{"id":106668,"date":"2018-12-18T05:52:20","date_gmt":"2018-12-18T09:52:20","guid":{"rendered":"https:\/\/gijn.org\/?p=106668"},"modified":"2023-09-06T00:02:40","modified_gmt":"2023-09-06T04:02:40","slug":"selecao-do-editor-as-melhores-reportagens-investigativas-em-portugues-de-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/artigos\/selecao-do-editor-as-melhores-reportagens-investigativas-em-portugues-de-2018\/","title":{"rendered":"Sele\u00e7\u00e3o do editor: as melhores reportagens investigativas em portugu\u00eas de 2018"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/gijn.org\/2018\/12\/18\/portuguese-top-stories-2018\/\"><strong>English<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Quer saber mais sobre jornalismo investigativo em portugu\u00eas? Acesse <a href=\"https:\/\/gijn.org\/gijn-em-portugues\/\">GIJN em Portugu\u00eas<\/a>.<\/p>\n<p>Este foi um ano de transforma\u00e7\u00f5es significativas no universo de l\u00edngua portuguesa &#8211; em especial no Brasil, onde esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o seguiram levando pol\u00edticos para a pris\u00e3o e impulsionaram a candidatura de um candidato de extrema-direita para a Presid\u00eancia. Neste ano, jornalistas n\u00e3o apenas expuseram pr\u00e1ticas corruptas, mas tamb\u00e9m revelaram quest\u00f5es importantes sobre abuso sexual e sobre a pr\u00e1tica de aborto no pa\u00eds. Breno Costa, editor da GIJN em Portugu\u00eas, selecionou algumas das melhores investiga\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas de 2018.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/top-intercept.png\"><\/a><\/p>\n<h4><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/theintercept.com\/2018\/04\/05\/milicia-controle-rio-de-janeiro\/\">O dom\u00ednio das mil\u00edcias<\/a><\/h4>\n<p>Um dos grandes trabalhos do ano no Brasil, na \u00e1rea de jornalismo de dados, mesclado com investiga\u00e7\u00e3o. O Rio de Janeiro \u00e9 conhecido, al\u00e9m de sua beleza natural estonteante, por um n\u00edvel terr\u00edvel de viol\u00eancia urbana. Esse problema tem se agravado ao longo dos anos, com o crescimento de grupos paramilitares, formados geralmente por ex-policiais e com apoio de parte do Poder Legislativo local, que acabam usando pr\u00e1ticas muito parecidas com os dos traficantes de drogas. Esse crescimento, com amea\u00e7as a civis e amplas pr\u00e1ticas de extors\u00e3o a comerciantes e moradores, tem ficado cada vez mais assustador. As evid\u00eancias indicam que o assassinato da vereadora Marielle Franco, em mar\u00e7o deste ano, foi praticado por milicianos.<\/p>\n<p>Nesta reportagem do The Intercept Brasil, foi analisado um conjunto de 6.475 liga\u00e7\u00f5es an\u00f4nimas feitas para o Disque-Den\u00fancia entre 2016 e 2017. A conclus\u00e3o \u00e9 de que as mil\u00edcias hoje j\u00e1 s\u00e3o mais presentes e amea\u00e7adoras do que as quadrilhas de tr\u00e1fico de drogas. Do total de liga\u00e7\u00f5es, 65% foram para denunciar pr\u00e1ticas criminosas de milicianos.<\/p>\n<h4><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/politica\/capa-veja-ex-mulher-bolsonaro-acusacoes\/\">O outro Bolsonaro<\/a><\/h4>\n<p>Jair Bolsonaro foi um fen\u00f4meno na pol\u00edtica sul-americana neste ano. Replicando grande parte da ascens\u00e3o de Donald Trump nos Estados Unidos, o ultraconservador conseguiu ocupar o v\u00e1cuo de poder aberto no Brasil depois da queda do Partido dos Trabalhadores e maximizado pela ampla desconfian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos pol\u00edticos tradicionais depois do furac\u00e3o gerado pela Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. Bolsonaro se vende como incorrupt\u00edvel e livre de defeitos morais que possam contradizer seu discurso por uma nova pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A revista Veja, durante a campanha eleitoral, foi quem mais chegou perto de mostrar um lado desconhecido do militar que ir\u00e1 presidir o Brasil. A partir do acesso a um processo judicial, tr\u00eas rep\u00f3rteres passaram cerca de um m\u00eas, no calor da campanha, aprofundando aquilo que estava documentado. Verificaram evid\u00eancias, entrevistaram as pessoas envolvidas e contaram a hist\u00f3ria de como Bolsonaro virou suspeito de ter amea\u00e7ado de morte sua ex-mulher, ocultou patrim\u00f4nio da Justi\u00e7a Eleitoral, recebeu dinheiro de origem desconhecida, por fora de seus proventos oficiais, e, segundo sua ex-mulher, roubou um cofre na qual ela guardava joias e dinheiro &#8211; num total de US$ 400 mil. A revista passou a ser alvo de campanha negativa pelos apoiadores de Bolsonaro e pelo pr\u00f3prio candidato, que taxou a revista de \u2018fake news\u2019. O caso e eventuais desdobramentos ainda podem ser uma sombra no futuro governo.