{"id":101927,"date":"2018-11-15T08:24:21","date_gmt":"2018-11-15T12:24:21","guid":{"rendered":"https:\/\/gijn.org\/?p=101927"},"modified":"2023-09-06T00:02:47","modified_gmt":"2023-09-06T04:02:47","slug":"o-que-uma-startup-jornalistica-fracassada-pode-nos-ensinar-sobre-envolver-leitores-na-producao-de-reportagens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gijn.org\/pt-br\/artigos\/o-que-uma-startup-jornalistica-fracassada-pode-nos-ensinar-sobre-envolver-leitores-na-producao-de-reportagens\/","title":{"rendered":"O que uma startup jornal\u00edstica fracassada pode nos ensinar sobre envolver leitores na produ\u00e7\u00e3o de reportagens"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/gijn.org\/2018\/08\/08\/what-a-failed-media-startup-can-teach-us-about-involving-readers-in-reporting\/\"><strong>English<\/strong><\/a><\/p>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.openfile.ca\/\"><\/a>Produzindo not\u00edcia: o site canadense OpenFile foi lan\u00e7ado em 2010, mas fechou apenas dois anos depois. Imagem: Screenshot<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando o OpenFile foi lan\u00e7ado, em 2010, a fechada comunidade midi\u00e1tica canadense reagiu com um entusiasmo discretamente c\u00e9tico. Jornais tradicionais, incluindo o The Globe and Mail e o National Post, disseram que o OpenFile iria revolucionar o jornalismo online\u2026 ou que, ao menos, \u201credefiniria\u201d esse jornalismo.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s das manchetes estava um conceito elegante: pe\u00e7a aos leitores que te digam o que eles acham que \u00e9 importante e tome decis\u00f5es editoriais a partir disso. Dois anos mais tarde, a ind\u00fastria da m\u00eddia assistia com igual fasc\u00ednio a suspens\u00e3o das publica\u00e7\u00f5es do OpenFile, uma briga amarga com freelancers n\u00e3o pagos e o eventual encerramento do site.<\/p>\n<p>\u201cO Canad\u00e1 n\u00e3o tenta as coisas duas vezes\u201d, disse o ex-editor do OpenFile <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/dtopping\">David Topping<\/a>.<\/p>\n<p>Quando uma empresa de m\u00eddia tenta algo novo e fracassa, isso \u00e9 usado como um exemplo de por que aquela ideia nunca deveria ser experimentada novamente. Ainda assim, a organiza\u00e7\u00e3o produziu v\u00e1rias hist\u00f3rias interessantes ao colocar sua audi\u00eancia no centro de seu trabalho, provando que cidad\u00e3os que t\u00eam conhecimento da m\u00eddia e que se engajam nas suas comunidades ir\u00e3o participar se houver um caminho aberto para eles nesse sentido. A parte que o OpenFile n\u00e3o percebeu &#8211; e que serve de alerta para startups de m\u00eddia hoje em dia &#8211; \u00e9 como financiar o engajamento do leitor de forma que jornalistas possam dedicar mais tempo para atingir segmentos mais amplos de suas comunidades.<\/p>\n<h4><strong>Alto valor no conhecimento local<\/strong><\/h4>\n<p>A ideia de abrir um arquivo tem um certo charme envolvido. Esperava-se que arquivos digitais pudessem gerar um ac\u00famulo de conhecimentos ao passo que leitores adicionassem links, coment\u00e1rios, fotos, v\u00eddeos e documentos sobre assuntos de interesse das suas comunidades. Nos \u00e1ureos dias, era exatamente como a OpenFile trabalhava.\u00a0Usando c\u00f3digos postais como geolocalizadores, leitores em Toronto, Vancouver, Calgary, Montreal, Halifax e Ottawa poderiam abrir arquivos e leitores que viviam pr\u00f3ximos desses locais poderiam acrescentar informa\u00e7\u00f5es. Se o achado se encaixasse nos crit\u00e9rios editoriais para que fosse considerada uma boa hist\u00f3ria, um editor passaria o arquivo para um rep\u00f3rter.