirado seu podcast do papel. Eu adoraria ouvi-lo.<\/p>\n<p>Aqui est\u00e3o os oito epis\u00f3dios de <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.alibi.org.za\/\">Alibi<\/a>, no <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/soundcloud.com\/user-718322236\">Soundcloud<\/a> ou no <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/itunes.apple.com\/za\/podcast\/alibi-radio-series\/id1209845144?mt=2\">iTunes<\/a>.<\/p>\n<p><b><\/b><b><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/paul-mcnally.jpg\"><\/a><\/b><\/p>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/mcnallypm\"><b><i>Paul McNally<\/i><\/b><\/a><i> \u00e9 um jornalista baseado em Joanesburgo. Ele \u00e9 fundador das iniciativas sem fins lucrativos <\/i><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/investigativeradio.org\/\"><i>African Investigative Radio<\/i><\/a><i> e <\/i><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.citizenjusticenetwork.org\/\"><i>Citizen Justice Network<\/i><\/a><i>, al\u00e9m de ser o co-criador do empreendimento social \u201c<\/i><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.volume.africa\/\"><i>Volume<\/i><\/a><i>\u201d. Tamb\u00e9m \u00e9 autor de <\/i><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Street-Exposing-World-Bribes-Dealers-ebook\/dp\/B01KXATOSU\"><i>The Street: Exposing a World of Cops, Bribes and Drug Dealers<\/i><\/a> e foi bolsista do programa <i>Knight Visiting Nieman Fellow em 2016.<\/i><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paul McNally produziu o primeiro pdocast investigativo da \u00c1frica do Sul sobre a hist\u00f3ria de uma condena\u00e7\u00e3o injusta. Aqui est\u00e1 o que ele descobriu enquanto escrevia, produzia e dirigia Alibi &#8211; com alguns conselhos sobre como voc\u00ea pode evitar os mesmos erros.<\/p>\n","protected":false},"author":3031185,"featured_media":112124,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_price":"","_stock":"","_tribe_ticket_header":"","_tribe_default_ticket_provider":"","_tribe_ticket_capacity":"0","_ticket_start_date":"","_ticket_end_date":"","_tribe_ticket_show_description":"","_tribe_ticket_show_not_going":false,"_tribe_ticket_use_global_stock":"","_tribe_ticket_global_stock_level":"","_global_stock_mode":"","_global_stock_cap":"","_tribe_rsvp_for_event":"","_tribe_ticket_going_count":"","_tribe_ticket_not_going_count":"","_tribe_tickets_list":"[]","_tribe_ticket_has_attendee_info_fields":false,"republication-tracker-tool-hide-widget":false,"footnotes":"","_tec_slr_enabled":"","_tec_slr_layout":""},"categories":[23170],"tags":[4771,2951,2952,4857],"gijn_topic":[],"series":[],"gijn_language":[17797],"gijn_region":[],"class_list":["post-112138","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-alibi","tag-podcast","tag-radio","tag-serial","gijn_language-pt-pt-pt-pt"],"acf":[],"ticketed":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112138","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3031185"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=112138"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112138\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1224368,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112138\/revisions\/1224368"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/112124"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=112138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=112138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=112138"},{"taxonomy":"gijn_topic","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_topic?post=112138"},{"taxonomy":"series","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/series?post=112138"},{"taxonomy":"gijn_language","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_language?post=112138"},{"taxonomy":"gijn_region","embeddable":true,"href":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/gijn_region?post=112138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}