<\/p>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/fortuna-terceirizada\/\">O patrim\u00f4nio de Michel Temer<\/a><\/p>\n<p>O presidente do Brasil, Michel Temer, est\u00e1 chegando ao fim de seu mandato com uma popularidade incrivelmente baixa. Ele foi diretamente beneficiado pelo impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, e assumiu o poder como l\u00edder maior do PMDB, um dos partidos mais corruptos do Brasil. N\u00e3o demorou muito para surgirem evid\u00eancias de crimes praticados por ele. No entanto, ele foi protegido pelo Congresso, que nunca autorizou a abertura de processo criminal contra Temer, como pretendia o procurador-geral.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/temer.jpg\"><\/a><\/p>\n<p>Esta reportagem \u00e9 uma das \u00fanicas feitas sem depender de documentos presentes em inqu\u00e9ritos policiais. Numa apura\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e bastante ampla, o rep\u00f3rter conseguiu mapear a real extens\u00e3o do patrim\u00f4nio do presidente e de sua fam\u00edlia, saltando para cerca de R$ 33 milh\u00f5es em im\u00f3veis em 20 anos &#8211; boa parte deles transferida para o nome dos filhos e outros parentes. Durante todo esse tempo, a \u00fanica ocupa\u00e7\u00e3o de Temer foi como deputado federal, com um sal\u00e1rio insuficiente para construir essa rede de propriedades.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/top-rtp.png\"><\/a><\/p>\n<h4><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2018\/05\/04\/video\/investigacao-rtp-os-deputados-que-cobram-subsidios-mesmo-vivendo-em-lisboa-201854112920\">Endere\u00e7os falsos, dinheiro real<\/a><\/h4>\n<p>Este trabalho da <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/RTPNoticias\">RTP<\/a> conseguiu revelar como os congressistas de Portugal fraudaram informa\u00e7\u00f5es sobre suas resid\u00eancias para ganhar recursos extras dos cofres p\u00fablicos. Em vez de registrar como endere\u00e7o os im\u00f3veis onde efetivamente residem, em Lisboa, eles indicam endere\u00e7os mais distantes, que obrigam o Congresso portugu\u00eas a pagar verbas extras para eles. H\u00e1 casos em que parlamentares recebem, todos os meses, valores de 1.800 euros a mais do que deveriam receber. Para chegar a essa conclus\u00e3o, a rep\u00f3rter cruzou dados dos 159 deputados que recebem verba de deslocamento com as informa\u00e7\u00f5es de patrim\u00f4nio e renda declaradas por eles \u00e0 Justi\u00e7a. Encontrou diversos casos de abuso.<\/p>\n<h4><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/crusoe.com.br\/edicoes\/13\/a-mesada-de-toffoli\/\">Uma gorjeta para a Justi\u00e7a<\/a><\/h4>\n<p>Durante cerca de um ano e meio de apura\u00e7\u00e3o, os rep\u00f3rteres foram coletando pequenas pe\u00e7as \u00a0de um quebra-cabe\u00e7a bastante delicado. Reportagens que atingem magistrados no Brasil, especialmente aqueles da mais alta corte do pa\u00eds, tendem a despertar duas rea\u00e7\u00f5es: processos judiciais por danos morais e a ativa\u00e7\u00e3o do corporativismo da categoria. Os rep\u00f3rteres conseguiram mostrar, com <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/crusoe.com.br\/edicoes\/13\/a-mesada-de-toffoli\/\">muitos documentos e investiga\u00e7\u00e3o detalhada<\/a>, que o presidente do STF, que tinha sal\u00e1rio mensal de cerca de R$ 30 mil, recebia h\u00e1 v\u00e1rios anos dep\u00f3sitos mensais vindos da conta de sua mulher, no valor de R$ 100 mil. Metade desse valor era depositado para sua ex-mulher. Tudo isso passa por um banco pequeno de Bras\u00edlia, que jamais comunicou autoridades sobre as movimenta\u00e7\u00f5es. Toffoli \u00e9 o respons\u00e1vel por examinar 13 processos que envolvem o banco. Esse mesmo banco j\u00e1 aprovou, em 