<\/p>\n<p>Imediatamente, OpenFile encontrou \u201calto valor\u201d no conhecimento local, algo que a m\u00eddia tradicional estava desperdi\u00e7ando, diz <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/WilfDinnick\">Wilf Dinnick<\/a>, fundador da OpenFile. Os rep\u00f3rteres tamb\u00e9m come\u00e7aram a avan\u00e7ar mais em suas reportagens. \u201cN\u00f3s t\u00ednhamos contatos, e-mails diretos e um monte de informa\u00e7\u00e3o\u201d, conta Dinnick.<\/p>\n<p>Uma vez que um arquivo era aberto, ele nunca era fechado. Jornalistas eram encorajados a atualizar suas mat\u00e9rias, a fazer corre\u00e7\u00f5es de forma transparente. Lorax B. Horne, uma jornalista da OpenFile em Halifax, descreve cada hist\u00f3ria como \u201cum elo na corrente que poderia continuar se ligando no tempo\u201d, eventualmente criando um \u201carquivo de not\u00edcias locais que poderia crescer ao longo do tempo\u201d.<\/p>\n<p>Essas hist\u00f3rias impulsionadas por leitores representam uma disrup\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao modelo tradicional da m\u00eddia para contar hist\u00f3rias. No est\u00e1gio um do modelo, uma \u00fanica pessoa abre o arquivo. No caso do OpenFile, essa pessoa \u00e9 geralmente algu\u00e9m com alto engajamento na sua comunidade, educada e com conhecimento de m\u00eddia. Uma vez que essa pessoa abre o arquivo, eles t\u00eam um incentivo para compartilh\u00e1-lo com outras pessoas (est\u00e1gio dois), incluindo stakeholders que est\u00e3o menos engajados mas que podem acrescentar suas pr\u00f3prias ideias ao arquivo. A principal contribui\u00e7\u00e3o do OpenFile ocorre no terceiro est\u00e1gio do modelo, onde um assunto local \u00e9 transformado em uma hist\u00f3ria que \u00e9 relevante para uma audi\u00eancia mais ampla. A esperan\u00e7a \u00e9 que algumas das pessoas no terceiro est\u00e1gio ir\u00e3o passar para o primeiro est\u00e1gio e iniciar o processo novamente. Se cada um dos est\u00e1gios caminham juntos, \u201cvoc\u00ea tem um modelo bastante efetivo\u201d, diz Dinnick.<\/p>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.openfile.ca\/\"><\/a><\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica jornal\u00edstica tradicional, um jornalista e\/ou seu editor decide o que a hist\u00f3ria ser\u00e1 e ent\u00e3o compartilha isso com a comunidade ampliada. \u201cMuito frequentemente, a hist\u00f3ria que voc\u00ea come\u00e7a no in\u00edcio do dia parece muito com aquela que voc\u00ea termina ao fim do dia, na reda\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Dinnick. Quando aquele modelo \u00e9 virado de cabe\u00e7a pra baixo, hist\u00f3rias que \u00e0s vezes parecem rid\u00edculas se revelam importantes.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s aprendemos que n\u00f3s n\u00e3o devemos descartar (uma hist\u00f3ria) apenas porque ela n\u00e3o \u00e9 articulada de uma forma que n\u00f3s, como jornalistas, far\u00edamos\u201d, diz Dinnick.<\/p>\n<p>Muitos ex-colaboradores do OpenFile apontam a mat\u00e9ria 204 Beech como um sinal precoce de sucesso. Tudo come\u00e7ou com uma casa de campo centen\u00e1ria em um grande terreno no bairro The Beach, na regi\u00e3o leste de Toronto.\u00a0<em>[Nota: o conte\u00fado do site n\u00e3o foi arquivado, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel apontar para links]<\/em>. <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/gt\">Geoff Teehan<\/a>, co-fundador da ag\u00eancia digital Teehan + Lax e agora diretor de design de produto no Facebook, havia comprado a propriedade alguns meses antes. Ele planejava demolir a casa e construir uma nova para acomodar sua esposa, que havia sido diagnosticada com um dist\u00farbio neurol\u00f3gico raro que exigia que ela usasse uma cadeira de rodas. Eles estavam prestes a entrar com pedido de licen\u00e7a de constru\u00e7\u00e3o quando os vizinhos souberam que a propriedade seria destru\u00edda e alegaram que a casa tinha valor hist\u00f3rico e n\u00e3o deveria ser alterada.<\/p>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/jlax\">Jon Lax<\/a>, co-fundador da Teehan + Lax, abriu um arquivo sobre o assunto e teve a primeira hist\u00f3ria em sua caixa de entrada uma semana depois. O OpenFile foi \u201csuper responsivo\u201d, disse Lax. \u201cFoi reconfortante saber que algu\u00e9m estava prestando aten\u00e7\u00e3o. Ter um terceiro dizendo \u2018isso \u00e9 importante o suficiente para ser contado\u2019 \u00e9 muito importante\u201d.<\/p>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/joshokane\">Josh O&#8217;Kane<\/a>, o rep\u00f3rter designado para o arquivo, acabou cobrindo a hist\u00f3ria de 204 Beech durante a maior parte do ver\u00e3o, culminando em uma hist\u00f3ria que revelava um problema mais amplo no departamento de patrim\u00f4nio da cidade. O&#8217;Kane obteve uma correspond\u00eancia interna da equipe da cidade mostrando que o departamento tinha pouco pessoal. Havia um \u00fanico pesquisador empregado na \u00e9poca que podia revisar as edifica\u00e7\u00f5es, comprovando o argumento de Teehan de que o departamento de patrim\u00f4nio estava &#8220;extremamente necessitado de uma reforma&#8221;.<\/p>\n<p>Como a equipe editorial do OpenFile se recusou a abandonar o assunto e continuou a dedicar recursos \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o, O&#8217;Kane escreveu uma mat\u00e9ria local que destacava um problema que transcendia o debate sobre o padr\u00e3o do <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.thestar.com\/news\/gta\/2016\/01\/02\/youre-a-toronto-nimby-now-what.html\">N\u00e3o No Meu Quintal<\/a> (NIMBY, na sigla em ingl\u00eas). &#8220;Isso me mostrou que n\u00e3o h\u00e1 hist\u00f3ria pequena demais que te impe\u00e7a de manter contato com as pessoas, porque voc\u00ea nunca sabe se essa hist\u00f3ria tem outro t\u00f3pico sobre o qual voc\u00ea poderia escrever&#8221;, disse ele.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s aprendemos que n\u00f3s n\u00e3o devemos descartar (uma hist\u00f3ria) apenas porque ela n\u00e3o \u00e9 articulada de uma forma que n\u00f3s, como jornalistas, far\u00edamos&#8221;\u00a0 &#8212; Wilf Dinnick, fundador do OpenFile<\/p>\n<p>Lax credita ao design do site e \u00e0 resposta r\u00e1pida da editora-chefe, <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/kvey\">Kathy Vey<\/a>, sua experi\u00eancia positiva com o OpenFile. Sem um processo t\u00e3o simples, Lax duvida que tenha sabido como sugerir uma pauta para um jornalista. Embora ele saiba que outras organiza\u00e7\u00f5es de not\u00edcias incluem formul\u00e1rios de &#8220;sugira uma pauta&#8221; em seus sites, ele acha que seria dif\u00edcil encontr\u00e1-lo e a mensagem poderia ir parar numa caixa de e-mail que ningu\u00e9m abre. Mesmo se o rep\u00f3rter tivesse chegado a uma conclus\u00e3o diferente, Lax disse que ele ainda teria considerado a hist\u00f3ria um sucesso porque o sistema interno do OpenFile funcionava como ele achava que deveria.