2011, com juros abaixo da m\u00e9dia de mercado, um empr\u00e9stimo de R$ 900 mil. O caso teve pouco efeito pr\u00e1tico, o que mostra o intenso grau de corporativismo no alto escal\u00e3o da Justi\u00e7a brasileira. Toffoli segue como presidente da corte brasileira at\u00e9 setembro de 2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/interativos.globoesporte.globo.com\/ginastica-artistica\/abuso-na-ginastica\/especial\/escandalo-na-ginastica\"><\/a>Screenshot<\/p>\n<h4><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/interativos.globoesporte.globo.com\/ginastica-artistica\/abuso-na-ginastica\/especial\/escandalo-na-ginastica\">Abuso sexual na gin\u00e1stica<\/a><\/h4>\n<p>Uma reportagem hist\u00f3rica para o esporte brasileiro, conduzida pela rep\u00f3rter <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/JoanadeAssis\">Joana de Assis<\/a>, da <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/RedeGlobo\">TV Globo<\/a>, durante quatro meses, a partir de uma pista pontual. Em 2016, um m\u00eas antes das Olimp\u00edadas no Rio de Janeiro, foi divulgado que um t\u00e9cnico da equipe masculina de gin\u00e1stica do Brasil, Fernando de Carvalho Lopes, foi afastado por conta de uma den\u00fancia de abuso sexual. Como a rep\u00f3rter conta, a \u00fanica informa\u00e7\u00e3o que se tinha era que se tratava de um menor de idade. A partir disso, foram centenas de liga\u00e7\u00f5es para descobrir quem era a crian\u00e7a e o in\u00edcio de uma apura\u00e7\u00e3o que revelou que pelo menos 40 atletas e ex-atletas foram v\u00edtimas de abuso sexual pelo t\u00e9cnico, ainda quando crian\u00e7as ou adolescentes. A reportagem ficou em terceiro lugar no <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/colpin.ipys.org\/noticias\/colpin\/estos-son-los-ganadores-y-finalistas-del-premio-latinoamericano-de-periodismo-de-investigacion-2018\">Pr\u00eamio Latinoamericano de Jornalismo Investigativo<\/a>, um dos mais importantes da regi\u00e3o. Ele segue sob investiga\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico, que em breve vai apresentar uma den\u00fancia formal contra ele pelos crimes praticados.<\/p>\n<h4><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-43155634\">Cl\u00ednica online de aborto<\/a><\/h4>\n<p>Fazer aborto no Brasil, a n\u00e3o ser em casos de estupro, pode render at\u00e9 quatro anos de pris\u00e3o para a gestante. O pa\u00eds tem leis bastante restritivas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o da gravidez. Recentemente, a Suprema Corte brasileira aprovou o aborto em caso de fetos anenc\u00e9falos. E, no momento, est\u00e1 em discuss\u00e3o a possibilidade de deixar de ser considerado crime o aborto at\u00e9 a 12\u00aa semana de gesta\u00e7\u00e3o. Nesta reportagem da BBC, a rep\u00f3rter conseguiu acessar um <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-43155634\">grupo secreto de WhatsApp<\/a> que orienta diretamente mulheres a abortarem com medicamentos ilegais em suas casas. \u00c9 um grupo virtual, em que as participantes acompanham em tempo real os procedimentos. Em tr\u00eas anos, cerca de 300 abortos foram realizados. A reportagem tem o m\u00e9rito de ter se aprofundado na din\u00e2mica do grupo e abordar casos individuais, prezando pela preserva\u00e7\u00e3o da identidade das mulheres.<\/p>\n<p><em>Quer saber mais sobre jornalismo investigativo em portugu\u00eas? Acesse <a href=\"https:\/\/gijn.org\/gijn-em-portugues\/\">GIJN em Portugu\u00eas<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><em><strong><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/brenomlc\">Breno Costa<\/a>\u00a0<\/strong>\u00e9 o editor da GIJN em Portugu\u00eas.\u00a0ELe \u00e9 fundador e chefe de Desenvolvimento Jornal\u00edstico do BRIO, um hub de produtos e servi\u00e7os para jornalistas e estudantes da \u00e1rea, que oferece mentoria e consultoria para projetos jornal\u00edsticos. Breno foi rep\u00f3rter investigativo na Folha de S.Paulo e j\u00e1 publicou reportagens em publica\u00e7\u00f5es como The Intercept Brasil e revista Piau\u00ed.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>English Quer saber mais sobre jornalismo investigativo em portugu\u00eas? Acesse GIJN em Portugu\u00eas. 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