<\/p>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/CraigSilverman\">Craig Silverman<\/a>, o diretor de jornalismo digital que ajudou a lan\u00e7ar o OpenFile, lembra a experi\u00eancia do 204 Beech como &#8220;estimulante&#8221;. Foi uma das primeiras vezes que o OpenFile viu todo o potencial de seu modelo: as pessoas estavam se aglutinando em uma \u00e1rea geogr\u00e1fica e as pessoas que moravam no bairro queriam saber mais e contribuir para a reportagem. Eles tamb\u00e9m queriam ver a hist\u00f3ria se espalhar para fora da comunidade, provando que quanto mais pessoas voc\u00ea envolve na sua produ\u00e7\u00e3o de jornalismo, maior a sua rede se torna. &#8220;N\u00f3s sentimos que, se muitas das hist\u00f3rias que fizemos fossem assim, o OpenFile seria uma coisa realmente poderosa&#8221;, disse Silverman.<\/p>\n<p><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/rontite\">Ron Tite<\/a>, um diretor criativo e agora CEO da ag\u00eancia de publicidade Church + State, foi o leitor por tr\u00e1s de outra hist\u00f3ria de sucesso em 2012. Na \u00e9poca, Tite morava perto de Liberty Village, um bairro promissor na regi\u00e3o oeste de Toronto que estava se tornando bem conhecido por seus bares da moda, caf\u00e9s e moradores da \u00e1rea criativa. O \u00fanico problema era um matadouro, onde milhares de porcos eram abatidos todos os dias. O fedor que soprava do pr\u00e9dio em um dia \u00famido de ver\u00e3o era suficiente para deixar as pessoas nauseadas. Ron se perguntou por que a cidade promoveria o desenvolvimento urbano em um bairro que abrigava algo t\u00e3o horr\u00edvel. Ent\u00e3o ele abriu um arquivo.<\/p>\n<p>Tite recebeu um telefonema de um rep\u00f3rter da OpenFile e ouviu Mike Layton, vereador de sua regi\u00e3o, que reiterou a perspectiva da cidade sobre o matadouro. A partir da hist\u00f3ria do OpenFile, Tite descobriu que o matadouro era a \u00fanica oportunidade de emprego no centro para muitas das pessoas que moravam no bairro h\u00e1 d\u00e9cadas &#8211; muito antes de ele e seus vizinhos da moda chegarem.<\/p>\n<p>Tite se viu compartilhando a hist\u00f3ria com sua comunidade e explicando o valor do matadouro sempre que ouvia algu\u00e9m reclamar do seu cheiro. Mais importante, ele disse, a experi\u00eancia \u201ctirou a venda que cobria meus olhos\u201d e deu a ele um apre\u00e7o maior pelo lugar onde ele morava. &#8220;Eu n\u00e3o sabia nada sobre a grande popula\u00e7\u00e3o imigrante que vivia na \u00e1rea e trabalhava (no matadouro)&#8221;, disse Tite. &#8220;Havia toda essa parte da comunidade que eu estava disposto a descartar por causa de um cheiro.&#8221;<\/p>\n<h5><strong>Outras hist\u00f3rias not\u00e1veis do OpenFile<\/strong><\/h5>\n<p><strong>Forever21 chega a Ottawa<\/strong>: Um leitor em Ottawa perguntou por que uma loja em um shopping de Ottawa estava fechada h\u00e1 tanto tempo. Um rep\u00f3rter do OpenFile ligou para o gerente geral do shopping que lhe disse que se tornaria uma loja da Forever21. A OpenFile quebrou a hist\u00f3ria antes que a Forever21 tivesse a chance de fazer seu an\u00fancio, tornando-se uma das hist\u00f3rias mais populares da ag\u00eancia. <strong>BikeFile<\/strong>: A cidade de Toronto divulgou estat\u00edsticas sobre mortes de ciclistas na cidade, e a OpenFile decidiu retratar o problema nacionalmente usando um mapa interativo. Algumas cidades n\u00e3o divulgavam seus dados. Ent\u00e3o, o OpenFile pediu aos leitores que preenchessem as lacunas em suas comunidades. <strong>Flor desaparecida<\/strong>: OpenFile colocou flores em um mapa de Toronto para mostrar onde os soldados viviam antes de lutarem e morrerem na Primeira Guerra Mundial. Uma leitora escreveu para dizer que seu tio estava desaparecido do mapa, levando a OpenFile a publicar uma hist\u00f3ria sobre soldado cuja vida quase foi apagada dos registros p\u00fablicos.<\/p>\n<h4><strong>Problemas no encanamento<\/strong><\/h4>\n<p>A <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/jsource\">J-Source<\/a> reconheceu Dinnick como o Jornalista Canadense do Ano em janeiro de 2012 por \u201cengajar cidad\u00e3os com jornalismo local de servi\u00e7o p\u00fablico em um ambiente independente, sem o apoio ou a rede de seguran\u00e7a de quem trabalha dentro de uma organiza\u00e7\u00e3o de not\u00edcias estabelecida\u201d.<\/p>\n<p>Mas enquanto a OpenFile celebrava seus sucessos jornal\u00edsticos, a empresa ainda estava tentando descobrir como ganhar dinheiro. O OpenFile come\u00e7ou com v\u00e1rios milh\u00f5es de d\u00f3lares em investimento de um investidor anjo an\u00f4nimo. Pelos c\u00e1lculos de Dinnick, um jornal gastava em m\u00e9dia cerca de US$ 1,000 para publicar uma mat\u00e9ria. Ele esperava produzir hist\u00f3rias por um pouco menos e vend\u00ea-las de volta aos jornais para obter lucro. Infelizmente, ele n\u00e3o conseguiu decolar r\u00e1pido o suficiente para manter o OpenFile em execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em setembro de 2012, o OpenFile suspendeu a publica\u00e7\u00e3o. Hoje, existe apenas como uma p\u00e1gina inicial e uma <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/openfile\">conta no Twitter<\/a> congelada no tempo.<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o as tr\u00eas principais li\u00e7\u00f5es de engajamento que achamos que podem ser colhidas a partir da sa\u00edda repentina do OpenFile da cena midi\u00e1tica canadense.<\/p>\n<h4><strong>Li\u00e7\u00e3o #1: Saiba o que voc\u00ea \u00e9<\/strong><\/h4>\n<p>Antes de pedir um pouco do tempo de algu\u00e9m, seja ele uma fonte, um volunt\u00e1rio ou um colega, descubra exatamente o que voc\u00ea deseja alcan\u00e7ar e construa uma organiza\u00e7\u00e3o que seja poderosamente projetada para que isso aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>Se ele pudesse fazer isso novamente, Dinnick disse que teria passado os primeiros meses focando em como tornar o fluxo de usu\u00e1rios intuitivo &#8211; antes de levantar qualquer dinheiro &#8211; e ent\u00e3o ele teria vendido o produto para outras empresas de m\u00eddia. \u201cSeria tudo uma quest\u00e3o de utilidade: colocar o widget OpenFile no maior n\u00famero poss\u00edvel de sites de not\u00edcias e estabelecer o fluxo de usu\u00e1rios para garantir que qualquer pessoa pudesse sugerir uma hist\u00f3ria\u201d, disse Dinnick. Isso n\u00e3o quer dizer que os editores e jornalistas n\u00e3o estavam fornecendo valor para a empresa e a comunidade, ele disse. Mas produzir hist\u00f3rias afastou o foco da verdadeira inten\u00e7\u00e3o do OpenFile, que era melhorar o engajamento da comunidade e colocar essas hist\u00f3rias no mundo da maneira mais eficiente poss\u00edvel.<\/p>\n<h4><strong>Li\u00e7\u00e3o #2: Engajamento da comunidade \u00e9 um trabalho full time<\/strong><\/h4>\n<p>Seja realista quanto \u00e0 quantidade de recursos que o envolvimento da comunidade exige e me\u00e7a o sucesso com base no que voc\u00ea est\u00e1 tentando alcan\u00e7ar (veja o primeiro t\u00f3pico). A luta para encontrar um fluxo de receita levou o OpenFile a se concentrar em cliques para atrair investimentos em an\u00fancios. Em algum momento, o OpenFile come\u00e7ou a mudar para algo diferente, disse <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/nealozano\">Neal Ozano<\/a>, editor de Halifax. Ele queria ser &#8220;uma coisa que interessa \u00e0 comunidade&#8221;, mas tamb\u00e9m queria ser competitivo com outros meios de comunica\u00e7\u00e3o, disse ele. Isso significava que o conte\u00fado precisava ser bombeado diariamente, o que n\u00e3o se encaixava na velocidade com que as hist\u00f3rias sugeridas pela comunidade evolu\u00edram. Editores estavam tentando o seu melhor para angariar ideias de hist\u00f3rias da comunidade, mas eles tamb\u00e9m estavam ocupados atribuindo hist\u00f3rias, editando-as e interagindo com os leitores nas redes sociais.<\/p>\n<p>Eventualmente, ficou evidente que seria imposs\u00edvel criar conex\u00f5es fortes com apenas um editor em cada cidade, ent\u00e3o a OpenFile contratou editores adicionais para cada cidade al\u00e9m de um editor comunit\u00e1rio em Toronto, que era respons\u00e1vel por aumentar o alcance das m\u00eddias sociais. Mas mesmo com as novas contrata\u00e7\u00f5es, o editor fundador Silverman disse que a OpenFile pediu muito de seus editores e escritores.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que muitas organiza\u00e7\u00f5es de not\u00edcias perceberam que o engajamento da comunidade \u00e9 um trabalho de tempo integral&#8221;, disse Silverman. Se voc\u00ea espera que os jornalistas se envolvam com a comunidade, voc\u00ea precisa entender que \u00e9 preciso esfor\u00e7o e certas habilidades. Os editores precisam descobrir formas de ajudar os jornalistas a fazer esse tipo de trabalho, talvez formando equipes que possam sustentar a quantidade de trabalho necess\u00e1ria, disse ele.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante para os editores serem realistas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00edda, disse Silverman. Se os editores se concentram apenas no n\u00famero de hist\u00f3rias que um jornalista produz, eles est\u00e3o ignorando outros indicadores importantes, como a quantidade de envolvimento que uma comunidade tem com o trabalho do jornalista. A infraestrutura necess\u00e1ria para gerenciar e recompensar o engajamento da comunidade corretamente \u00e9 \u201ca grande coisa\u201d que os editores e gerentes precisam pensar, disse Silverman.<\/p>\n<h4><strong>Li\u00e7\u00e3o # 3: Conhe\u00e7a seu p\u00fablico onde eles est\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Identifique seu p\u00fablico e v\u00e1 aos lugares onde eles participam, tanto online quanto pessoalmente. Tenha em mente que isso leva muito tempo (veja o segundo t\u00f3pico), ent\u00e3o seja cuidadoso sobre como voc\u00ea usa seus recursos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s subestimamos o qu\u00e3o dif\u00edcil seria atrair novos leitores e novas ideias para a hist\u00f3ria. Descobri que as m\u00eddias sociais e o boca-a-boca n\u00e3o eram suficientes para o que eu estava tentando fazer em Toronto. E eu esperava que fossem\u201d, disse David Topping, editor do OpenFile em Toronto.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 necessariamente aquela ideia de que, se voc\u00ea construir, eles vir\u00e3o. &#8220;Existe um passo antes que eles encontrem seu ve\u00edculo, e voc\u00ea pode estar incrivelmente desconectado disso&#8221;, afirma Topping. Silverman acrescenta: &#8220;N\u00e3o \u00e9 que as pessoas n\u00e3o queiram ajudar ou n\u00e3o tenham informa\u00e7\u00f5es \u00fateis suficientes, mas voc\u00ea precisa fazer um esfor\u00e7o para alcan\u00e7\u00e1-las onde elas est\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Consequentemente, as pessoas que encontravam o site do OpenFile eram apenas um subconjunto do p\u00fablico-alvo que os editores esperavam alcan\u00e7ar: pessoas engajadas, educadas e conhecedoras da m\u00eddia que tinham tempo e interesse para sugerir uma hist\u00f3ria. Isso tornava mais prov\u00e1vel que o OpenFile recebesse um certo tipo de ideia de hist\u00f3ria, transformando-a em um site de quest\u00f5es urbanas, em vez de um site de not\u00edcias mais amplo que oferecesse uma plataforma \u00e0s comunidades carentes.<\/p>\n<p>O sucesso transit\u00f3rio do OpenFile provou que as comunidades t\u00eam hist\u00f3rias n\u00e3o contadas que est\u00e3o ansiosas para compartilhar e que os jornalistas trabalham com eles com sucesso quando recebem recursos para envolver os leitores de uma maneira significativa.<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias sugeridas pelo leitor que o OpenFile produzia tinham a capacidade de \u201cpromover uma compreens\u00e3o e um cuidado pelos lugares que as pessoas vivem\u201d, diz Topping. Bem feitas, essas hist\u00f3rias tamb\u00e9m produziram empatia e engajamento pelo processo jornal\u00edstico. Mas, no final, o OpenFile n\u00e3o conseguiu manter o fluxo de hist\u00f3rias sugeridas pelo leitor necess\u00e1rias para sustentar o site. &#8220;Por um tempo (sugest\u00f5es da hist\u00f3ria) chegaram, ent\u00e3o elas meio que se esgotaram&#8221;, disse Ozano, editor de Halifax. Tornou-se mais f\u00e1cil executar o site como um site de not\u00edcias regular e empurrar freelancers para encontrar mais hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Quanto aos jornalistas que querem integrar o engajamento da comunidade em seu trabalho, o conselho de Silverman \u00e9 simples: \u201cApresente-se com um senso de abertura e humildade e diga: \u2018Voc\u00ea sabe mais do que eu. Aqui est\u00e1 o que eu quero tentar. Veja como eu adoraria se voc\u00ea pudesse ajudar. O que voc\u00ea pode fazer?\u2019. N\u00e3o se trata de criar um formul\u00e1rio e esperar que coisas m\u00e1gicas aconte\u00e7am, mas, na verdade, ter o trabalho de chegar nas pessoas e conhec\u00ea-las.<\/p>\n<p>Algumas das pessoas com quem falamos descrevem um buraco no jornalismo, com o formato do OpenFile. Esse buraco nunca foi preenchido. Outros est\u00e3o mais otimistas de que novas empresas como a Hearken entraram em cena para preencher a lacuna e os jornalistas est\u00e3o cada vez mais engajados com seu p\u00fablico nas redes sociais e atrav\u00e9s de eventos ao vivo. Independentemente de seu legado no cen\u00e1rio da m\u00eddia, o OpenFile prova que as comunidades t\u00eam hist\u00f3rias n\u00e3o contadas, que est\u00e3o ansiosas para compartilh\u00e1-las e que os jornalistas trabalham junto com elas com sucesso quando recebem recursos para se envolver com os leitores de maneira prolongada e sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><em>Jessica Best, Emily Goligoski, Leon Postma e Jay Rosen contribu\u00edram para este artigo, que apareceu originalmente no site <a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/membershippuzzle.org\/articles-overview\/involving-readers-in-reporting\">Membership Puzzle<\/a>. O artigo est\u00e1 publicado aqui com permiss\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/gijn.org\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/ashley-renders.jpg\"><\/a><a rel=\"noopener\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/twitter.com\/iamrenders\">Ashley Renders<\/a>\u00a0\u00e9 uma produtora de v\u00eddeo no National Post. Anteriormente, ela foi produtora associada na VICE Canad\u00e1, onde ajudou a produzir um programa digital de not\u00edcias e cultura chamado Daily VICE. Antes disso, ela foi editora-assistente e escritora s\u00eanior na revista Corporate Knights, e foi bolsista em jornalismo global na Munk School of Global Affairs, em 2014.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>English Produzindo not\u00edcia: o site canadense OpenFile foi lan\u00e7ado em 2010, mas fechou apenas dois anos depois. Imagem: Screenshot &nbsp; Quando o OpenFile foi lan\u00e7ado, em 2010, a fechada comunidade midi\u00e1tica canadense reagiu com um entusiasmo discretamente c\u00e9tico. 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